Dia
dos namorados... diz que é hoje, o tal dia. Como é
mesmo?! Valentine's Day!? Pois é, difícil pra ele
lembrar-se de algum dia dos namorados feliz... talvez, só
talvez, aqueles em que não sentia-se apaixonado/atraído
por ninguém, nem carente, também.
Antigamente,
nem tão antigamente assim, só havia um dia dos
namorados no nosso calendário: a data era 12 de junho. Parece
que ainda é aceita, essa data, sabe-se lá até
quando. Não, é claro, se sabia que tinha outra data,
que em outros países se festejava o dia de são
Valentim, e que era essa a data considerada como dia dos namorados...
só não dávamos atenção a isso, que
nem com o Dia de Ação de Graças! Até
hoje, nem sei direito por que consideram o dia do santo como dia dos
namorados.
De
uns tempos pra cá é que o pessoal começou a
comemorar os dois Dias dos Namorados, o gringo, “Valentine's Day”,
e o nosso, no tradicional 12 de junho. Os dirigentes lojistas, donos
de motéis e de floriculturas amaram isso, nem preciso dizer
por quê... né!?
Mas,
para algumas pessoas, dia dos namorados devia ser em qualquer data...
obviamente, quando se está namorando! Sabe, um rapaz resolver
que uma segunda-feira, 4 de maio, é dia dos namorados e
pronto: manda flores, liga, ou manda uma mensagem, diz que a ama...
pra que ter uma data certa pra isso?! Seja um, ou dois, os Dias dos
Namorados, por ano, tanto faz, pouco importa, pra algumas pessoas,
não passa de mais uma data pra estimular o consumo... como se
precisasse! Pra um cara estranho aí, não importa se, no
início, ou no meio do ano, se é em inglês, ou em
português, mesmo... dia dos namorados é sempre uma data
muito triste. Triste e solitária. Que não traz nenhuma
boa recordação.
Ele
não se lembra de ter tido alguma boa razão para
comemorar Valantine's Day, ou Dia dos Namorados. Tanto faz e pouco
importa! Não é que nunca tenha namorado, ele teve suas
namoradinhas, sim... nenhuma delas, no entanto, quis comemorar a data
com ele. Por um motivo qualquer, num ano, ele não pôde
estar ao lado da sua paixão, do seu amor, da sua namorada,
justo no Dia dos Namorados. Ele lhe enviou um presente, uma
gargantilha e um par de brincos, prateados, com pequenas estrelas.
Sabia que era pouco, só não sabia que se faria tão
pouco caso... sentiu que não era o bastante, queria fazer
mais: estando por perto, poderia levá-la a um cinema, talvez,
um jantar romântico – sempre idealizara isso – talvez um
passeio de mãos dadas, aconchegá-la em seus braços,
beijá-la nos lábios, apaixonadamente... lamentou muito
ter de estar distante. Sentia muito a falta de sua amada, sentia mais
ainda agora, que era o famigerado dia dos namorados. O primeiro, de
que poderia se lembrar, em que tinha uma namorada, o primeiro que
sentia, talvez, ter algum significado para ele. O primeiro e o único!
Pelo menos, até agora... é, vamos tentar ter esperança!
Bom, era bem chato, sim, estar longe da pessoa que se ama. Ele até
sentia-se culpado por isso. Não queria estar longe, sobretudo
nessa data. Sabia que não havia muito o que fazer, mas achava
que devia tentar algo, qualquer coisa, pra diminuir a distância,
pelo menos!! E justamente, buscando amenizar a ausência, ele
lembra-se de tentar ligar pra ela, pelo menos. Ele já se
ressentia demais por não poder comemorar o primeiro Dia dos
Namorados deles, o que esperava ser o primeiro de muitos. Queria
dizer-lhe isso, queria ouvir pelo menos sua voz, queria dizer-lhe o
quanto sentia sua falta, o quanto doía viver longe dela,
queria assegurar-lhe que, no próximo ano, de certeza, eles iam
comemorar a dita data. Não tinham telefone móvel,
ainda, nem ele, nem ela. Tentou encontrá-la em casa, ligou
para o seu telefone umas duas vezes. E ela não estava. Atendeu
o irmão, disse que não havia voltado do trabalho ainda,
nem que horas ela chegaria. Sentiu, então, a frustração
pela distância e a tristeza por não conseguir ouvir sua
voz caírem pesadamente, como uma bigorna, sobre seu peito, e
chorou amargamente. Agora me diz: pra quê? Sim, pra quê?!
Ele
realmente acreditou que sua amada também sentia sua falta, que
ela também estaria lamentando não estarem juntos, justo
naquele dia, o seu primeiro Dia dos Namorados, que ela também
quereria passar o dia ao seu lado, somente ao seu lado. Sim, pois ele
só queria ela a seu lado, naquele momento, pobre otário
romântico... achava que a recíproca era verdadeira,
pobre coitado!
Meses
depois ele veio a descobrir: enquanto passara o maldito dia todo
sozinho e solitário, torturando-se, abraçando o nada,
encolhido sob o edredon, naquela noite fria de começo de
inverno, pensando apenas nela e chorando amargamente de saudades, sem
que ele sequer pudesse desconfiar, ela havia encontrado uma outra
pessoa pra passar aquele horrendo dia dos namorados! Azar, se ele
esperava por ela, ela comemorou sem ele, mesmo! Sem dizer palavra,
deixando-o pensar que o dia fora tão cinzento e sem graça
para ela quanto fora para ele...
Que
pessoinha mais agradável, não!? Ah, esses homens... tão
frios, tão cruéis e egoístas, não é
mesmo...?! Hein!?? Nessa narrativa, não é o homem quem
foi o canalha?? Ah, sim... mas não tem nada de extraordinário
nisso... ele não passa de um otário romântico, um
cara estranho, que incompreensivelmente, se envolve tanto assim com
alguém, que se joga de cabeça, sem nenhuma garantia,
que acredita e confia cegamente. É bucha, também, né!
Seu primeiro Dia dos Namorados e tinha de ser o mais traumático
e deprimente possível! E parece que ele não aprende,
não...vontade de dizer: “Oh, cara, tu é leso? Pára
com isso, idiota! Isso não é pra você, não,
desiste logo, te conforma, é assim que é a vida!” Mas
não adianta, o coração já está
estropiado demais, calejado demais, ferido, quase sem forças
para bater, e ele insiste em se expor, gostar, amar, apaixonar-se...
e esperar por um Dia dos Namorados melhor!



Nenhum comentário:
Postar um comentário