PESCANDO NO BODOSAL

segunda-feira, 19 de agosto de 2013

Elvis Até o Tucupi

No dia de hoje(16/08), Elvis Presley faz aniversário... não, não é de nascimento: é que, no dia de hoje, há exatos 36 anos, o cantor teria morrido, por causa de uma overdose de remédios para dormir, ou qualquer coisa assim. Pelo menos, como diria o radialista amazonense Waldir Correa, é o que a História conta!
Se você procurar no Google, até, lá vai ter a mesma informação! Claro, agora se buscar no Google o nome 'Elvis Presley', acrescido de 'teoria da conspiração', vai encontrar várias outras informações que contradizem a 'versão oficial'. Os teóricos da conspiração, por exemplo, dizem que Elvis Presley não morreu coisa nenhuma, que ainda estaria vivo até hoje, andando por aí, belo e faceiro!
Enfim, dizem também que nem Micheal Jackson, nem Jim Morrison teriam morrido; que Paul McCartney, este sim, teria morrido num acidente de moto, nos anos 60; que o assassinato de John Lennon teria sido engendrado pela CIA e o MI6; que Bruce Lee teria sido morto pela máfia chinesa, em Hong Kong, etc.
Dizem alguns teóricos que Elvis teria cansado de fazer shows em Las Vegas, da fama, etc, ou que teria entregue à CIA alguns artistas simpatizantes da URSS, nos tempos da Guerra Fria, e que, portanto, precisava e desejava deixar tudo pra trás, mudar de identidade, pra isso forjando a própria morte e desaparecer das vistas de todo mundo, possivelmente se refugiando no Hawaii, ou nas Ilhas Virgens. Mas, por que justamente o 50º Estado norte-americano?! Bom, Elvis fez uns filmes por lá e, dizem, gostou muito do lugar, coisa e tal. Por isso mesmo, deveria ser o primeiro lugar onde procurariam o rei do rock, assim que os boatos sobre sua morte ter sido forjada começassem a aparecer, certo!?
Pois, presumindo que realmente Elvis Presley tenha cansado da vidinha de astro pop semi-decadente, fazendo shows pra turistas nos cassinos de Las Vegas... ou aquela outra versão... ele talvez tenha pensado em todos os prováveis lugares mais isolados, dentro dos Estados Unidos, imaginou que o único onde ninguém nunca teria coragem de procurá-lo não seria o Hawaii, mas sim o Alaska! Só que ele detestava o frio, não conseguiria ficar por muito tempo em um lugar onde o inverno dura os 365 dias do ano. Ele, então, pensaria em procurar outros lugares, em outros países. O mundo é grande, mesmo dividido em 2, como estava na época, era muito grande, ainda! Lugar para sumir era o que não faltava.
Então, Elvis Presley teria levado um bom tempo, lendo National Geographic, lendo mapas e livros de geografia, pesquisando revistas e prospectos de agências de turismo, em busca do melhor destino onde esconder-se e mudar de vida. Digamos que ele tenha escolhido o Brasil. Pensa inicialmente no Rio de Janeiro... mas aí lembra que muitos dos seus compatriotas costumam visitar com frequência essa cidade costeira brasileira. Alguns amigos seus, inclusive, já lhe mostraram as fotos de férias tiradas lá. Mesmo sendo o Brasil, precisava ser um local pouco conhecido, pouco explorado, principalmente por seus compatriotas! Digamos que Elvis, então, se depara com uma bela foto da floresta amazônica, ao lado da qual há uma legenda que diz: “near of Manaus”.
Ele então se resolve, traça um plano infalível, ajeita os últimos detalhes, conta com a ajuda de um amigo, já expert em mortes simuladas, inclusive a própria, em 1973... e é dado como morto, colocando no caixão o corpo de um indigente bastante parecido em seu lugar, para ser velado e enterrado.
Tempos depois, com uma nova identidade, seu amigo e ele embarcaram num vôo para o Rio de Janeiro, provavelmente saindo de Miami, e lá chegando, pegam um ônibus, ou carona com caminhoneiros e viajantes até o Pará, até o rio Amazonas, onde pegam um barco que os leva até o porto de Manaus.
Chegou, estabeleceu-se num bairro mais ou menos distante do Centro e, pra não levantar suspeitas, começa a trabalhar carregando frutas e pescado pelo rio Negro e igarapés da capital amazonense e cidades próximas. Depois de alguns anos, quem sabe, levantou uns trocados e comprou uma banca, em alguma feira da cidade, tipo a da Pan Air... e lá ficou vendendo tucupi, banana, peixe, farinha, essas coisas...
Quando o senhorzinho, que até então falava, contando essas reminiscências, se deu conta, o seu amigo chinês, que já lhe cutucava há um bom tempo, aprontava um soco de uma polegada para calar o velho. E quase todo mundo, naquele bar na beira do barranco que desce para o rio Negro, o escutava com mais atenção. Seu Élvio, como lhe conheciam nos Educandos, deu uma pigarreada, desconversou, enrolou a língua, aparentando estar meio grogue: “É, bom... enfim, isso é história que o povo conta, né mermo...?!”
Levantou-se, foi até o balcão, cochichou algo no ouvido da dona Arminda, dona do bar, que lhe entregou uma chave, com olhar desconfiado. Seus passos eram acompanhados pelos frequentadores, meio trôpegos. Voltou, entregou a chave, agradeceu, pediu mais uma Cerpa “tinindo de gelada”, pediu também uma ficha, foi até a jukebox no outro canto do bar. Depositou a ficha, escolheu algumas músicas e, assim que a voz inconfundível de Nunes Filho começou a entoar “Estou subindo pelas paredes”, se pôs a dançar sozinho, para os risos dos presentes e tranquilidade do Véio Jack.

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