PESCANDO NO BODOSAL

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

Votar no Pitoresco

Hoje pela manhã, caminhando na direção do Centro da cidadezinha onde moro, escuto um carro de som passando, tocando o “jingle” de um candidato a vereador. Não lembro o nome do sujeito, apenas lembro dos adesivos e do número 14 do PTB, Partido Trabalhista Brasileiro. O “jingle” foi o que me chamou mais a atenção, por ser uma versão da canção-tema do desejo Bob Esponja Calça Quadrada. Proposta pra quê, não é?! Será que ele merece o meu voto?!
Sapucaia do Sul, uma pequena cidade pertencente a região metropolitana de Porto Alegre, cortada pelo trem urbano, chamado por alguns de “metrô de superfície”, você pode se deslocar do centro dessa cidadezinha ao centro da capital em pouco mais ou menos de 50 (cinquenta) minutos.
Ainda assim, essa cidade me remete a outra, em outra região do país: Iranduba, no Amazonas! Só que lá não havia nenhum trem para ligar o centro do município ao de Manaus. Não havia, bem dizer, nem estrada! Agora há uma ponte, ligando as duas cidades, ou seja, há ainda uma explicação plausível para o jeito interiorano deles... e quanto a Sapucaia? Qual a desculpa?!
A cidade só tem uma emissora de rádio “popular”. Para o Ibope, e outros institutos de pesquisa, simplesmente não existe. O povo ainda está na era Orkut e não é muito dado a discutir política. Há uma única empresa de ônibus, que não é muito dada a cumprir horários, ou discutir o aumento das tarifas. Nem pense em pedir-lhes passe livre em feriados e datas de eleições! A Câmara de Vereadores mais onerosa da região metropolitana é a de Sapucaia do Sul. Talvez venha a ser a mais onerosa do Estado, até as próximas eleições majoritárias. E quase ninguém questiona isso, parece até que poderia questionar, desde que, em vez de sair na imprensa local, dessem uma notinha num dos blocos do Jornal Nacional.
Há cinco candidatos à Prefeitura Municipal, neste pleito, de cujos quais, um é o atual prefeito, concorrendo à reeleição, outro é o ex-prefeito, sobre o qual recai a suspeita de corrupção e ainda outro que apareceu, há mais ou menos duas semanas, numa reportagem que denunciava, em rede nacional, funcionários fantasmas recebendo gordos salários na Assembléia Legislativa do Estado, sem sequer baterem ponto. Os outros dois, bem, parecem desconhecidos, mas são velhos conhecidos da política citadina, nos quais ninguém deposita muita confiança. Nada que encoraje o eleitor mais criterioso a escolher um candidato e confiar-lhe o voto, nem no poder executivo, nem no legislativo.
Gostaria, até, que essa cidadezinha, aparentada da pequena Iranduba, na mentalidade, fosse menos passiva, politicamente. Que se discutisse uma cidade realmente melhor, em vez de usar-se o dinheiro do município pra apoiar o clube de futebol local, ou encher de cargos sem função determinada na rede de saúde. Gostaria de estar em outra cidade, que me título de eleitor tivesse sido mudado para lá, onde ao menos alguém parece merecer meu voto; um amigo das redes sociais, cujos ideais se assemelham um pouco com os meus. Gostaria, sobretudo, de ver como as pessoas que usam as velhas frases feitas de sempre, para justificar a inutilidade do voto nulo justificariam a obrigatoriedade de ter de escolher um, um candidato que seja!, numa cidade onde o jogo político ainda é o de políticos sem proposta tentando ganhar teu voto na base da simpatia (ou do menos antipático) e do “pitoresco”.

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