Em
1979, um ex-funcionário da Varig, de nome Oskar Coester,
começava a testar uma criação sua, uma espécie
de veículo leve sobre trilhos que, parece, viria a ser uma das
soluções para problemas como o trânsito,
locomoção e transporte coletivo, problemas esses que já
começavam a dar as caras, na Porto Alegre do fim dos anos 70 e
começo dos 80. O aeromóvel, criação do
engenheiro brasileiro, gaúcho de Pelotas (sem brincadeira)
parecia ser um futuro possível para o transporte coletivo;
rápido, ágil, leve, confortável. Cada trem do
aeromóvel teria a capacidade de levar até 150
passageiros em cada viagem.
Os
testes de Coester, com as primeiras viagens do seu protótipo
do aeromóvel, visavam à implantação, num
primeiro momento, de uma linha-piloto, que ligaria parte do centro da
cidade à zona sul. A evolução natural seria de,
a primeira linha do aeromóvel ser implantada, depois, com o
tempo, estendida por todo o Centro de Porto Alegre, interligando-o a
terminais de integração com as linhas de ônibus,
que levariam aos bairros mais distantes, e à linha 1 do metrô,
implementado a partir de 1986, ligando a capital do Estado à
região metropolitana.
Obviamente,
as linhas de ônibus não entupiriam a região
central da cidade, mais do que já está, restando aos
engenheiros de tráfego resolver o problema com os veículos
como os automóveis e as motocicletas. Quanto aos passageiros
que usam os coletivos que saem da avenida Borges de Medeiros e do
terminal Parobé, ao lado do Mercado Público,
utilizariam um meio de transporte mais eficiente, pontual e
confortável.
No
futuro, ou seja, agora, nos nossos dias, provavelmente o aeromóvel
já estaria funcionando, ou em fase de implantação
em diversas capitais e cidades de outros Estados, Brasil afora,
seguramente no Distrito Federal. Hoje, provavelmente esse novo modelo
de transporte já estaria sendo exportado para o Mercosul,
Estados Unidos e Europa. Um veículo relativamente barato,
inclusive no custo de implementação, eficiente, rápido,
leve, ecologicamente correto e, o melhor de tudo: criado aqui no
Brasil, por um brasileiro! Uma tecnologia criada, estudada e
desenvolvida por aqui mesmo! Pela lógica, o projeto deveria
ter decolado... se fosse em outro país, provavelmente assim
seria... afinal, por que não decolou?!
Bom,
segundo dizem, no início dos anos 80, o Ministério dos
Transportes desistiu do projeto. Arquivou o acordo e a implantação
da linha-piloto do aeromóvel foi cancelada, o inventor do
veículo terminou a primeira parte da linha, que jamais foi
terminada, na avenida Loureiro da Silva, em frente à antiga
Usina do Gasômetro, tirando do seu próprio bolso, por
assim dizer, mais por teimosia que por outra coisa. Mas, fora algum
fator técnico, alguma questão financeira, que impedira
de o projeto ser tocado em frente?! Nada... foi o velho problema de
sempre: questões de política! Acha que é só
na sua cidade, no seu Estado que tem politicagem? Não, amigo,
isso é um mal que aflige todo nosso país...
Pois,
por questões bem mais políticas que técnicas, o
metrô fora implantado na região metropolitana de Porto
Alegre, cortando e modificando a cara das cidades, como já
disse, a partir de 1986. Nesse mesmo ano, uma delegação
do governo da Indonésia visitou Porto Alegre, a fim de estudar
o tal de aeromóvel, que sabe-se lá porquê, o
governo brasileiro esnobou, pra comprar uns trens japoneses usados,
que estavam sendo substituídos por um modelo mais moderno, lá
por Osaka, Kioto, ou sei lá onde. Tinham a intenção
de levar esse novo tipo de veículo leve sobre trilhos para seu
país, e instalar uma linha no centro da sua capital, Jacarta.
