PESCANDO NO BODOSAL

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Valantine's Day (?!?)


Dia dos namorados... diz que é hoje, o tal dia. Como é mesmo?! Valentine's Day!? Pois é, difícil pra ele lembrar-se de algum dia dos namorados feliz... talvez, só talvez, aqueles em que não sentia-se apaixonado/atraído por ninguém, nem carente, também.
Antigamente, nem tão antigamente assim, só havia um dia dos namorados no nosso calendário: a data era 12 de junho. Parece que ainda é aceita, essa data, sabe-se lá até quando. Não, é claro, se sabia que tinha outra data, que em outros países se festejava o dia de são Valentim, e que era essa a data considerada como dia dos namorados... só não dávamos atenção a isso, que nem com o Dia de Ação de Graças! Até hoje, nem sei direito por que consideram o dia do santo como dia dos namorados.
De uns tempos pra cá é que o pessoal começou a comemorar os dois Dias dos Namorados, o gringo, “Valentine's Day”, e o nosso, no tradicional 12 de junho. Os dirigentes lojistas, donos de motéis e de floriculturas amaram isso, nem preciso dizer por quê... né!?
Mas, para algumas pessoas, dia dos namorados devia ser em qualquer data... obviamente, quando se está namorando! Sabe, um rapaz resolver que uma segunda-feira, 4 de maio, é dia dos namorados e pronto: manda flores, liga, ou manda uma mensagem, diz que a ama... pra que ter uma data certa pra isso?! Seja um, ou dois, os Dias dos Namorados, por ano, tanto faz, pouco importa, pra algumas pessoas, não passa de mais uma data pra estimular o consumo... como se precisasse! Pra um cara estranho aí, não importa se, no início, ou no meio do ano, se é em inglês, ou em português, mesmo... dia dos namorados é sempre uma data muito triste. Triste e solitária. Que não traz nenhuma boa recordação.
Ele não se lembra de ter tido alguma boa razão para comemorar Valantine's Day, ou Dia dos Namorados. Tanto faz e pouco importa! Não é que nunca tenha namorado, ele teve suas namoradinhas, sim... nenhuma delas, no entanto, quis comemorar a data com ele. Por um motivo qualquer, num ano, ele não pôde estar ao lado da sua paixão, do seu amor, da sua namorada, justo no Dia dos Namorados. Ele lhe enviou um presente, uma gargantilha e um par de brincos, prateados, com pequenas estrelas. Sabia que era pouco, só não sabia que se faria tão pouco caso... sentiu que não era o bastante, queria fazer mais: estando por perto, poderia levá-la a um cinema, talvez, um jantar romântico – sempre idealizara isso – talvez um passeio de mãos dadas, aconchegá-la em seus braços, beijá-la nos lábios, apaixonadamente... lamentou muito ter de estar distante. Sentia muito a falta de sua amada, sentia mais ainda agora, que era o famigerado dia dos namorados. O primeiro, de que poderia se lembrar, em que tinha uma namorada, o primeiro que sentia, talvez, ter algum significado para ele. O primeiro e o único! Pelo menos, até agora... é, vamos tentar ter esperança! Bom, era bem chato, sim, estar longe da pessoa que se ama. Ele até sentia-se culpado por isso. Não queria estar longe, sobretudo nessa data. Sabia que não havia muito o que fazer, mas achava que devia tentar algo, qualquer coisa, pra diminuir a distância, pelo menos!! E justamente, buscando amenizar a ausência, ele lembra-se de tentar ligar pra ela, pelo menos. Ele já se ressentia demais por não poder comemorar o primeiro Dia dos Namorados deles, o que esperava ser o primeiro de muitos. Queria dizer-lhe isso, queria ouvir pelo menos sua voz, queria dizer-lhe o quanto sentia sua falta, o quanto doía viver longe dela, queria assegurar-lhe que, no próximo ano, de certeza, eles iam comemorar a dita data. Não tinham telefone móvel, ainda, nem ele, nem ela. Tentou encontrá-la em casa, ligou para o seu telefone umas duas vezes. E ela não estava. Atendeu o irmão, disse que não havia voltado do trabalho ainda, nem que horas ela chegaria. Sentiu, então, a frustração pela distância e a tristeza por não conseguir ouvir sua voz caírem pesadamente, como uma bigorna, sobre seu peito, e chorou amargamente. Agora me diz: pra quê? Sim, pra quê?!
Ele realmente acreditou que sua amada também sentia sua falta, que ela também estaria lamentando não estarem juntos, justo naquele dia, o seu primeiro Dia dos Namorados, que ela também quereria passar o dia ao seu lado, somente ao seu lado. Sim, pois ele só queria ela a seu lado, naquele momento, pobre otário romântico... achava que a recíproca era verdadeira, pobre coitado!
Meses depois ele veio a descobrir: enquanto passara o maldito dia todo sozinho e solitário, torturando-se, abraçando o nada, encolhido sob o edredon, naquela noite fria de começo de inverno, pensando apenas nela e chorando amargamente de saudades, sem que ele sequer pudesse desconfiar, ela havia encontrado uma outra pessoa pra passar aquele horrendo dia dos namorados! Azar, se ele esperava por ela, ela comemorou sem ele, mesmo! Sem dizer palavra, deixando-o pensar que o dia fora tão cinzento e sem graça para ela quanto fora para ele...
Que pessoinha mais agradável, não!? Ah, esses homens... tão frios, tão cruéis e egoístas, não é mesmo...?! Hein!?? Nessa narrativa, não é o homem quem foi o canalha?? Ah, sim... mas não tem nada de extraordinário nisso... ele não passa de um otário romântico, um cara estranho, que incompreensivelmente, se envolve tanto assim com alguém, que se joga de cabeça, sem nenhuma garantia, que acredita e confia cegamente. É bucha, também, né! Seu primeiro Dia dos Namorados e tinha de ser o mais traumático e deprimente possível! E parece que ele não aprende, não...vontade de dizer: “Oh, cara, tu é leso? Pára com isso, idiota! Isso não é pra você, não, desiste logo, te conforma, é assim que é a vida!” Mas não adianta, o coração já está estropiado demais, calejado demais, ferido, quase sem forças para bater, e ele insiste em se expor, gostar, amar, apaixonar-se... e esperar por um Dia dos Namorados melhor!

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