É
dureza esse negócio de ter que ficar policiando os próprios
sentimentos, guardando para si o que se quer dizer, se privando de
fazer ou escrever algo para uma pessoa, porque ela fica sem jeito,
fica estranha, fica sabe-se lá mais o quê... é
dureza se gostar de alguém que não lida muito bem com
isso... porque ela se assusta, porque é complicado, porque não
pode ser... pra você, deve ser chato, mas com certeza, deve ser
simples!
É
complicado pra você, também! Aí é que tá,
pra você também é complicado... e você não
está nem tentando complicar! Você tem que ser forte
pelos dois, tem que pôr de lado suas paixões, seus
desejos, seus sentimentos e emoções, tem que controlar
sua preocupação, evitar demonstrações de
afeto, ser solidário somente até determinado ponto.
Você também tem flutuações de humor, tem
carências, que de vez em quando te engolfam, como um vagalhão,
há dias em que a solidão se torna insuportável e
você, fragilizado, chora feito menino, quer um colo, um
abraço... ou apenas que alguém passe os dedos por sua
cabeça... você também está sozinho, também
precisa de um pouco de atenção. Mas e daí?! O
que os outros têm com isso?!
Você
tem que ser forte... tem que dizer que está tudo bem. Tem que
sorrir e evitar certas palavras-chave, certas frases. Você quer
dizer, precisa dizer, mais do que querer, um “eu te amo”, mesmo
que ela não precise de confirmação, mesmo que
esteja esperando que outro o diga. Não precisava ser sempre,
bastava poder dizê-lo livremente, de vez em quando!
Você
quer dizer que sente saudades; que precisa dela, todos os dias; que
não consegue mais imaginar sua vida sem ela; que ela foi o que
de melhor lhe aconteceu, em muito tempo; que ela é muito
importante pra você; que o seu riso é o mais lindo que
já viu; que ela é a paz do seu coração...
sim, são frases meio batidas, frases feitas, lugares-comuns,
todo homem diz isso, e tal, mas não importa, você quer
dizer-lhe, assim mesmo. Você sente que não são só
palavras e que não podem ficar presas assim... mas acontece
que é tão complicado!
É
difícil, você se esforça pra não esperar
nada além do que estiverem dispostos a lhe dar, você
procura não esperar nem mesmo isso! Há momentos, no
entanto, em que você quer algum retorno, algum feedback para
aquilo que escreve, para o que diz, para os sentimentos que expressa
através de algo que toma emprestado. De repente, isso faz
muita falta pra você também. Mas é tão
complicado... por que, mesmo?! Você repensa o que disse, você
de repente descobre que, talvez, você não seja assim,
atencioso demais... talvez, só talvez, o problema seja o nível
certo de atenção, mas vindo da pessoa inesperada...
então, pra evitar maiores complicações, você
se retrai. Você se esforça pra ser solícito só
quando lhe pedirem, até o ponto que lhe permitirem.
Você
ainda confia, você ainda crê na possibilidade, você
não duvida... mas desconfia de que esteja complicado demais...
cada dia mais... porque se apenas um dos dois tivesse cogitado... o
problema é que ambos cogitaram, e a única coisa que
faltou para que passasse de mero ideal para o real fosse sair da
cogitação para a ação, confiarem ambos e
darem o salto, um em direção ao outro. Não deu,
não tinha como, não há... é uma certa
teimosia, mas é que é complicado...
Puxa
vida, é complicado esse negócio, você prometeu
que não iria se rebelar! Prometeu a si mesmo, prometeu a
ela... não ia se rebelar mais! Bem, isso foi só um
desabafo... foi só por hoje, que não se repita mais...
o que não dava era pra guardar por mais tempo, sem o risco de
ficar doente... é complicado, amigo!

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