Ouvi dizer, depois os governos de Taiwan, Coréia do Sul,
teriam conhecido o NOSSO aeromóvel e também teriam se
interessado em reproduzir o modelo em suas respectivas cidades. Hoje
o trem, que segundo seu inventor, segue o princípio do barco a
vela, emborcado, uma criação inovadora de um
brasileiro, que poderia estar beneficiando o transporte por aqui
mesmo, nas nossas cidades, está lá, do outro lado do
mundo, beneficiando quase 500 mil passageiros/dia, do outro lado do
mundo, em Jacarta!
Agora,
só agora, mais de 30 anos depois, as administrações
municipal, estadual e federal, visando “melhorar” o que sequer
seria cogitado melhorar, não fosse a próxima copa do
mundo de futebol sediada aqui, no nosso país, resolveram
desencavar dois projetos: o “tal do aeromóvel” de Oskar
Coester, e a já anacrônica linha 2 do metrô de
Porto Alegre, do qual, aliás, ouço falar desde que
inauguraram a linha 1, há mais de 20 anos.
Desta
vez, o projeto do aeromóvel, pasmem, está mais
adiantado que o do metrô... é que o prefeito da capital
gaúcha renunciou ao cargo para ser candidato ao governo do
Estado, ficando no seu lugar o vice, que tem maior trânsito com
os atuais governos estadual e federal, afinal, né, já
foi do mesmo partido, e tal... ou seja! Enfim, quanto ao projeto do
aeromóvel, trata-se da idéia de se implantar duas
linhas, a primeira ligando a estação do metrô ao
terminal 1 do aeroporto internacional Salgado Filho; uma segunda
seria implantada na cidade universitária, ligando o campus da
PUC-RS ao hospital universitário, e esse à avenida
Ipiranga. Sim, sem dúvida, isso tudo é muito
interessante...
Não
que seja contrário, agora, não que deixe de saudar a
iniciativa dos governos atuais em “ressuscitar” o aeromóvel,
que aliás, já cria eu, jamais o veria andar, quem sabe
até andar num desses, a não ser que fosse pra
Indonésia. Mas não há como não
questionar: por que só agora?! Pra que esperar 30 anos, ou
mais, pra tirar esse projeto do papel? Por que não incluir
também, nesse novo projeto, o projeto piloto?! Talvez, a
linha-piloto pudesse desafogar bastante o trânsito, do Centro
até a zona Sul, quem sabe estendendo-a até a Mauá,
ou até o Largo Vespasiano Veppo, ao lado da estação
rodoviária... quem sabe?!
Enfim,
mas agora parece que vai, então oremos. Quanto ao metrô,
acho que é um projeto datado, que há 15, ou 20 anos,
até seria uma boa saída pra Porto Alegre, mas agora,
neste momento, essa iniciativa já está por demais
atrasada, teria que modificar demais boa parte da cidade, o gasto não
compensaria, pois o problema do trânsito só seria
agravado, inclusive depois da conclusão e inauguração!
É o que tudo indica, amigo... acho que, se o aeromóvel
fosse inventado por um americano, japonês, chinês, em vez
de por um brasileiro, a história teria sido bem outra, já
estaríamos utilizando esse tipo de transporte há horas!
Engraçado,
de repente a direção da Trensurb S/A insistir em
implantar uma linha de metrô em Porto Alegre agora, quando no
ano passado, já haviam descartado completamente a idéia.
E o pior é a prefeitura da capital, ou mesmo o governo
estadual, não estudarem outras alternativas, que pra outras
cidades, outras regiões, seriam ótimas alternativas,
como o BRT – Bus Rapid Transit – ou o VLT, e o próprio
aeromóvel. Pois aqui também, seria uma boa alternativa,
sim, senhores! Bora ver direitinho isso daí! Aqui e lá
também, na cidade-sede amazônica da Copa do Mundo, em
vez de estudar o ônibus gigante chinês, que nem eles
sabem se vai dar certo, ou esse tal de monotrilho, que tal estudar as
outras alternativas? O aeromóvel tá lá em
Jacarta, senhor prefeito, aproveita que cê vai buscar muamba em
Xangai, dá uma passadinha na Indonésia e vê o que
um brasileiro foi capaz de inventar!





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