A necessidade de segundo turno só serviu pra uma coisa: para o presidente molusco, seus “cumpanheros”, todo seu secto, toda a sua corte de “nobres” e “pensadores”, toda a corja de malfeitores com que se juntou nesses últimos oito anos, para “garantir a governabilidade” ficarem mais ligadinhos. Perceberam que comprando votos com bolsas família e fazendo pirotecnias em cima de projetos com mais alarde do que fins práticos, como o PAC, Minha Casa Minha Vida, etc, ainda assim não estão seguros no poder, como já se imaginavam. Terão que disputar ainda mais um turno, com o segundo colocado no primeiro. Que não é exatamente quem eu gostaria.
Quanto à “verdadeira” função de um segundo turno em uma eleição... alguém acredita, mesmo, que o tal do debate de idéias, os projetos, que isso seria realmente discutido! ÓBVIO que não! Não acredito em discussões de idéias numa eleição, seja no primeiro, ou no segundo turno! Sobretudo nas eleições deste ano, em que, mais uma vez, a disputa fica entre os representantes dos dois partidos que mais favoreceram, já nos últimos dezesseis anos, a bipolaridade e a evasão da discussão política.
Você nega, a maioria dos seus amigos nega, a maioria dos seus conhecidos também nega, os adversários do seu candidato – seja qual for – negam, mas já é fato consumado: o debate de idéias e a discussão de propostas, de governo, de poder, simplesmente não apareceram, sequer no primeiro debate em rede de televisão deste segundo turno. Qualquer tentativa de expor-se uma idéia qualquer que seja se esvai em meio a trocas de farpas e acusações, discussões banais e sem sentido sobre quem é mais religioso, quem tem biografia, quem é do bem e quem é do mal.
O atual governo, do presidente molusco, nos seus quase oito anos, se encarregou de apropriar-se de feitos do governo anterior, como o controle da inflação, o plano Real, o assistencialismo governamental – e agora político/constrangedor – do bolsa escola, que teria sido “melhorado”, na forma do atual bolsa família. Seus companheiros, irmãos em armas, iguais, seu secto, sua corte e seus comparsas se encarregaram de propagar aos quatro ventos a grande mentira, que antes do “pai do povo”, o presidente molusco, nada aqui existia. Todas as boas idéias do governo anterior continuam “funcionando” porque ELE é quem governava já naquele tempo e dava as diretrizes para o trabalho que deveria ser feito e por ele continuado, após 2002. O quê: não é o que foi dito? Não é o que estão insistindo em dizer, na propaganda eleitoral da “escolhida” do grande molusco? Então é mais uma “calúnia” que teria sido engendrada pela “galera do mal” que se esconde atrás de spans e mensagens de internet que os atuais donos do poder – muitos dos quais os mesmos de sempre, que apenas mudaram de lado, como Sarney, Barbalho, Braga, Mendes, Simon, Maluf, dentre tantos outros – estariam tentando, de todas as formas, apagar todos os feitos dos governos anteriores, ou creditando ao grande molusco, muitos deles? É mentira então que o grande molusco elogiou os governos militares das décadas de 60 e 70, por alguns feitos. Só pode ser! Difamação patrocinada pelos grandes vilões donos da grande mídia!
Este mesmo presidente, este imperador, este déspota pouco esclarecido e todo seu secto, no entanto, fizeram uma ferrenha campanha política de excomunhão do tucanato de FHC, e de qualquer um que admita, ou elenque, qualquer bom feito daquele governo.
O povo não tem memória curta, tem memória seletiva. E os governantes, tanto os atuais, quanto os anteriores, buscaram por tirar proveito disso. Você nega, teus amigos negam, teus inimigos também negam, mas nada disso vai transformar em factóides o que são fatos. Não aceitar, fingir não ver, procurar esconder, fazer por todos os meios calar as vozes que insistem em relembrar certas coisas inconvenientes, não mudam os fatos.
