MEU
DEUS!! E AGORA, COMO VAI SER?! VÃO ACABAR COM O
BOLSA-FAMÍLIA!? NÃO PODE SER!! ELES NÃO PODEM
FAZER ISSO!! Ou podem!? Por que não, qual o problema, se eles
acabarem com o programa?! Afinal, quando eram oposição,
nem queriam mesmo... o programa, segundo eles, servia apenas para
tornar os beneficiários dependentes do poder público e,
dessa maneira, arrecadar votos! Não era isso?! Ah, claro que
não, agora não é nada disso... isso foi só
nos primeiros oito anos do programa do governo federal para
redistribuição de renda e combate à
vulnerabilidade social. Nos 10 anos seguintes, tudo tem sido
diferente, o programa é um imenso, um estrondoso sucesso!
Agora é diferente, o bolsa-família, agora, está
atingindo o seu intuito, a sua função, está
diminuindo a vulnerabilidade social, está até mesmo
diminuindo a mortalidade infantil no nosso Brazil varonew, veja você!
Tá no site da ONU! E agora, o que me dizem, ateus?? Não
é isto mesmo?! Então me expliquem uma coisinha só...
que porra é essa que aconteceu aí, por esses dias?!?
Na
semana passada, o que tomou conta dos noticiários foi esse
lance do bolsa-família e os boatos que o cercaram. Rolaram por
aí, por exemplo, boatos de que o programa seria suspenso pelo
governo, o que provocou um corre-corre dos beneficiários às
agências da Caixa Econômica Federal. O governo
apressou-se, por sua vez, a mandar publicar um “esclarecimento”
que, por conta dos tais boatos, teria antecipado o pagamento da bolsa
aos seus dependentes. O que, mais tarde, veio a ser desmentido por um
jornal, o governo, na verdade, teria liberado o dinheiro um dia antes
da onda de boatos que, pelas últimas informações,
a Polícia Federal estaria encarregada de “investigar”.
Outro boato é de que a ONU teria feito uma pesquisa e
publicado, também na semana passada – olhem só, que
curioso – dando conta de que o programa bolsa-família
estaria ajudando na diminuição da mortalidade infantil.
Presumindo que seja algo mais que um boato, o mais provável
não é que a própria organização
tenha feito a pesquisa, mas sim, tenha apenas divulgado números
dados por órgãos do próprio governo brasileiro.
Pra
fechar a semana com chave de ouro, um vídeo circulou pela
internet, redes sociais e grandes corporações de
comunicação, de uma senhora reclamando pois o dinheiro
do programa bolsa-família seria insuficiente inclusive para
comprar uma calça de grife para a filha. Foi o estopim que
causou uma explosão de indignação e ira por
parte dos bolsistas. Sabe, não os dependentes do programa,
estes não têm tanto acesso à informação
quanto dizem por aí os canais oficiais e oficiosos... e sim os
defensores do programa bolsa-família, essa classe média
que não necessita dessa ajudinha, mas que tem “consciência
social”. Pois é, eles desancaram meio mundo por, segundo
eles, não estarem respeitando o direito básico dos
dependentes do programa governamental de desejarem melhorar de vida,
de almejarem bens materiais, viajar à Europa, etc. Os
verdadeiros defensores da justiça social criticaram os
“alienados” das redes sociais, que não têm senso
crítico, que estariam apenas partilhando informações
sem confirmação e fora de contexto no piloto
automático, que não estariam pensando fora da caixa,
que não estariam vendo como este programa é importante
pra tanta gente que tem fome, tem reduzido de forma decisiva a
extrema pobreza, tem inclusive elevado muita gente à categoria
de classe média! Os bolsistas, na verdade, têm um
fascínio absurdo e gigantesco pela tal caixa, não
cansam de admirar os números mágicos que ela apresenta.
Não atentaram nem para a discrepância entre o que o
governo anuncia como sucesso do seu principal programa social e as
constatações preocupantes e alarmantes que a boataria
sobre o fim do programa provocou. Não admitem, não
acreditam, não vêem que, de fato, o programa tem sido
mais efetivo no papel que na realidade, isso desde o seu início,
no já longínquo, pra muita gente, governo Fernando
Henrique Cardoso. Que ajudar, com uma quantia em dinheiro, apenas,
não é o suficiente para fazer justiça social,
que é, sim, necessário, dar aos beneficiários
desse programa condições e infraestrutura básicas,
de educação, saúde e trabalho, para que eles
possam, de fato e de direito, progredir, sair e, principalmente,
permanecer FORA da linha de pobreza, sem riscos de voltar para lá.
Mas
os amigos bolsistas se conformam em acreditar no que lhes é
dado mastigado pelo poder público e órgãos
oficiais e oficiosos, se instalam na sua zona de conforto,
acreditando que ainda não estamos na situação
ideal, mas que tudo está se encaminhando, com o mínimo
de esforço possível. Só levantam seus traseiros
para defender o sistema, o status quo e programas absolutamente
fantásticos – no papel – como o bolsa-família de
alienados, reaças e leitores da revista Veja, como você.
Os bolsistas são realmente uma raça curiosa, tanto, ou
mais que os alarmistas. Só que não dá tempo de
estudá-los, agora, a coisa vai mal, já dissemos, e
constatamos isso aqui, antes. Já tá é bom de
reinicializar a Matrix, desculpem...

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