PESCANDO NO BODOSAL

sexta-feira, 10 de agosto de 2012

Não Diga Não Precisa

Têm músicas que nos marcam, que não gostamos, apenas, que somos tocados, às vezes mais pelas emoções e lembranças que elas suscitam do que pela letra, ou melodia. Têm músicas cuja harmonia e melodia me atraem, primeiramente, depois, vou procurar prestar atenção e compreender a letra. Há aquelas músicas que, na sua totalidade, já nos cativam, letra e melodia. Imagino que entenda o que quero dizer, você disse “Ludov é vida”. Realmente, da primeira vez que ouvi, não tive dúvidas disso, a identificação foi imediata.
Um mistério, no entanto, são aquelas músicas que você nem gosta... que não é exatamente o estilo que te atrai... mas que, num dia, você se pega ouvindo, porque, bem, não tem pra onde correr, não tem como se esconder... e acaba que você presta atenção no que diz a letra... e daí que rola uma identificação, digamos assim, com o que fala a canção!
Não gosto. Mas, no ano passado, escutava quase o tempo todo, estava na moda, aquela cantora sertaneja, não tinha pra onde correr, pois até no shopping tocavam sua música. Aí ocorre outro fenômeno, semelhante ao do inverno, milho e ervilha no xis, etc: você não gosta... mas se acostuma! Continuo não gostando das músicas dessa moça, continua não sendo meu estilo, apenas me acostumei.
Nesses momentos, você baixa a guarda, você está tão acostumado a ouvir aquilo que, num belo dia, se pega prestando atenção na letra daquela música e começa até a achar que aquilo faz algum sentido. Às vezes é porque você está meio fragilizado, com os sentimentos à flor da pele. Não é que você vá passar a gostar daquela música, mas alguma coisa, talvez o refrão, te chama a atenção e acerta na veia, encontra a brecha no coração para reverberar: “Mas tem que ser assim, é seu meu coração, não diga não precisa, ahahaaa!”
Sim, acredito que pode-se dizer que encontrava-me fragilizado, quando a música me chamou a atenção. Senti como verdadeiras aquelas palavras, como sentia verdadeiras as que eu mesmo tinha dito, afinal, não se chama uma mulher de musa à toa, nem impunemente... mas enfim! Talvez continuo “fragilizado”, tenho sempre os sentimentos transpirando pelos poros, mas o coração, bem, digamos que mudou de mãos... e a canção, não tenho mais ouvido com tanta frequência. A ouvi, ainda outro dia... estava deitado, de manhã cedo, naquele momento em que se acaba de acordar e fica-se refletindo um pouco, sobre a noite, sobre como vai ser o dia, sobre a vida, pra só depois levantar. Nesse momento, me retive em outra estrofe da música, sem querer, me peguei a analisá-la: “Eu já sonhei com a vida, agora vivo um sonho, mas viver ou sonhar, com você, tanto faz...”
Pensei comigo: “não tanto faz coisa nenhuma!” Te conheço há pouco, te vi poucas vezes, mal nos falamos, nosso convívio é mais através das redes sociais, foi por lá que te conheci um pouco mais, a minha playlist tem se modificado um tanto em função dos sons que vou descobrindo por teu intermédio, direto, ou indireto... mesmo assim, sabendo tão pouco de você, não considero indiferente, não acho que dê na mesma coisa! Preferiria muito mais viver a sonhar com você. Não que sonhar contigo seja ruim, sempre é bom, lembro até do primeiro sonho, neles tudo sai perfeitamente como a gente imagina e gostaria que fosse e tal... mas, conviver, viver com você, dividir e trocar experiências, mesmo que não corresponda às expectativas, é melhor que o sonho, sempre! Pra mim, não é indiferente, se me for dado escolher, preferirei mil vezes viver a sonhar.






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