Meus
pais são de outra época. De outras épocas, pra
falar a verdade! Meu pai veio ao mundo em 1926. Minha mãe, em
1945. É, algumas coisas das quais a gente só ouviu
falar, nas aulas de história, eles chegaram a vivenciar...
dezenove anos de diferença entre os dois... o mesmo tempo faz
que ele se foi: junho de 1993! Longínquos dezenove anos...
Creio
que aprendi mais de História do Brasil – e Universal, também
– com ele, do que nas próprias aulas. Ele era moleque,
quando espocou a Revolução de 1930, viveu infância
e adolescência nos anos da 2ª Grande Guerra, viu a grande
enchente de 1941, morou no Rio de Janeiro, quando ainda era capital
federal...
Seo
Antônio Ayrton ensinou muita coisa, da mitologia greco-romana –
e indígena brasileira, também – da História,
da Bíblia, da literatura, da vida e do coração.
Ensinou muito de política: a discernir esta da politicagem, os
tons de cinza entre o preto e o branco da dicotomia ilusória
da vida, do futebol e da política, etc. Por vezes, dava a
entender que gostava do estilo de vida americano, outras vezes,
demonstrava uma certa admiração pelo modelo soviético
– ele viu o mundo se dividir entre as duas visões, após
a guerra e viu uma delas ruir com a queda do muro, jovens! Dessa
forma, ensinou a ver o lado positivo e negativo que há em
todos os sistemas políticos, porque, sim, todos eles têm
esses dois lados!
Ensinou
e vem ensinando... talvez, sejam apenas sonhos, que misturam ideias e
pensamentos maturados, sobre diversos assuntos com lembranças
dele; talvez sejam mesmo mensagens de muito além, trazidas por
ele para refletir... quem sabe, ensinamentos que ficaram arquivados
na memória, meio esquecidos, até que vêm de volta
à tona... com ele aprendi a não desacreditar, nem
descartar apressadamente nenhuma possibilidade, ou explicação.
De qualquer forma, mesmo dezenove anos depois, continuo aprendendo
com meu pai.


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