A
guerra no Rio tá bombando! Essa é a nova onda do verão!
Em todos os canais de tevê só se fala em outra coisa!
Então, ora bolas, deixa eu falar também! Tá todo
mundo se afundando, deixa eu me afundar um pouquinho, também!
Na
verdade, não tenho muito o que falar a respeito. Nem sei se
vou falar tanto assim sobre. Queria escrever é outra coisa,
mas aquilo que eu escreveria, sim, teria que ser mais elaborado. Um
pequeno texto sobre a crise do Rio de Janeiro não precisa. Não
vou me aprofundar no assunto, não vou discorrer sobre os
problemas.
Ontem
à noite, tava vendo a cobertura da guerra do Rio, pelo
jornalístico, depois do jogo. Lembrei de minha família
manauara. Me ligaram no outro domingo, aí me contaram que
tavam em dúvida, se iam para o Rio, pra passar a virada de
ano, ou se vinham para Porto Alegre. Falta mais de mês pro
reveillon, mas os cariocas já estão fazendo o show de
fogos, todas as noites. Logo me lembrei deles e mandei-lhes uma
mensagem de celular, pra acompanharem a queima de carros em
Copacabana da televisão, lá em casa!
O
problema do Rio é o mesmo de boa parte do país. Não
se engane, o que está acontecendo no Rio, agora, neste
momento, essa guerra civil, sem tréguas, entre o poder público
e os criminosos, em maior parcela o tráfico de dorgas, Manolo,
é a mesma que você mesmo já presenciou, na sua
cidade, só que, talvez, em menor escala! O problema do Rio é
o mesmo de Manaus, de Porto Alegre, de São Paulo, de
Florianópolis, de Salvador, de Brasília... o governo,
que é eleito por nós todos, é negligente, o
Estado é desestruturado, mal-planejado, mal-aparelhado... a
população não é assistida, não tem
segurança, não tem educação, não
tem saúde. Ouvi a presidente Dilma, ontem, na tevê,
falando em dar “mais oportunidades”... e como ela pretende fazer
isso? Como pretende erradicar a miséria e oferecer
oportunidades de progresso? Aliás, o partido da presidente é
meio avesso a esse negócio de “progresso”, “mérito”,
“empreendedorismo”, “livre iniciativa”... e, em comum com os
governos anteriores? Em comum com seus opositores? O descaso com a
educação! A melhor forma de criar oportunidades pra
população é essa! Ou você acha que a
galera dos morros cariocas não sabe disso? É claro que
sabe! Pode me chamar de ingênuo, mas acredito, sim, que a
imensa maioria daquela gente queria ter acesso a uma boa escola, a
uma boa educação, de boa qualidade... tipo a que
receberam os filhos do presidente molusco, quando foram lá pra
Europa!
Complicado
é o problema do tráfico. As dorgas são um
pobrema qui paresse num ter solussão! Todo mundo, quer dizer,
todas as classes têm sua parcela de culpa no crescimento do
poder do tráfico. Todas as classes MESMO!! O poder público,
o governo e o Estado têm sua parcela de culpa. Mas eu diria que
é pequena, em relação a nossa própria
culpa, da própria sociedade! No Rio, pelo menos essa é
a visão que se tem, que nos é passada, há uns
trinta, quarenta anos, que algumas drogas não são assim
tão perigosas, que não há mal nenhum em se fumar
um baseadinho a toa. Considerando que o excesso no uso do álcool
e do tabaco também são prejudiciais, ok, concordo que
seja meio hipócrita querer combater a maconha da forma que se
combate. Porém, o traficante que vende maconha, não
vende só maconha, vende drogas mais pesadas, vende o crack, a
cocaína, a heroína, a pasta-base e uma tal de merla,
que dizem ser pior que o crack... e o crack, Manolo, é uma
dorga cruel, das de mais difícil recuperação que
tem!
Muito
artista global e não-global, muito magistrado, professor,
cantor sertanejo, blogueiro, jornalista, padre, pastor, bispo, usa
tóchicu... muitos sustentam o tráfico. E são os
mesmos que ficam estarrecidos com a escalada da violência no
Rio, com a guerra civil e o clima de terror que tomaram conta da
cidade... e que vêm tomando conta do Estado, do país! É
sério o que eu falei! Não parece... mas é sério!
O bagulho tá islâmico, D2!
O
problema do Rio é muito complexo. E não é só
do Rio. Posso concordar que lá, a situação foi
degringolando e agora tá meio tarde pra se atacar um problema
de cada vez. Agora, no Rio, todos os problemas, todos os flancos, têm
de ser atacados ao mesmo tempo. O que, com certeza, comprometeria a
eficácia na resolução dos problemas. Mas penso
que não tem como pensar de outra maneira! Não tem outra
forma de se agir! Infelizmente! O pior, neste momento, é não
agir. Ou agir em apenas um problema! Isso vale para o Rio, agora, e a
continuar dessa maneira, sem valorizar a educação, sem
aparelhar o Estado, muito em breve, vai valer pra todo país,
de Norte a Sul. E, pelo que tudo indica... putz! Falei a mim mesmo
que não iria me aprofundar nisso daí! Tô
começando a ficar deprimido... vou lá fumar unzinho,
depois eu volto!

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