Hoje chamam de mini mercado, ou mercadinho, mas, na nossa infância, chamavam de armazém, venda, ou taberninha... local onde você encontra de tudo: pão, misturas, erva mate e pupunha a granel, pirarucu seco pro almoço de sexta-feira santa, uma caninha da boa, envelhecida em barris de carvalho e um ou dois dedos de prosa... entre e fique a vontade!
quarta-feira, 6 de outubro de 2010
Temores
Hoje mesmo me visualizei subindo a Leonardo Malcher, em direção ao Centro de Manaus. Não gosto disso. Me deixa triste. Porque quero ir para lá, estar lá, e não posso. Tenho planos de estar por lá, mesmo que a passeio, no ano que vem. Às vezes dá muita vontade de estar por ali. Andando pela praça da polícia, remexendo nos livros das banquinhas que ficam por ali... será que ainda estão por ali?
Gostaria de saber se ainda têm aquelas sessões de cinema ao ar livre, no Largo de São Sebastião, bem em frente ao Teatro Amazonas... toda noite de sábado passava algum daqueles filmes clássicos... lembro de ter assistido pela primeira vez ali a O Sol Nasce Para Todos. Grande filme...
Penso até nos ônibus que eu pegava. Um dos bairros que mais gostei de morar foi o Centro de Manaus. Outro, foi o São Jorge. Nesse último, sempre morei próximo à vila militar. E quando morei numa rua mais boca braba, logo fiz amizade com os galeritos. Acredite, ou não, até hoje, com 33 anos de idade, nunca fui assaltado. Escapei por um triz, algumas duas ou três vezes! Em uma delas, a boa relação com os galeritos da área foi de importância vital: fui reconhecido como “dos nossos”, quer dizer que eu também era da área.
Lembro de ir ao cinema mais seguidamente, quando morei na Cachoeirinha. Ia a pé dali até o Studio 5, lá embaixo, entre o Distrito Industrial e o Japiim. Dava o quê... uns quarenta minutos “de a pé”! Fim de semana, ônibus demorava pra caramba, era bem mais fácil e rápido sair de casa, pegar a avenida Tefé, uma rua transversal, depois a avenida... enfim!
Ia muito na sorveteria aquela, a Glacial, na avenida Getúlio Vargas, no Centro da cidade, atrás do colégio estadual, Pedro II, que fica em frente à praça Heliodoro Balbi, também conhecida como Praça da Polícia. Aliás, mais conhecida por esse nome! Tanto que só quando vim para o Sul é que descobri que aquela praça tinha outro nome! Trabalhava por ali por perto, numa loja de móveis, na rua Marcílio Dias, na antiga Zona Franca. A loja, pelo que soube, nem existe mais.
Tenho muita saudade de lá. Já falei isso antes... parece que quando morei em Manaus, foi quando me encontrei, quando encontrei, enfim, o meu lugar no mundo. Sim, é sério! Desde que vim pra cá, quero estar de volta lá. Quero saber sempre notícias do pessoal que conheci lá, os amigos, os ex-colegas de trabalho, o pessoal que eu via na FEA do Centro, quase todas noites de sexta-feira. Minha família em Manaus, minha filha... penso muito neles. Gostaria de falar mais vezes com eles. Não por telefone, embora o DDD pela operadora que uso no celular não seja o bicho... muito mais legal falar pessoalmente!
Por isso, estou quase sempre no twitter. Lá, eu sigo os portais de notícias mais conhecidos do Amazonas. Sigo muita gente que é de lá, que mora lá, ou que tem alguma ligação, mesmo que remota, com Manaus. Pra me manter ligado. Pra me manter por dentro das notícias, da política local... que não é tão diferente assim do Rio Grande do Sul, ou do Brasil, quanto se pensa... infelizmente! Para ambos, Amazonas, e Rio Grande do Sul! Amo o primeiro, nasci no, e gosto bastante do segundo... amazonense não é tão alienado pra política, quanto o povo de lá diz, e gaúcho não é tão politizado, ou interessado em política, quanto dizem por aqui. Velhos mitos que devem ser desmascarados. O jeito de fazer a política é tão perverso num quanto no outro. O jeito como parte da população interage com isso não é nem um pouco diferente, a maioria torce para os políticos como se as eleições fossem um gre-Nal.
