Têm
músicas que nos marcam, que não gostamos, apenas, que
somos tocados, às vezes mais pelas emoções e
lembranças que elas suscitam do que pela letra, ou melodia.
Têm músicas cuja harmonia e melodia me atraem,
primeiramente, depois, vou procurar prestar atenção e
compreender a letra. Há aquelas músicas que, na sua
totalidade, já nos cativam, letra e melodia. Imagino que
entenda o que quero dizer, você disse “Ludov é vida”.
Realmente, da primeira vez que ouvi, não tive dúvidas
disso, a identificação foi imediata.
Um
mistério, no entanto, são aquelas músicas que
você nem gosta... que não é exatamente o estilo
que te atrai... mas que, num dia, você se pega ouvindo, porque,
bem, não tem pra onde correr, não tem como se
esconder... e acaba que você presta atenção no
que diz a letra... e daí que rola uma identificação,
digamos assim, com o que fala a canção!
Não
gosto. Mas, no ano passado, escutava quase o tempo todo, estava na
moda, aquela cantora sertaneja, não tinha pra onde correr,
pois até no shopping tocavam sua música. Aí
ocorre outro fenômeno, semelhante ao do inverno, milho e
ervilha no xis, etc: você não gosta... mas se acostuma!
Continuo não gostando das músicas dessa moça,
continua não sendo meu estilo, apenas me acostumei.
Nesses
momentos, você baixa a guarda, você está tão
acostumado a ouvir aquilo que, num belo dia, se pega prestando
atenção na letra daquela música e começa
até a achar que aquilo faz algum sentido. Às vezes é
porque você está meio fragilizado, com os sentimentos à
flor da pele. Não é que você vá passar a
gostar daquela música, mas alguma coisa, talvez o refrão,
te chama a atenção e acerta na veia, encontra a brecha
no coração para reverberar: “Mas tem que ser assim, é
seu meu coração, não diga não precisa,
ahahaaa!”
Sim,
acredito que pode-se dizer que encontrava-me fragilizado, quando a
música me chamou a atenção. Senti como
verdadeiras aquelas palavras, como sentia verdadeiras as que eu mesmo
tinha dito, afinal, não se chama uma mulher de musa à
toa, nem impunemente... mas enfim! Talvez continuo “fragilizado”,
tenho sempre os sentimentos transpirando pelos poros, mas o coração,
bem, digamos que mudou de mãos... e a canção,
não tenho mais ouvido com tanta frequência. A ouvi,
ainda outro dia... estava deitado, de manhã cedo, naquele
momento em que se acaba de acordar e fica-se refletindo um pouco,
sobre a noite, sobre como vai ser o dia, sobre a vida, pra só
depois levantar. Nesse momento, me retive em outra estrofe da música,
sem querer, me peguei a analisá-la: “Eu já sonhei com
a vida, agora vivo um sonho, mas viver ou sonhar, com você,
tanto faz...”
Pensei
comigo: “não tanto faz coisa nenhuma!” Te conheço
há pouco, te vi poucas vezes, mal nos falamos, nosso convívio
é mais através das redes sociais, foi por lá que
te conheci um pouco mais, a minha playlist tem se modificado um tanto
em função dos sons que vou descobrindo por teu
intermédio, direto, ou indireto... mesmo assim, sabendo tão
pouco de você, não considero indiferente, não
acho que dê na mesma coisa! Preferiria muito mais viver a
sonhar com você. Não que sonhar contigo seja ruim,
sempre é bom, lembro até do primeiro sonho, neles tudo
sai perfeitamente como a gente imagina e gostaria que fosse e tal...
mas, conviver, viver com você, dividir e trocar experiências,
mesmo que não corresponda às expectativas, é
melhor que o sonho, sempre! Pra mim, não é indiferente,
se me for dado escolher, preferirei mil vezes viver a sonhar.


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