Hoje chamam de mini mercado, ou mercadinho, mas, na nossa infância, chamavam de armazém, venda, ou taberninha... local onde você encontra de tudo: pão, misturas, erva mate e pupunha a granel, pirarucu seco pro almoço de sexta-feira santa, uma caninha da boa, envelhecida em barris de carvalho e um ou dois dedos de prosa... entre e fique a vontade!
sexta-feira, 15 de outubro de 2010
Ah, o Dia dos Professores...
Hoje é dia dos professores, certo?! E hoje, você que leciona, principalmente em escola pública, tem feriado. Lembro que no meu tempo de estudante, principalmente no já longínquo primeiro grau – hoje ensino fundamental – não tinha o tal ponto facultativo. Quer dizer, não era pra ter, pelo menos! A gente ia na escola, era como se fosse dia normal de aula... o que mudava era que, em vez de levar os livros e cadernos pra sala de aula, costumávamos levar bolos, docinhos, refrigerantes, e fazíamos uma festinha para nossa professora! E quanto mais apreciada a professora, mais concorrida era a festinha. Alguns de nós, inclusive, levava presentinhos e lembrancinhas pra professora. Bons tempos aqueles! Hoje, dia de professor só traz felicidade, pra professores e alunos, porque é mais um feriado, mais um dia pra um não ter que ver a cara do outro. Isto estou falando na média, tanto de professores, quanto de alunos! É lógico que há aqueles que hoje gostariam de estar em sala de aula, interagindo com seus alunos, e esses que gostariam de dar naqueles um abraço de agradecimento. Eu acho! Sei lá, também... Não tive professora na pré-escola. É que eu não fiz pré-escola! Fui matriculado direto na primeira série do ensino fundamental. Início dos anos 80, naquele tempo ainda dava pra se fazer isso. Hoje ensino fundamental não tem nove anos por alguma questão de qualificação da educação, ou qualquer coisa assim, é apenas porque a maioria das escolas estaduais obrigam a matricular a criança na pré-escola. Sim, tenho um posicionamento mais crítico quanto a isso. Mas tive professora na primeira série. Naquele tempo, era a professora da primeira série quem alfabetizava a gente. Hoje em dia, dizem que é na oitava série que as crianças são alfabetizadas, mas talvez seja só maldade... minha primeira professora chamava-se Cristina. Bonita, pele amorenada, cabelos e olhos castanhos escuros. Não foi minha primeira paixão. Nunca tive esse fetiche de apaixonar-se pela professora. Tem vasta literatura a respeito, mas sempre achei estranho, até meio pervertido. Mas enfim, não era isso que importava, mesmo. Não lembro de ninguém que não gostasse da professora Cristina. Era mansa, paciente, carinhosa com seus alunos. Mas também disciplinadora, um tanto perfeccionista. Tive uma professora um pouco mais dura e disciplinadora na terceira série, dona Josephina. Isso mesmo, com PH. Era professora há uns quarenta anos, quando fui seu aluno, já era avó, tinha nascido lá pelos anos 20, tinha visto o zepelim, quando passou cá no Brasil... tinha uma grande experiência de vida, com sua experiência nos ensinou muito mais sobre o mundo que nos cerca, sobre a nossa própria história, do que através da disciplina dos livros. Já deve estar em planos superiores, ensinando e sendo ensinada. Lá pela quinta série é que tive professores que nos falavam mais de ideologias do que da disciplina. Lembro especialmente de um professor de educação física. Acho que até por sua função ser mais de dar-nos uma bola e mandar jogar num campinho atrás da escola – gostava mais quando o campo estava sendo usado pelo pessoal do clube que era dono do dito cujo, assim ele tinha que ficar mais tempo com a gente, e dava-nos aulas de handebol. Era um esquema pra tentar popularizar o esporte, alguma coisa assim. Pois esse mesmo professor de educação física, cujo nome não me recordo, foi quem começou a tentar ensinar-nos ideologia e política. Porém, não admitia discussões. Afinal, éramos apenas garotos de 11 a 12 anos de idade, o que poderíamos entender de ideologias? Como saberíamos discernir o certo do errado, o joio do trigo? Pois ele resolveu que ele sabia e nos ensinaria o que era boa ideologia. Não por acaso, era “de esquerda”. Como um outro professor meu... Este sim, inesquecível. Foi na oitava série que, nas aulas do professor de história, professor Selvino, fui começar a me interessar mais por política, a desenvolver uma ideologia. O professor Selvino era de esquerda, como o outro professor citado acima, era petra... ops, petista, de carteirinha. É até hoje, inclusive desde o começo do ano passado, é secretário municipal de educação, na cidadezinha onde nasci. Muito bom professor. Não deixava de lado a disciplina pra apenas ensinar ideologia. Aliás, ele tinha a sua própria ideologia. Não a impôs, em momento algum. Pelo contrário, nos incentivava a desenvolver nossas próprias idéias, de país, de política, de futuro. Eu gostava de discutir política com ele. Apesar de nossas visões baterem de frente, de vez em quando. Sentia-me instigado a estudar, a ler, conhecer, pra então ter argumentos e discutir. Aprendi muito com ele, com certeza. Mas nossas visões políticas continuaram destoando em vários ângulos... sempre gostei de história. Sempre achei que temos que entender a nossa história, pra não repetirmos velhos erros e pra sabermos como viemos parar aqui. Seja aqui onde for! Nunca fui muito bom em matemática. Mas tive bons professores de matemática. A mais marcante foi aquela que era considerada nossa carrasca, na sétima série, e posteriormente, no supletivo de ensino médio, que agora chamam EJA – Educação de Jovens e Adultos: dona Edna! Já na sétima série, era uma baixinha invocada, cuja altura batia quase no meu peito. Não lembro de tudo de sua disciplina, mas lembro um ensinamento de vida que ela fazia questão de nos passar – tanto no ensino fundamental, quanto no médio: “Menino do Céu”, dizia, bem assim, ela: “Não pensa em faculdade, não pensa em estudar minha matéria pra passar em faculdade! Se tu fosse filhinho de papai, eu até te ensinava a passar em vestibular. Mas se tu vai estudar pra ser peão, ouve o que digo: estuda pra passar em algum concurso público! Tu não vai ficar milionário sendo funcionário público, mas vai ter estabilidade, vai ter segurança... estuda pra ser funcionário público, menino!” Nunca esqueci esse seu ensinamento... e desde então, tenho tentado tudo quanto é concurso público! Talvez deva agradecê-la por isso, um dia... principalmente quando conseguir ser chamado em algum! Mas este texto já é para agradecer a essa e a todos os professores aqui citados! E uma certa crítica, a meus professores de educação física... mas a eles, também, um bom dia dos professores!
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