Lembrei
de uma velha expressão, que hoje em dia não é
assim, mais tão utilizada: “pega o bonde andando e quer
ficar na janelinha”. Os antigos ainda falam, de vez em quando. Eles
também não a tem usado mais com tanta frequência.
Acho que pensam não fazer mais sentido, nos dias de hoje. Nem
mesmo no Rio de Janeiro, último lugar a ainda manter linhas de
bondes, parece que, hoje em dia, só para levar turistas a
passear pelo centro histórico... até descarrilar um, há
uns meses, e a prefeitura, o governo do Estado, ou qualquer
autoridade competente, interditar, por falta de segurança.
Bem,
meu pai dizia que andava de bonde, pra cima e pra baixo, em Porto
Alegre, no tempo em que era jovem, para ir à escola, depois,
para a faculdade e por fim, antes de acabarem de vez, para chegar no
trabalho. Ele lembrava que teve um tempo, em que o bonde não
tinha, exatamente, paradas, como têm os ônibus, que ele
circulava direto, do ponto de partida até o ponto final, e que
então, você tinha que correr, pra pegá-lo
andando, literalmente. Portanto, presume-se que, quem pegava o bonde
do seu ponto de partida tinha melhor chance de pegar um acento ao
lado da janela e ia, bem acomodado, apreciando a paisagem, durante a
viagem, ao contrário de quem o pegava a partir do meio do
itinerário, por exemplo. É de se imaginar, então,
que para algumas pessoas, como papai, essa expressão era plena
de significado, fazia todo sentido! Já pra gente, hoje em
dia...
Bom,
pra quem nunca andou de bonde, aí estão as redes
sociais, pra nos dar aquela impressão de... como vou dizer...?
Estar pegando o bonde andando! No twitter, principalmente, a gente
pode ter essa impressão, ao ler um “reply”, ou retuíte.
É como se você pegasse um debate pela metade e não
soubesse bem qual é o assunto que está sendo tratado!
Alguns tuítes soltos já nos deixam com uma pulga atrás
da orelha, às vezes... tanto que, dia desses, uma amiga tuitou
mais ou menos o seguinte: “têm coisas aqui, que não
entendo e prefiro não entender... é melhor!” Bem,
dizem que, nas redes sociais, indiretas voam como balas em um
tiroteio. As frases soltas são, geralmente, as mais perigosas.
Nem sempre são indiretas, são mais como alguma idéia,
que passa por sua cabeça e você, então, a tuíta,
ou compartilha, no Face, é mais ou menos o ato de pensar em
voz alta... quem nunca?!
Quando
você solta uma frase, sem muita pretensão, a não
ser, quem sabe, chamar a atenção daquela pessoa na qual
você tem pensado muito, ultimamente, dificilmente corre o risco
de ter a atenção pretendida, mas corre sério
risco de alguém entender aquilo errado. O contrário
também ocorre, portanto não se assuste! Todos os dias,
quando entramos nas redes sociais e sites de relacionamento –
usando uma linguagem mais, ahn, jornalística – estamos todos
pegando um bonde andando, descendo a ladeira e prestes a descarrilar.
E, em raríssimas ocasiões, poderemos pegar o lugar
perto da janelinha!


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