PESCANDO NO BODOSAL

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Nem Sempre a Maioria Acerta...


Realmente, as eleições são a festa da democracia. Estamos todos – ou a grande maioria, pelo menos – como se tivéssemos ido numa churrascada na casa de amigos, ou conhecidos, ou vizinhos, nem tanto por gostar da pinta, bem mais pela perspectiva de uma boca livre. Boa parte das pessoas que estão andando nas ruas, hoje, como se estivessem com uma ressaca homérica. Como se não tivessem ainda se recuperado da churrascada acima, como se ainda estivessem pesados de tanta carne e tontos de tanto suco de cevada! Eu não, que estou ainda engripado, peito encatarrado, tomando antibióticos e xarope expectorante. Pois teve gente que acordou hoje pela manhã sem nem saber direito o que fez ontem. E houveram os que se embriagaram de 51(%) e apostaram que essa “festa” ia terminar bem rápido. Não foi bem assim... Ninguém esperava que as eleições fossem tão fáceis pra governador, nos Estados. Ninguém esperava que as mesmas eleições, só que pra presidente da República, fossem tão espinhosas assim. Alguns caciques não conseguiram manter-se. O que às vezes pode ser bom, e por outro lado, pode ser péssimo. O único nome que acho lamentável não ter se reeleito, e que me vem à cabeça, no momento, é o de Artur Virgílio Neto, senador do Amazonas. Não foi nada lindo terem tirado ele do senado. A atual oposição perde muita força no Congresso, um possível governo Serra, por sua vez, perde um líder atuante no Senado, e o Estado do Amazonas, perde um incansável defensor da região amazônica. Independente de sua ideologia, independente de você gostar dele, ou não. Não sei o que falou aquele teu amigo lá daquela rádio lá, que usa a bandeira da maior agência de notícias do país. Nem me interessa. Política não é campeonato de futebol. Ouvi ontem à noite, após as apurações de mais da metade dos votos, fogos de artifícios espocarem, como se festejassem um gol do seu time, ou uma vitória do mesmo. Não, caros... foi só o candidato ao governo do Estado, que conseguiu se eleger no primeiro turno. O meu time jogou no sábado, no Gigante da Beira Rio, e ganhou, por 3x0, do Guarani de Campinas. Fiquei feliz com o resultado, também com os paralelos. Agora, não fiquei feliz com o resultado do pleito ao governo do Estado. E não ficaria, de qualquer jeito! Dos candidatos que estavam concorrendo, nenhum valia a pena. Votei na candidata à reeleição, talvez por pena, já que nem me pareceu assim tão boa governadora, quanto se diz – e quanto dizem, uns poucos com quem converso – nem ideologicamente simpatizo com ela. Se estivesse em casa, ou seja, no Amazonas, também não teria nenhuma opção de candidato ao governo do Estado. E lá também resolveram abreviar as eleições. Reelegeram o turquinho. Teve quem dissesse que o cara se elegeu por ele mesmo – e nem que me ameacem de morte, vou dizer que quem disse essa sandice foi o Holanda – quando a gente sabe que não foi bem assim... aliás... nada nessas eleições foi bem assim, como o esperado! Como falei antes, eu também acreditava que as eleições a nível nacional iam ser diferentes das em nível estadual. Já estava me programando, pra quem sabe pegar uma praia, no dia 31, data marcada para o segundo turno. Se aquilo que ameaçavam, de as eleições presidenciais se decidirem no primeiro turno, tivesse se confirmado, eu não via muita razão pra votar num possível segundo turno pra governador. De que adiantaria votar em outro candidato que não um mais afinado com a candidata do molusco à sucessão presidencial? O Estado já está definhando, isolado. Houve, nos últimos 12 anos, pelo menos, uma alternância de governadores que costumavam bater de frente com quem quer que estivesse no governo federal. De 1999 a 2002, Olívio Dutra, batendo de frente com o