Há vários fatores que me fazem querer muito, algumas vezes, desesperadamente, estar em Manaus, já, agora, neste exato momento. Um deles é o medo de perder qualquer laço de carinho com minha filha. Quase três anos sem vê-la, não é nada fácil... nesse período, nos vimos, algumas vezes, via webcam, conversando pela internet, e tal. Mas não é a mesma coisa! Ela tá crescendo. Já tem 14 anos. Não é mais exatamente a menininha do papai, tem lá seus amigos, está entrando na puberdade, provavelmente já está começando a se interessar pelos garotos... eu queria participar dessa fase, ser presente, ser o paizão, mesmo, como ela me chamava, como eu gostaria de ser.
Bom, mas esse é UM deles. Só um. Há ainda outros fatores. O outro, por exemplo, é: um medo meio besta, de que Manaus suma do mapa, pelo menos a Manaus que conheço, ou conhecia, ou... sei lá! Nada do tipo uma explosão atômica, ou a cidade derreter com o calor muito forte, no período da vazante, ou desaparecer totalmente debaixo d'água, depois de uma puta enchente do rio Negro... é, na verdade, essa da enchente me parece bem plausível, pelo menos no momento atual. E me dá bastante medo. Ano passado, teve a maior cheia da história, desde que começou a ser medida, sei lá em que ano, lá no início do século passado. Eu lia todas notícias que conseguia encontrar sobre o assunto, no Manaus On-line, no Portal Amazônia, no Maskate, nA Crítica... quando dava pra abrir a notícia, que antes o site desse jornal era uma putaria. Você tinha que ser assinante do jornal. Como é que, tando na Grande Porto Alegre, vou virar assinante dessa porra de jornal!? Não sabem que não tem nem no aeroporto, pra comprar, cavalo?? Aliás, abrindo um parênteses, essa é uma idéia que eu tenho, não sei nem se daria certo, mas ganhando hoje, mesmo que uma décima parte do grande prêmio da mega sena, acho que já dá pra tentar pôr em prática: abrir uma distribuidora de jornais! Pra levar às principais bancas de jornais da capital amazonense, os principais jornais do RS, tipo Zero Hora e Correio do Povo, por exemplo – pra gauchada que tá lá ler as notícias daqui. Mais pra frente, talvez, levar pra Manaus também o Diário Catarinense, enfim, outros jornais de Santa Catarina; e distribuir em Sampa e Rio de Janeiro – pra começar – A Crítica, Diário do Amazonas, e outros jornais de Manaus. Sei lá, acho que era uma legal! Mas deve precisar ter muito cacife pra bancar um negócio desses. Lembro que, lá pela segunda metade dos anos 80, meu pai e um amigo dele tavam planejando entrar na sociedade de um jornal feito aqui no Brasil, pro público argentino. Desistiram pouco tempo depois, acho que foi porque descobriram que em Porto Alegre, algumas bancas tinham o Clarín...
Voltando ao assunto, então, tenho medo de não encontrar mais a minha “casa”, o meu “lar”, ou seja, Manaus, lá onde tá. Parece até que a cidade vai se mandar correndo, ou que vai ser envolta em brumas, como Avalon, naquele romance da Marion Zimmer Bradley.
Então, ultimamente, as notícias que tenho recebido da minha cidade – posso chamá-la assim? Deixam? Não? Foda-se, chamo assim mesmo – têm me deixado sobressaltado. Já a notícia de que Serafim Corrêa não fora reeleito para a prefeitura municipal, perdendo pra raposa velha e marota, Amazonino Mendes... me deixou de cabelos em pé! Não peguei a época dele à frente da prefeitura, quando lá cheguei, o vice-prefeito, um tal de Carijó, era o prefeito, porque esse Amazonino tinha saído, pra candidatar-se à reeleição, acabando por perder a prefeitura pro Serafim. Mas quase todo mundo com quem falava dava conta de que o Negão não era lá flor que se cheire... eu, sinceramente, quando soube, não entendi. Se Serafim não tinha sido assim tão bom prefeito, se a população acabou não gostando das coisas no tempo dele, até entendo que quisessem mudar. Mas que quisessem de volta o sujeito que tinha deixado a cidade falida, sem fazer nada por ela, isso eu não entendi!