O governo anterior criou os mecanismos, o atual só fez uso das ferramentas e todos estamos nivelados por baixo. Os marketeiros da escolhida do grande molusco, em seus comerciais, tentam vender a imagem de vilões do tucanato, cobrem nossos olhos com um véu de esquecimento, escondendo quem criou o que hoje é o seu carro-chefe, a esmola institucional chamada bolsa família, e que um dia chamou-se bolsa escola, falam no que antes seria coisa de rico e coisa de pobre. Oh, porque agora o pobre também pode chegar a universidade!, tentam “argumentar”. Conheço muito pobre que, antes deste governo do molusco – não muito antes, no tucanato, na verdade – cursava faculdade. Particular. Estudaram “toda vida” em escola pública. Quando foram fazer uma graduação em ensino superior, tiveram de recorrer a uma universidade particular, sacrificaram-se, deixaram de adquirir as poucas coisas que poderiam ter adquirido com o suor do seu trabalho para ter um diploma. Universidades PÚBLICAS eram para os “ricos”. Acontece que agora o “pobre”, desde que se declare como “de cor”, muitas vezes, tem acesso a uma universidade pública: sucateada, sem professores, ou quando os tem, são despreparados e desmotivados, ou quando são motivados, o são por ideologias politico-partidárias. “Oh, mas antes o futuro do pobre era incerto”, voltam a “argumentar”, “agora a coisa está diferente!”. Verdade, estão diferentes. Antes, futuro incerto era “coisa de pobre”. Não por causa do tucanato, senhores, isso vinha de longa data, desde muito antes do tucanato. Agora, graças ao governo do grande molusco, não importa a classe social, religião, cor da pele, preferência sexual, partidária, ou clubística. Você, eu, seu vizinho, nossos amigos e inimigos, TODOS temos um futuro absolutamente incerto! Tudo bem, graças ao governo atual e aos anteriores também. Graças à sanha consumista do ser humano. Todos os governos têm maneiras CIVILIZADAS de diminuir esta sanha. No mundo todo. Mas sou brasileiro. Quero saber, o que este governo de agora, o governo do grande molusco, fez a respeito disso? “Oh, mas nenhum governo pensa no futuro!”. Argumentam e eu concordo. Verdade, nenhum governo neste país jamais pensou no futuro, a não ser em maneiras de se perpetuar no poder. Mas isto não exime o grande molusco de culpa. Tampouco FHC.
Não deixo de valorizar o que o grande molusco fez de bom. Não nego o valor do que de bem foi feito por quem antes ocupou a cadeira na qual o molusco hoje senta. Mas foram dezesseis anos de avanços pífios e empáfia homérica. Não quero voltar ao que era antes, pura e simplesmente, nem seguir mudando o rumo pra onde nos dirigimos agora. Não é um que fez menos que o outro. AMBOS fizeram MUITO MENOS do que poderiam ter feito. AMBOS se uniram a gente da pior espécie, em nome de uma pretensa governabilidade. Não suporto mais as informações “altamente relevantes” que me empurram pra me convencer que este ou aquele fez o que podia ter feito. Que o pouco que me é apresentado é tudo o que merecemos. Você que reclama do slogan da prefeitura da sua cidade, que questiona se tem, ou não, aquilo que realmente merece, tem coragem de me dizer que está contente com o rumo que o país tomou nos últimos dezesseis anos? Pois é...
Seja o pupilo do senhor FH, ou seja a escolhida do grande molusco, nenhum deles fará o que realmente deve ser feito. Qualquer um dos dois se contentará em fazer o mínimo. Apenas para perpetuar a si e a seus colegas no poder. Não me venham com o “argumento” de que temos de nos contentar em escolher o “menos pior”. Não existe nem mais, nem menos. Ninguém me convenceu até agora de que essas são as melhores escolhas de modelo de país que temos. Nem vai me convencer! Menos pior AINDA ASSIM é o pior. Não me sinto nem um pouco inclinado a desperdiçar meu voto com qualquer um desses que aí estão. O teu melhor, amigo, pra mim é o pior, e o pior é muito pouco... isso daí não dá pra nivelar por baixo ainda!

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