PESCANDO NO BODOSAL

sábado, 22 de outubro de 2011

Carência, Karma, Utopia...


Ah, quem dera... se de repente, num futuro retorno a Manaus, a primeira (e eterna ex) namorada dissesse ter cansado de ficar pulando por relacionamentos que se desgastam em semanas, ou meses, desejasse mesmo ter uma relação mais duradoura... e, estando eu por ali, dando sopa... enfim... sacumé!
Ah, mas se em vez de me provocar e brincar comigo, e me usar, aquela ex-colega de trabalho deixasse sua extensa lista de parceiros para ter algo mais sério e verdadeiro comigo!? Ou pelo menos ter me incluído nessa lista...
E se aquela menininha – na atitude e não na idade – acadêmica de direito, que conheci numa entrevista de emprego, de repente dissesse que faço falta em sua vida, que até começou a pensar em mim... de um jeito diferente!? Tipo, agora resolvesse que havia sido um erro iludir-me e não me dar uma chance...?!
Como seria?? O que é que eu faria?! Me manteria fiel a uma paixão que, eu sei, não me dá nenhuma esperança?! Sucumbiria à solução mais fácil, a tentação provocada pela extrema carência afetiva?! Hoje eu não sei responder a essas questões... sei apenas que sinto muita falta de um beijo... não precisamente na boca, de língua, poderia ser no rosto, desde que com carinho... um abraço, então!! Daqueles apertados, demorados... faz, sim, muita falta... mais que o sexo. Uma amiga, que anda afastada por conta de um vacilo feio, seu em relação a mim, costumava dizer que carência afetiva de homem é a tal da “seca”, em outras palavras... falta de sexo! Simples assim! E eu costumo dizer que, se o problema todo fosse esse, engoliria meu orgulho e pagaria para ter o prazer que estaria me fazendo falta. Mas nada é tão fácil assim...
Em julho deste ano, completaram “apenas” cinco anos – CINCO ANOS!!! - em que não tenho nenhuma relação mais ou menos estável com alguém... tipo namoro. Se for contar paqueras, ficadas, rolos... dá mais ou menos isso também. Se é muito tempo...? Sim, é bastante tempo... é um tempo pra si mesmo que ninguém precisa! Mas eu tô tendo esse tempinho pra mim, infelizmente... “Nossa!! E como é que você ainda não surtou?!” Até meus surtos são controlados... porque na verdade, eu surto por conta desse pequeno problema uma pá de vezes... neste exato momento, estou surtando.
Tenho pra mim que isso é um pequeno karma pelo qual tenho de passar nesta encarnação. Talvez eu devesse, mas não consigo me resignar... é doloroso você ter a consciência de que passará a vida privado de algo, porque, sei lá, é algo que você tem em débito de outras encarnações anteriores, ou é algo por que você deve passar, para seu aprendizado... e você não pode fazer nada a respeito e não consegue se resignar!
Por conta desse meu pequeno karma, eu incrivelmente somente me apaixono por quem não gosta de mim, pelo menos não da forma “certa”... e não é que me apaixone fácil... não, até o ano passado, tive somente duas paixões verdadeiras... daquilo que considero como tal... de não importar a distância, você ter olhos, pensamentos, coração pra aquela pessoa, preocupar-se com ela, chegar a sonhar com ela, vocês falarem-se hoje e, assim que se separarem, ou desligar o telefone, desconectar o messenger, já sentir a falta da outra pessoa... querê-la sempre ao seu lado e tal... sim, pois é, eu sei que você entendeu!
Imagine você, dizer “eu te amo” a uma pessoa e ela perguntar de volta: “o quê, mas já...?!” Desconcertante, não é?! Pois é, sinto falta de receber carinho, também de dar, sinto falta de receber e demonstrar afeto, livremente, de me declarar a uma pessoa sem ela querer assustar-se, sem causar-lhe desconforto, sem que queira preservar-se de qualquer idéia, ou imaginação mais romântica a meu respeito, e eu a respeito dela. Por vezes, sinto-me culpado por ter certos sentimentos, e sequer sonhar ter qualquer relação mais íntima e pessoal, de afeto e companheirismo por determinada pessoa.
Até então, havia vivido duas verdadeiras paixões. Pois hoje, vivo uma terceira... achei que, acontecesse o acontecesse, iria ser o melhor. Por vezes, ela é a razão dos meus surtos. Ainda mais que estamos novamente longes e distantes. Nos preservamos mutuamente de certas coisas, de alguma forma, fiz, ou faço parte de sua vida de maneira praticamente paralela, se houveram, mesmo, cogitações da sua parte suas a meu respeito, como cogito, ainda que estando novamente muito longe, não tenho bem certeza, mas caso tenham havido, talvez tenhamos deixado de lado, mesmo, fatores que poderiam tornar, mesmo os laços de amizade, mais fortes, resistentes... sim, não haveriam diferenças, a falta de um não seria mais sentida pelo outro do que o inverso, as sensações seriam absolutamente as mesmas – ou pelo menos, bastante parecidas. Impor muitas regras e querer prever e adivinhar o desenrolar, a evolução dessa relação também foram erros graves, nos esquivamos demais um do outro, por conta disso. Foi burrice! Deveríamos, caso ter cogitado as possibilidades, não apresentá-las teoricamente, se um de nós não pretendia levar essas cogitações ao campo da relação, propriamente dita, nada deveria ter sido dito. Ou simplesmente, cogitando, ou não, ter-nos deixado levar para onde o coração nos empurrasse... fosse para o que fosse!
Penso que gostaria de ter tido mais liberdade para me expressar, demonstrar, sem receios, meus sentimentos, dar-lhes o devido nome, não deixar de usar determinadas palavras, por medo de chateá-la, espantá-la, incomodá-la, desconcertá-la, ou qualquer coisa assim... penso que talvez venham a dizer-me o que já fora dito antes, sobre, mas queria poder demonstrar mais abertamente meu afeto, meu carinho, sem ter de olhar para os lados, para não causar nenhum constrangimento. Há tempos espero por um abraço demorado, por um longo beijo... românticos, apaixonados, ou fraternos, realmente, tanto faz. Ter aquela cabecinha pousada em meu ombro, ter uma maior receptividade a esses carinhos e demonstrações de... amor! E afeto... obter o justo reconhecimento e a correspondência, mesmo que em parte, da pessoa certa, neste momento – porque não há distração que despenda tanto de minhas lembranças, preocupações, saudades, ultimamente – sei que não passa de uma utopia.
O que não era pra ser, para nenhum de nós, uma utopia, ter estreitado mais os laços, fazermos, efetivamente, parte do círculo de relações afetivas um do outro, pelos mais diversos motivos alegados, até mesmo o “não se sabe o dia de amanhã”, também foi incluído na tal utopia, num ideal “inalcançável”. E nunca foi. Enfim... se é pra tirarmos algum aprendizado disso... pois que se viva esse karma, então.

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