PESCANDO NO BODOSAL

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Norte e Sul


De volta ao Sul, mais uma vez. Me precipitei. Podia ter esperado um pouco mais, podia ter tentado uma outra saída, podia ter esgotado, de verdade, todas as possibilidades, antes de sair correndo e entrar no primeiro avião rumo a Porto Alegre. Não era o momento de voltar. Ainda não é. Nem sei quando seria.
Desta vez, meu coração, parte de minha alma, creio que o melhor de mim, ficou lá pra trás, ficou no Norte. Ficou em Manaus. E tenta se comunicar com ela. Não tem obtido sucesso. Eu tenho procurado me comunicar com minha melhor parte, mas ela não me traz de lá as notícias que espero.
Não espero que ninguém entenda, mesmo. Nem ela. De volta ao Sul, tenho de me policiar o tempo todo, para não cair no marasmo, não me deixar acomodar, buscar saídas, travar o bom combate, lutar por objetivos que considere justos, fazer planos e buscar meios de cumpri-los. Das outras vezes anteriores em que tive de voltar ao Sul, voltei a velha vidinha, me deixei desanimar, me deixei acomodar, me deixei cair nas trevas do lado negro de meu coração. No Sul, sou sombrio, triste, soturno, solitário. Sou praticamente nulo, várias vezes não me sinto uma pessoa, apenas extensão de outras pessoas, de minha família – por exemplo. Meu círculo de amizades se reduz a minha família, praticamente!
No Norte, tenho de me impor, tenho de me abrir, de me mostrar para as pessoas. Tenho que ser uma pessoa. Meu círculo de amizades – e mesmo de colegas – no Norte é maior, e formado em bem menos tempo, que no Sul. Não há zona de conforto, no Norte, não há porto seguro, aliás, em lugar algum, em pessoa nenhuma! Ninguém, nem nada, pode ser nosso porto seguro, a não ser nós mesmos. Amigos, família, amores, lugares, podem ser, no máximo, nossos esteios. Algo em que nos apoiarmos, firmarmos o pé, tomarmos impulso para o próximo salto.
No Norte, meu porto é mais seguro, porque EU sou mais seguro. Mais seguro de mim mesmo. É fato... desculpa aí. Não pode haver uma relação tão recente com o Norte. Faz 8 anos que fui lá da primeira vez. 8 anos! Não era pra ter nenhum tipo de ligação com o Norte! Mas o fato, puro e simples, é esse: neste retorno ao Sul, mal o avião decolava, meus olhos encheram-se de lágrimas. Foi uma despedida amarga do Norte. Foi algo que nunca aconteceu. Nunca fiquei tão abalado por ter de ir embora, como desta vez. É certo que meu coração por lá ficou de vez. É bobagem pensar em um “lugar melhor” para os próximos planos. Não espero, nem quero que você me entenda! Lá é que me sinto inteiro. Lá é que me sinto um indivíduo, uma pessoa.
No Norte é onde me sinto completo. Nenhuma tristeza, nenhuma depressão é tão crua e tão cruel quanto a que sinto no Sul. Lá, não me deixo cair na obscuridade tão facilmente. Lá sinto que meu humor é igual aquele chão, mais iluminado e mais quente. Aqui, meu humor é mais frio e nevoento, como o chão daqui. E eu não gosto disso. No Sul, relaxo muito, no mau sentido, tanto que ganho peso novamente, temo ficar novamente bem acima do peso. Porque é o que sempre acontece, toda vez que volto pra cá.
Aprendi muita coisa nova, desta vez, no Norte. Estou procurando usar isso para manter-me forte. Está difícil assumir uma postura mais... nortista, no Sul. Mas é o que tenho de fazer. Seguir com o plano. Procurar chegar onde pretendia chegar, onde ainda pretendo chegar. Procurar não me acomodar, não aceitar o fracasso que me fez voltar antes do tempo, não deixar-me cair nas sombras e tornar-me novamente soturno e taciturno. Mesmo sem seu apoio, de quem sabe que não podemos mais ser apenas colegas de internet. A distância física foi vencida, outras distâncias também foram, não há mais como impor muros e barreiras... enfim, não quero voltar ao Sul e me anular de novo. Preciso manter a cabeça fora do buraco, manter a cabeça em planos úteis e no Norte, onde está meu coração, na curva do rio Negro. No Norte está a Luz, não posso me deixar sucumbir nas Trevas do Sul. Não espero que ninguém entenda. Espero estar mais forte. Só isso.


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