PESCANDO NO BODOSAL

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Num Mundo Perfeito...


Num mundo perfeito, não seria tão difícil escrever, como o é, algumas vezes. Bom, num mundo perfeito, muita coisa seria bem diferente de como são neste. Num mundo perfeito, conseguiria trabalhar naquilo que gosto, por exemplo, escrevendo. Até agora, isso não passou de um sonho, não tive nenhum retorno, até agora, pelo menos, não financeiro. Sim, têm algumas pessoas que lêem meus textos, que gostam do que escrevo, mesmo quando eu não gosto muito, me incentivam, dizem que devo continuar nesse caminho, coisa e tal. Inclusive, uma amiga, lá de São Paulo, chegou a sugerir que eu devia fazer jornalismo, comunicação, qualquer coisa ligada a isso. É, pois é, quem sabe...
Num mundo perfeito, o clima, nas cidades que não têm praia, nem são em região montanhosa, seria assim: a temperatura mínima não ia baixar de 18, 17... tá, digamos, 15°C! E a temperatura máxima chegaria a 30, 32... 33°C, nos dias com mais sol, e olhe lá, que tá pra lá de bom! Sim, nessas regiões, o clima seria mais primaveril, nem muito calor, nem muito frio. Cidades como Canela, Gramado, Petrópolis, Campos do Jordão, São Joaquim, aí sim, a temperatura poderia chegar abaixo de zero, agora, essa temperatura em Porto Alegre, não faz muito sentido neste mundo, imagine no mundo perfeito... o mesmo vale para Florianópolis, Rio de Janeiro, Santos, Salvador, Recife, Fortaleza... por lá, se a temperatura beirar os 40 graus, é ótimo, na beira do mar, quanto mais calor, melhor! Claro, sem exageros... agora, em Manaus, pra quê fazer 40°C? 33 graus já é um calorzinho suficiente, não precisa subir o termômetro além disso, não!
Num mundo perfeito, a gente não frearia as palavras, não pensaria antes de falar, não precisaria. Diríamos sempre o que pensamos e o que sentimos... mas aí, também, ninguém se magoaria, ou se ofenderia com isso, nem haveria ninguém querendo agredir a gente com palavras. Sabe o que dizem, né, que uma palavra pode machucar mais que cem pedras. Pois um dia, passava eu, apressado, pela frente da catedral da Universal, na avenida Constantino Nery, quando fui abordado, e convidado a assistir a um culto. Procurei ser educado, o mais que pude, para recusar o convite, dizendo que numa próxima, quem sabe... e nisso, uma obreira disse: “que Deus te abençoe!”, num tom bastante raivoso, acho até que com um certo brilho de ódio no olhar! Foi a primeira vez que vi alguém querendo me agredir com uma benção! É, mas num mundo perfeito não haveria intolerância religiosa, de nenhum tipo.
Num mundo perfeito, o prefeito não bateria boca com moradores de áreas de risco, todo cidadão teria, garantida, a oportunidade de morar dignamente. Num mundo perfeito, você não teria que sair da terra onde nasceu para buscar oportunidades numa outra região, aparentemente mais desenvolvida. Você só sairia da sua cidade, do seu Estado, da sua região por vontade própria, por motivos apenas pessoais, pra se ter uma outra experiência, pra se encontrar no mundo, pra buscar aventuras, enfim, pelo motivo que você considere válido. Consequentemente, nesse mundo perfeito não haveria xenofobia!
Num mundo perfeito, o transporte coletivo seria eficiente e confortável, você não teria que enfrentar ônibus, micro, trem, ou metrô superlotado, atrasado, inseguro, sucateado. O motorista, motorneiro, maquinista, cobrador e trocador seriam bem treinados, bem remunerados, bem educados e bem-humorados. A integração entre as linhas funcionaria com pontualidade, você não perderia mais que uns dez minutos num terminal, ou estação, até chegar a sua outra condução. É claro que assim, muita gente que opta por utilizar veículo particular iria optar pelo coletivo! Mas enfim, isso só num mundo perfeito, mesmo...
Onde mais a política não nos causaria tanta vergonha e desgosto, se não num mundo perfeito?! Onde o administrador, municipal, estadual, ou federal trabalharia pelo povo e para o povo, como eles dizem nas propagandas oficiais e no horário eleitoral. Num mundo perfeito, por exemplo, o congresso brasileiro realmente defenderia os interesses da população, que elegeu seus representantes, os parlamentares iriam seguir o exemplo dos congressistas suecos, iriam à capital federal única e exclusivamente para servir, e bem, a sua comunidade, o seu Estado, a sua região e, principalmente, o seu país. Num mundo perfeito, um deputado, ou senador, teria plena consciência do dever e dispensaria qualquer luxo, ou regalia. Se as coisas ainda não são assim, é porque este ainda não é o mundo perfeito. Sinto muito...
Num mundo perfeito, o exterior das pessoa não seria mais valorizado que o interior... até porque, por dentro, as pessoas não seriam assim tão feias! A gente não se enganaria com as aparências, porque no mundo perfeito, as pessoas não teriam medo de demonstrar quem são, não iriam querer aparentar o que não são! A beleza interior estaria mais aparente, se refletiria na aparência externa de cada “serumano”. Mas infelizmente, não estamos no mundo perfeito!
No mundo perfeito, seria mais fácil se dividir em duas cidades. Talvez desse pra morar seis meses em cada uma, ou pelo menos ir a uma delas, uma, duas vezes ao ano, quem sabe uma vez... por mês! Não, perfeito mesmo seria já haver um sistema de teletransporte, você poderia morar em Recife, trabalhar em Curitiba, quem sabe passar os finais de semana em Bonito – MT... quem sabe!? Ah, mas não é esse o caso, nesse mundinho imperfeito...
Em verdade, eu tenho minha idéia de um mundo perfeito, você tem a sua, ambas provavelmente se assemelham, se unem, até, em diversos pontos, mas cada um considerará que o seu ideal de mundo é que é o melhor. Mas, no mundo perfeito, nem haveria esse tipo de discussão. Na verdade, se a gente estivesse num mundo perfeito, nem se cogitaria pensar em como seria um mundo perfeito, não é verdade...? Pois então... quem sabe se não estamos, realmente, no mundo perfeito?! Pois é sabido que somos nós, os seres imperfeitos, cheios de dúvidas, de descrenças, de temores, de conceitos, de preconceitos... então, o nosso mundo, o mundo que fazemos pra nós não é imperfeito, nós que somos! Será...? Bom, enquanto penso nisso... até mais ver!

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