E pior que tudo aquilo que pensei a respeito, que viria a acontecer, com Amazonino à frente da administração municipal, efetivamente aconteceu. Notícias e impressões pessoais de “amigos de twitter” davam conta do caos que a cidade estava virando. A greve dos ônibus, meses atrás, até mesmo esse anúncio de licitação pra contratação de empresas de transporte coletivo, um pouco antes, a novela do preço das passagens, tudo isso me deixou bastante receoso de quando estiver por lá. Não tenho carro, nem sei dirigir. Pelo que tenho entendido, das notícias que me chegam de lá, o transporte público coletivo de Manaus está à beira do caos. E duvido muito que, com essa licitação, novas empresas entrem nesse mercado de Manaus. Não é nada tão fácil assim, como o prefeito tenta fazer parecer. Tô sabendo também que vão fazer estacionamentos rotativos no Centro da cidade, a tal Zona Azul, como há em várias cidades daqui da região metropolitana. Sei lá, aqui há os que defendam, a grande maioria é contra, mas estão se acostumando. E não acabou com a problemática dos flanelinhas, o prefeito Amazonino, se pretende realmente usar isso como solução, que desista logo da idéia.
Notícias têm dado conta dos apagões de energia elétrica, cada vez mais constantes, em Manaus e cidades próximas, como Iranduba e Manacapuru... desculpem, ato falho: ESSAS são as únicas cidades próximas de Manaus! Falam numa região metropolitana, que inclui Itacoatiara, que fica a uma distância que é como de Porto Alegre a Torres! Você não leva menos de quatro horas, num ônibus pinga-pinga – e sim, no Amazonas também tem ônibus pinga-pinga. Os tais apagões, parece, têm a ver com o período de seca, que, dizem, é o maior da história. Eu peguei a seca de 2005, que já foi braba, mas muito braba, aquela já era a pior seca da história. Agora, cinco anos depois, vem uma seca ainda pior. Temo estar lá e vir uma seca, se não pior, igual a deste ano. Imagina, que delícia, pegar uma cheia tão grande quanto 2009 e em seguida, uma seca igual a deste ano, no ano que vem! Esse é um cenário que simplesmente me apavora.
Toda notícia sobre Manaus, ultimamente, tem me apavorado! Sexta passada, li a respeito, vi fotos, etc., de um temporal que teve na tarde daquele dia, lá em Manaus. As imagens me deixaram com o coração na mão. Imediatamente, me preocupei com minha gente, minha família lá de Manaus. E pra ajudar, estava completamente sem voz. Não tinha como ligar pra eles e perguntar como estavam, se viram o tal temporal, etc. Ainda não tenho muitas notícias deles. Estou esperando recuperar totalmente a voz, pra entrar em contato.
Notícias sobre a violência também me deixam extremamente preocupado. Vai que minha sorte acabe... claro que não quero pensar nisso! Como falei, até hoje, nunca sofri assalto. Tá bom, fui furtado uma vez, mas a carteira que o bonitão me surrupiou, no furdunço duma banda de carnaval, no centro de Manaus tava vazia. Só tinha minha identidade. Eu não havia recebido ainda. E o pouco dinheiro que eu tinha, tava num outro bolso, nesse o ladrão não chegou. Não levou nem meu dinheiro, nem meu celular. Enfim. Fora isso, nunca fui assaltado, ou fui agredido, ou qualquer coisa assim. Mesmo assim, até quando vai durar minha sorte!? Não sei. Tá, pode acontecer por aqui, também. Principalmente aqui, já que, no momento, tô morando aqui. O país todo tá uma zorra, uma insegurança só. Li, anteontem, o relato de um blogueiro, sobre a noite de terror que ele, esposa e amigos passaram, por conta de um assalto, e depois, todo descaso das autoridades constituídas, que em pleno domingo de eleição, não estavam muito afim de mostrar serviço, digamos assim. Fiquei profundamente consternado, senti a garganta embargada, como se fossem pessoas conhecidas minhas, mais que isso, amigos, bem conhecidos e queridos, que tivessem sofrido tais humilhação e terror. Causou-me profundo mal-estar. E me deixou preocupado, com a situação de insegurança, que não é muito diferente daqui. Que está cada vez mais parecida com a insegurança que se passa no Rio Grande do Sul! A violência, por aqui, era um pouco maior que lá. Isso é um fato. Que está mudando, infelizmente.
Por isso quero tanto estar em Manaus. Quero, mais tardar, estar indo pra lá até o ano que vem, 2011! Pelo menos rever minha cidade mais uma vez... antes que venha 2012 e a leve embora!
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