PESCANDO NO BODOSAL

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Por que não o Aeromóvel?!


Em 1979, um ex-funcionário da Varig, de nome Oskar Coester, começava a testar uma criação sua, uma espécie de veículo leve sobre trilhos que, parece, viria a ser uma das soluções para problemas como o trânsito, locomoção e transporte coletivo, problemas esses que já começavam a dar as caras, na Porto Alegre do fim dos anos 70 e começo dos 80. O aeromóvel, criação do engenheiro brasileiro, gaúcho de Pelotas (sem brincadeira) parecia ser um futuro possível para o transporte coletivo; rápido, ágil, leve, confortável. Cada trem do aeromóvel teria a capacidade de levar até 150 passageiros em cada viagem.
Os testes de Coester, com as primeiras viagens do seu protótipo do aeromóvel, visavam à implantação, num primeiro momento, de uma linha-piloto, que ligaria parte do centro da cidade à zona sul. A evolução natural seria de, a primeira linha do aeromóvel ser implantada, depois, com o tempo, estendida por todo o Centro de Porto Alegre, interligando-o a terminais de integração com as linhas de ônibus, que levariam aos bairros mais distantes, e à linha 1 do metrô, implementado a partir de 1986, ligando a capital do Estado à região metropolitana.
Obviamente, as linhas de ônibus não entupiriam a região central da cidade, mais do que já está, restando aos engenheiros de tráfego resolver o problema com os veículos como os automóveis e as motocicletas. Quanto aos passageiros que usam os coletivos que saem da avenida Borges de Medeiros e do terminal Parobé, ao lado do Mercado Público, utilizariam um meio de transporte mais eficiente, pontual e confortável.
No futuro, ou seja, agora, nos nossos dias, provavelmente o aeromóvel já estaria funcionando, ou em fase de implantação em diversas capitais e cidades de outros Estados, Brasil afora, seguramente no Distrito Federal. Hoje, provavelmente esse novo modelo de transporte já estaria sendo exportado para o Mercosul, Estados Unidos e Europa. Um veículo relativamente barato, inclusive no custo de implementação, eficiente, rápido, leve, ecologicamente correto e, o melhor de tudo: criado aqui no Brasil, por um brasileiro! Uma tecnologia criada, estudada e desenvolvida por aqui mesmo! Pela lógica, o projeto deveria ter decolado... se fosse em outro país, provavelmente assim seria... afinal, por que não decolou?!
Bom, segundo dizem, no início dos anos 80, o Ministério dos Transportes desistiu do projeto. Arquivou o acordo e a implantação da linha-piloto do aeromóvel foi cancelada, o inventor do veículo terminou a primeira parte da linha, que jamais foi terminada, na avenida Loureiro da Silva, em frente à antiga Usina do Gasômetro, tirando do seu próprio bolso, por assim dizer, mais por teimosia que por outra coisa. Mas, fora algum fator técnico, alguma questão financeira, que impedira de o projeto ser tocado em frente?! Nada... foi o velho problema de sempre: questões de política! Acha que é só na sua cidade, no seu Estado que tem politicagem? Não, amigo, isso é um mal que aflige todo nosso país...
Pois, por questões bem mais políticas que técnicas, o metrô fora implantado na região metropolitana de Porto Alegre, cortando e modificando a cara das cidades, como já disse, a partir de 1986. Nesse mesmo ano, uma delegação do governo da Indonésia visitou Porto Alegre, a fim de estudar o tal de aeromóvel, que sabe-se lá porquê, o governo brasileiro esnobou, pra comprar uns trens japoneses usados, que estavam sendo substituídos por um modelo mais moderno, lá por Osaka, Kioto, ou sei lá onde. Tinham a intenção de levar esse novo tipo de veículo leve sobre trilhos para seu país, e instalar uma linha no centro da sua capital, Jacarta. Ouvi dizer, depois os governos de Taiwan, Coréia do Sul, teriam conhecido o NOSSO aeromóvel e também teriam se interessado em reproduzir o modelo em suas respectivas cidades. Hoje o trem, que segundo seu inventor, segue o princípio do barco a vela, emborcado, uma criação inovadora de um brasileiro, que poderia estar beneficiando o transporte por aqui mesmo, nas nossas cidades, está lá, do outro lado do mundo, beneficiando quase 500 mil passageiros/dia, do outro lado do mundo, em Jacarta!
