Amanhã
é domingo, é Dia dos Pais. O vigésimo! Já
fazem 20 anos! Parece que o vi ainda ontem. Parece até que não
faz muito tempo, ele me criticou por minhas posições
políticas, tão revolucionárias, tão
conservadoras e tão radicais. Parece que foi no meu último
aniversário que ele me deu aquele exemplar de “Aventuras de
Tibicuera”, do Érico Veríssimo. Na verdade, eu devia
ter uns 11, 12 anos, quando ele me presenteou com esse livro, que li
e reli, várias vezes depois. “20 Mil Léguas
Submarinas” e “As Aventuras de Tibicuera” foram minhas portas
de entrada para o mundo dos livros, para o gosto pela literatura.
Sim,
já fazem 20 anos... nem parece que fazem tantos anos, desde
que fomos pela primeira vez ao cinema. Ou desde a última vez
que ele nos levou para passar as férias na praia, em Floripa.
Já se vão vinte... vinte dias dos pais sem o meu, sem
ele por aqui. Parece que foi ontem, a nossa última briga,
antes da madrugada em que ele sofreu o segundo e fulminante infarto.
Parece que ele não levou mágoas ao desencarnar. Ele me
visitou em alguns sonhos, depois daquilo. Me ofereceu bons conselhos,
me deu boas idéias para um conto, um poema, um texto... tantas
e tantas vezes! Me deu conselhos amorosos. Em um sonho que tive pela
primeira vez com ela, foi ele quem me fez perceber, enfim, que tinha
me apaixonado. Ele foi quem me disse pra arriscar e persistir, “caso
valesse a pena”.
Vinte
anos sem ele, imagine. Vinte Dias dos Pais sem meu pai. Parece
incrível...! ele, ainda assim, continua sendo meu guia, meu
melhor amigo. Vinte anos sem sua presença física e nem
parece que ele esteve, sequer um dia, longe!

Nenhum comentário:
Postar um comentário