Hoje
pela manhã, caminhando na direção do Centro da
cidadezinha onde moro, escuto um carro de som passando, tocando o
“jingle” de um candidato a vereador. Não lembro o nome do
sujeito, apenas lembro dos adesivos e do número 14 do PTB,
Partido Trabalhista Brasileiro. O “jingle” foi o que me chamou
mais a atenção, por ser uma versão da
canção-tema do desejo Bob Esponja Calça
Quadrada. Proposta pra quê, não é?! Será
que ele merece o meu voto?!
Sapucaia
do Sul, uma pequena cidade pertencente a região metropolitana
de Porto Alegre, cortada pelo trem urbano, chamado por alguns de
“metrô de superfície”, você pode se deslocar
do centro dessa cidadezinha ao centro da capital em pouco mais ou
menos de 50 (cinquenta) minutos.
Ainda
assim, essa cidade me remete a outra, em outra região do país:
Iranduba, no Amazonas! Só que lá não havia
nenhum trem para ligar o centro do município ao de Manaus. Não
havia, bem dizer, nem estrada! Agora há uma ponte, ligando as
duas cidades, ou seja, há ainda uma explicação
plausível para o jeito interiorano deles... e quanto a
Sapucaia? Qual a desculpa?!
A
cidade só tem uma emissora de rádio “popular”. Para
o Ibope, e outros institutos de pesquisa, simplesmente não
existe. O povo ainda está na era Orkut e não é
muito dado a discutir política. Há uma única
empresa de ônibus, que não é muito dada a cumprir
horários, ou discutir o aumento das tarifas. Nem pense em
pedir-lhes passe livre em feriados e datas de eleições!
A Câmara de Vereadores mais onerosa da região
metropolitana é a de Sapucaia do Sul. Talvez venha a ser a
mais onerosa do Estado, até as próximas eleições
majoritárias. E quase ninguém questiona isso, parece
até que poderia questionar, desde que, em vez de sair na
imprensa local, dessem uma notinha num dos blocos do Jornal Nacional.
Há
cinco candidatos à Prefeitura Municipal, neste pleito, de
cujos quais, um é o atual prefeito, concorrendo à
reeleição, outro é o ex-prefeito, sobre o qual
recai a suspeita de corrupção e ainda outro que
apareceu, há mais ou menos duas semanas, numa reportagem que
denunciava, em rede nacional, funcionários fantasmas recebendo
gordos salários na Assembléia Legislativa do Estado,
sem sequer baterem ponto. Os outros dois, bem, parecem desconhecidos,
mas são velhos conhecidos da política citadina, nos
quais ninguém deposita muita confiança. Nada que
encoraje o eleitor mais criterioso a escolher um candidato e
confiar-lhe o voto, nem no poder executivo, nem no legislativo.
Gostaria,
até, que essa cidadezinha, aparentada da pequena Iranduba, na
mentalidade, fosse menos passiva, politicamente. Que se discutisse
uma cidade realmente melhor, em vez de usar-se o dinheiro do
município pra apoiar o clube de futebol local, ou encher de
cargos sem função determinada na rede de saúde.
Gostaria de estar em outra cidade, que me título de eleitor
tivesse sido mudado para lá, onde ao menos alguém
parece merecer meu voto; um amigo das redes sociais, cujos ideais se
assemelham um pouco com os meus. Gostaria, sobretudo, de ver como as
pessoas que usam as velhas frases feitas de sempre, para justificar a
inutilidade do voto nulo justificariam a obrigatoriedade de ter de
escolher um, um candidato que seja!, numa cidade onde o jogo político
ainda é o de políticos sem proposta tentando ganhar teu
voto na base da simpatia (ou do menos antipático) e do
“pitoresco”.

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