Num
mundo perfeito, não seria tão difícil escrever,
como o é, algumas vezes. Bom, num mundo perfeito, muita coisa
seria bem diferente de como são neste. Num mundo perfeito,
conseguiria trabalhar naquilo que gosto, por exemplo, escrevendo. Até
agora, isso não passou de um sonho, não tive nenhum
retorno, até agora, pelo menos, não financeiro. Sim,
têm algumas pessoas que lêem meus textos, que gostam do
que escrevo, mesmo quando eu não gosto muito, me incentivam,
dizem que devo continuar nesse caminho, coisa e tal. Inclusive, uma
amiga, lá de São Paulo, chegou a sugerir que eu devia
fazer jornalismo, comunicação, qualquer coisa ligada a
isso. É, pois é, quem sabe...
Num
mundo perfeito, o clima, nas cidades que não têm praia,
nem são em região montanhosa, seria assim: a
temperatura mínima não ia baixar de 18, 17... tá,
digamos, 15°C! E a temperatura máxima chegaria a 30, 32...
33°C, nos dias com mais sol, e olhe lá, que tá pra
lá de bom! Sim, nessas regiões, o clima seria mais
primaveril, nem muito calor, nem muito frio. Cidades como Canela,
Gramado, Petrópolis, Campos do Jordão, São
Joaquim, aí sim, a temperatura poderia chegar abaixo de zero,
agora, essa temperatura em Porto Alegre, não faz muito sentido
neste mundo, imagine no mundo perfeito... o mesmo vale para
Florianópolis, Rio de Janeiro, Santos, Salvador, Recife,
Fortaleza... por lá, se a temperatura beirar os 40 graus, é
ótimo, na beira do mar, quanto mais calor, melhor! Claro, sem
exageros... agora, em Manaus, pra quê fazer 40°C? 33 graus
já é um calorzinho suficiente, não precisa subir
o termômetro além disso, não!
Num
mundo perfeito, a gente não frearia as palavras, não
pensaria antes de falar, não precisaria. Diríamos
sempre o que pensamos e o que sentimos... mas aí, também,
ninguém se magoaria, ou se ofenderia com isso, nem haveria
ninguém querendo agredir a gente com palavras. Sabe o que
dizem, né, que uma palavra pode machucar mais que cem pedras.
Pois um dia, passava eu, apressado, pela frente da catedral da
Universal, na avenida Constantino Nery, quando fui abordado, e
convidado a assistir a um culto. Procurei ser educado, o mais que
pude, para recusar o convite, dizendo que numa próxima, quem
sabe... e nisso, uma obreira disse: “que Deus te abençoe!”,
num tom bastante raivoso, acho até que com um certo brilho de
ódio no olhar! Foi a primeira vez que vi alguém
querendo me agredir com uma benção! É, mas num
mundo perfeito não haveria intolerância religiosa, de
nenhum tipo.
Num
mundo perfeito, o prefeito não bateria boca com moradores de
áreas de risco, todo cidadão teria, garantida, a
oportunidade de morar dignamente. Num mundo perfeito, você não
teria que sair da terra onde nasceu para buscar oportunidades numa
outra região, aparentemente mais desenvolvida. Você só
sairia da sua cidade, do seu Estado, da sua região por vontade
própria, por motivos apenas pessoais, pra se ter uma outra
experiência, pra se encontrar no mundo, pra buscar aventuras,
enfim, pelo motivo que você considere válido.
Consequentemente, nesse mundo perfeito não haveria xenofobia!
Num
mundo perfeito, o transporte coletivo seria eficiente e confortável,
você não teria que enfrentar ônibus, micro, trem,
ou metrô superlotado, atrasado, inseguro, sucateado. O
motorista, motorneiro, maquinista, cobrador e trocador seriam bem
treinados, bem remunerados, bem educados e bem-humorados. A
integração entre as linhas funcionaria com
pontualidade, você não perderia mais que uns dez minutos
num terminal, ou estação, até chegar a sua outra
condução. É claro que assim, muita gente que
opta por utilizar veículo particular iria optar pelo coletivo!
Mas enfim, isso só num mundo perfeito, mesmo...
Onde
mais a política não nos causaria tanta vergonha e
desgosto, se não num mundo perfeito?! Onde o administrador,
municipal, estadual, ou federal trabalharia pelo povo e para o povo,
como eles dizem nas propagandas oficiais e no horário
eleitoral. Num mundo perfeito, por exemplo, o congresso brasileiro
realmente defenderia os interesses da população, que
elegeu seus representantes, os parlamentares iriam seguir o exemplo
dos congressistas suecos, iriam à capital federal única
e exclusivamente para servir, e bem, a sua comunidade, o seu Estado,
a sua região e, principalmente, o seu país. Num mundo
perfeito, um deputado, ou senador, teria plena consciência do
dever e dispensaria qualquer luxo, ou regalia. Se as coisas ainda não
são assim, é porque este ainda não é o
mundo perfeito. Sinto muito...
Num
mundo perfeito, o exterior das pessoa não seria mais
valorizado que o interior... até porque, por dentro, as
pessoas não seriam assim tão feias! A gente não
se enganaria com as aparências, porque no mundo perfeito, as
pessoas não teriam medo de demonstrar quem são, não
iriam querer aparentar o que não são! A beleza interior
estaria mais aparente, se refletiria na aparência externa de
cada “serumano”. Mas infelizmente, não estamos no mundo
perfeito!
No
mundo perfeito, seria mais fácil se dividir em duas cidades.
Talvez desse pra morar seis meses em cada uma, ou pelo menos ir a uma
delas, uma, duas vezes ao ano, quem sabe uma vez... por mês!
Não, perfeito mesmo seria já haver um sistema de
teletransporte, você poderia morar em Recife, trabalhar em
Curitiba, quem sabe passar os finais de semana em Bonito – MT...
quem sabe!? Ah, mas não é esse o caso, nesse mundinho
imperfeito...
Em
verdade, eu tenho minha idéia de um mundo perfeito, você
tem a sua, ambas provavelmente se assemelham, se unem, até, em
diversos pontos, mas cada um considerará que o seu ideal de
mundo é que é o melhor. Mas, no mundo perfeito, nem
haveria esse tipo de discussão. Na verdade, se a gente
estivesse num mundo perfeito, nem se cogitaria pensar em como seria
um mundo perfeito, não é verdade...? Pois então...
quem sabe se não estamos, realmente, no mundo perfeito?! Pois
é sabido que somos nós, os seres imperfeitos, cheios de
dúvidas, de descrenças, de temores, de conceitos, de
preconceitos... então, o nosso mundo, o mundo que fazemos pra
nós não é imperfeito, nós que somos!
Será...? Bom, enquanto penso nisso... até mais ver!

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