PESCANDO NO BODOSAL

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

DEZENOVE

Meus pais são de outra época. De outras épocas, pra falar a verdade! Meu pai veio ao mundo em 1926. Minha mãe, em 1945. É, algumas coisas das quais a gente só ouviu falar, nas aulas de história, eles chegaram a vivenciar... dezenove anos de diferença entre os dois... o mesmo tempo faz que ele se foi: junho de 1993! Longínquos dezenove anos...
Creio que aprendi mais de História do Brasil – e Universal, também – com ele, do que nas próprias aulas. Ele era moleque, quando espocou a Revolução de 1930, viveu infância e adolescência nos anos da 2ª Grande Guerra, viu a grande enchente de 1941, morou no Rio de Janeiro, quando ainda era capital federal...
Seo Antônio Ayrton ensinou muita coisa, da mitologia greco-romana – e indígena brasileira, também – da História, da Bíblia, da literatura, da vida e do coração. Ensinou muito de política: a discernir esta da politicagem, os tons de cinza entre o preto e o branco da dicotomia ilusória da vida, do futebol e da política, etc. Por vezes, dava a entender que gostava do estilo de vida americano, outras vezes, demonstrava uma certa admiração pelo modelo soviético – ele viu o mundo se dividir entre as duas visões, após a guerra e viu uma delas ruir com a queda do muro, jovens! Dessa forma, ensinou a ver o lado positivo e negativo que há em todos os sistemas políticos, porque, sim, todos eles têm esses dois lados!
Ensinou e vem ensinando... talvez, sejam apenas sonhos, que misturam ideias e pensamentos maturados, sobre diversos assuntos com lembranças dele; talvez sejam mesmo mensagens de muito além, trazidas por ele para refletir... quem sabe, ensinamentos que ficaram arquivados na memória, meio esquecidos, até que vêm de volta à tona... com ele aprendi a não desacreditar, nem descartar apressadamente nenhuma possibilidade, ou explicação. De qualquer forma, mesmo dezenove anos depois, continuo aprendendo com meu pai.

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