Agora, só agora, mais de 30 anos depois, as administrações municipal, estadual e federal, visando “melhorar” o que sequer seria cogitado melhorar, não fosse a próxima copa do mundo de futebol sediada aqui, no nosso país, resolveram desencavar dois projetos: o “tal do aeromóvel” de Oskar Coester, e a já anacrônica linha 2 do metrô de Porto Alegre, do qual, aliás, ouço falar desde que inauguraram a linha 1, há mais de 20 anos.
Desta vez, o projeto do aeromóvel, pasmem, está mais adiantado que o do metrô... é que o prefeito da capital gaúcha renunciou ao cargo para ser candidato ao governo do Estado, ficando no seu lugar o vice, que tem maior trânsito com os atuais governos estadual e federal, afinal, né, já foi do mesmo partido, e tal... ou seja! Enfim, quanto ao projeto do aeromóvel, trata-se da idéia de se implantar duas linhas, a primeira ligando a estação do metrô ao terminal 1 do aeroporto internacional Salgado Filho; uma segunda seria implantada na cidade universitária, ligando o campus da PUC-RS ao hospital universitário, e esse à avenida Ipiranga. Sim, sem dúvida, isso tudo é muito interessante...
Não que seja contrário, agora, não que deixe de saudar a iniciativa dos governos atuais em “ressuscitar” o aeromóvel, que aliás, já cria eu, jamais o veria andar, quem sabe até andar num desses, a não ser que fosse pra Indonésia. Mas não há como não questionar: por que só agora?! Pra que esperar 30 anos, ou mais, pra tirar esse projeto do papel? Por que não incluir também, nesse novo projeto, o projeto piloto?! Talvez, a linha-piloto pudesse desafogar bastante o trânsito, do Centro até a zona Sul, quem sabe estendendo-a até a Mauá, ou até o Largo Vespasiano Veppo, ao lado da estação rodoviária... quem sabe?!
Enfim, mas agora parece que vai, então oremos. Quanto ao metrô, acho que é um projeto datado, que há 15, ou 20 anos, até seria uma boa saída pra Porto Alegre, mas agora, neste momento, essa iniciativa já está por demais atrasada, teria que modificar demais boa parte da cidade, o gasto não compensaria, pois o problema do trânsito só seria agravado, inclusive depois da conclusão e inauguração! É o que tudo indica, amigo... acho que, se o aeromóvel fosse inventado por um americano, japonês, chinês, em vez de por um brasileiro, a história teria sido bem outra, já estaríamos utilizando esse tipo de transporte há horas!
Engraçado, de repente a direção da Trensurb S/A insistir em implantar uma linha de metrô em Porto Alegre agora, quando no ano passado, já haviam descartado completamente a idéia. E o pior é a prefeitura da capital, ou mesmo o governo estadual, não estudarem outras alternativas, que pra outras cidades, outras regiões, seriam ótimas alternativas, como o BRT – Bus Rapid Transit – ou o VLT, e o próprio aeromóvel. Pois aqui também, seria uma boa alternativa, sim, senhores! Bora ver direitinho isso daí! Aqui e lá também, na cidade-sede amazônica da Copa do Mundo, em vez de estudar o ônibus gigante chinês, que nem eles sabem se vai dar certo, ou esse tal de monotrilho, que tal estudar as outras alternativas? O aeromóvel tá lá em Jacarta, senhor prefeito, aproveita que cê vai buscar muamba em Xangai, dá uma passadinha na Indonésia e vê o que um brasileiro foi capaz de inventar!

Nenhum comentário:

Postar um comentário