Noite
de réveillon caseira, com a família, sem sair de casa,
sem sair do bairro, sem sair. Um pouco de solidão, mas nada
que impedisse a alegria, o desejo e a fé em um novo ano melhor
que o que passou. Não estava exatamente onde queria, não
foi-se, tampouco, onde gostaria, quem sabe, ver os fogos espocando,
quem sabe uns shows, uns bons drinks... de qualquer forma, não
deixou-se de ter alguma diversão, mesmo aguentando mais um
show da virada da Globo, na televisão. Ainda assim, as
esperanças de não ver aquilo outra vez, na próxima
festa da virada de ano, foram renovadas.
Pouco
mais de uma hora depois, a família já havia se
recolhido, cansados de festejar, daquele nosso jeito, todos já
haviam se desejado feliz ano e foram ao berço, para descansar,
para o amanhecer do primeiro dia do ano de 2012. Enquanto Morfeus nos
levava para a terra do sono e dos sonhos, ouvia-se, ao longe, alguns
fogos ainda sendo queimados, os risos e a música de outras
festas, em outras casas da rua.
O
primeiro amanhecer do ano chegou, com nuvens carregadas, chuvas
torrenciais, raios, trovões e... frio, em pleno verão,
frio! Na madrugada, as festas ainda estavam frescas na memória
e o pensamento voou além da rebentação, no afã
de ver e abraçar pessoas queridas que estavam longe, há
kilômetros de distância, até em outro fuso
horário. Os sonhos, então, foram influenciados pela
virada. Dois sonhos. Dois lugares, duas festas de réveillon,
duas queimas de fogos... e duas pessoas diferentes! Uma aflição,
de vários dias, voltou à tona, bem forte, na primeira
manhã. O desenrolar, o cenário, dos sonhos, eram
parecidos, a festa, a queima de fogos, todo mundo alegre, etc. O
desfecho, também, semelhante. As pessoas é que mudavam.
Um estranho sentimento de culpa tomou conta... a paixão e o
encantamento se engalfinhavam, dentro do peito. E no meio, alguém
sentindo-se meio canalha. E assim começou 2012!


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