presidente Fernando Henrique; de 2003 a 2006, Germano Rigotto, e de 2007 até hoje, Yeda Crusius, que não eram assim tão bem quistos pelo presidente Lula. Pois até temo, de certa forma, que o governador eleito ontem, no primeiro turno das eleições, nos isole novamente, caso José Serra consiga virar pra cima de Dilma, no dia 31. Tarso Genro não vai ser um governador tão bom quanto diz, e sua vida será ainda mais difícil, tanto quanto ele e seu partido procurem impor-se frente ao novo presidente da República. Seu companheiro Olívio tentou confrontar, em vez de negociar com o presidente Fernando Henrique! O que esperavam, então, que acontecesse com seu amado Rio Grande do Sul? Semana passada, até um dia antes das eleições, apenas um instituto de pesquisas apontava a possibilidade de segundo turno pra presidente da República. Ninguém me convence de que boa parte do eleitorado não tenha se afobado. Por mais que a gente discuta as pesquisas, por menos que se admita deixar influenciar por elas, o fato é que tem muita gente que vota influenciado por elas. Por que se elegeram tantos deputados e senadores de partidos da base aliada do atual governo? Sou capaz de apostar que tem muita gente aí que votou Paim, porque seria um senador afinado com o partido que procura se perpetuar no governo, tal como é em alguns países vizinhos! Por nada não... nem estão achando que a situação do país está tão boa assim, como mostram nas propagandas do governo... é que acreditaram que não tinha pra onde correr! Tem muita gente que vota assim... e eu conheço muitos! Ninguém admite acreditar em pesquisas. Mas ninguém levou fé no instituto Datafolha – ou Datafoda-se, como preferir – todo mundo levou fé foi nas outras, que prometiam um pleito rápido e – quase – indolor pra presidência da República. O único que aventou a possibilidade de segundo turno foi o DataFolha! Isso é fato! E radialistas, jornalistas, blogueiros, tuiteiros pseudo-comunistas, etc., todos que, enfim, desancavam, de cima de seus cabedais de altos conhecimentos, o jornal dono do instituto de pesquisas, começaram a desqualificar o próprio instituto de pesquisas! Que de quatro institutos, apenas um apontar um cenário de segundo turno pra eleições presidenciais era ridículo, que era tamanha e flagrante a “falta de imparcialidade” do referido instituto, que aqueles números não podiam estar corretos! Mas é fato que apenas o DataFoda-se destoou de outros institutos e apontou uma provável disputa de segundo turno... que, aliás, acabou se confirmando! OOOHHH!!! Não é simplesmente fantástico!? É, eu não sou tão ligado nos noticiários que “realmente interessam”. Eu não acredito em jornais, ou veículos de comunicação, de qualquer tipo, imparciais. Até porque eles não existem. Mas eles podem ser isentos. E se não o são, procuro eu ter isenção! Também não levei muita fé no Datafoda-se, mas isso porque não levo muita fé em instituto de pesquisa nenhum! Eu nunca fui entrevistado por eles, você já foi!? Enfim, mesmo que você diga que já respondeu a alguma pesquisa dessas, não vou crer em você, então bola pra frente. Esperava que houvesse segundo turno pra governo do Estado, e não pra presidente. Mas deu-se o contrário. E agora!? Imagino as caras dos que tanto bateram do tal do DataFolha... apenas ele apontou a possibilidade de segundo turno pra presidente! Apenas ele acertou! E agora!? O que dizer!? A quem culpar!? Pois é... os homens do presidente acharam que essa ia ser levada muito fácil. Que a candidada do molusco já podia caminhar sozinha, que já sabia pedalar sem rodinhas. Eu, por mim... não voto de olho em pesquisa, mesmo! Um adendo: o único jornal que considero totalmente isento é o Sensacionalista. Como eles mesmos dizem, é um jornal isento de conteúdo!

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