PESCANDO NO BODOSAL

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Micareta Eleitoral: O Golpe do Golpe de Estado!

Hoje, nem estão falando tanto. Ontem, tava aquele verdadeiro carnaval fora de época! E eu aqui com cara de turista gringo que não tá entendendo nada, diante das tuitadas ferozes – e outras bem menos – na internet: “eu não estar entendendo, o carnival não foi em febrerou?” Pois é. Duvido que algum turista americano leia este blog (graças a Deus!), então não sei se há quem entenda o que estou dizendo. Enfim! Hoje, fora as linhas que li nos jornais impressos – Zero Hora, mais especificamente – e on-line, ninguém também falou sobre o debate. Talvez seja o dia, talvez seja por ser começo de fim de semana, atípico, mas ainda assim fim de semana, sexta-feira, moçada pensando mais na balada, nos agitos, em sair pra zoeiras, bebedeiras, pegar umas gatas... eu, particularmente, a esta hora, 13:12h, horário de Manaus – embora na Grande Porto Alegre, acrescente uma hora – estaria pensando já no sabor da pizza, naquela belíssima Norteña estupidamente gelada me esperando, no filme, ou episódio de House, que iria assistir. Por causa de uma provável rinite alérgica, hoje não é o caso. Pois nem sobre o tal do debate da rede glóbulo vi falarem muito! Ou quase ninguém viu, ou a grande maioria estava de acordo com aquele que disse: “o debate da Globo foi tão morno que eu não lembro o que foi dito, você não lembra o que foi dito e hoje, nem o Plínio Arruda lembra o que foi dito!” E eu não duvido, mesmo, que até o velho tenha esquecido o que debateu ontem à noite, com os outros candidatos... se perguntar pra ele quem estava lá debatendo com ele, Plínio ainda vai te dizer que eram João Goulart, Jânio Quadros e Tancredo Neves! Todos garotões, que nem ele... Mas olhe, hoje eu tinha certeza que ia ver principalmente uns blogueiros “de esquerda da vera” tocando o terror, falando do grande golpe que foi desbaratado em Equador, ontem! Que de golpe, não teve absolutamente nada, vale dizer. Ontem as notícias que vinham eram no calor do momento, Equador em estado de exceção, policial nas ruas, protestando contra o governo do presidente Rafael Correa, que diga-se de passagem, é uma flor de pessoa, manifestantes tomando conta de quartéis policiais e até do aeroporto de Quito. Tá, quando acontece uma coisa dessas você já pensa “pronto, $£deu, mais uma revolução, voltamos aos golpes de Estado na América Latrina!”, porém a história não é bem assim, e o buraco é bem mais embaixo. Hoje, nos jornais da manhã, particularmente o global e o da Bandeirantes, que são os que consigo ver – não sou blogueiro engajado, da esquerda, do PCB, não tenho curso de jornalismo, não trabalho em portal de afiliada da Globo, nem tenho tevê a cabo – pela manhã, dão conta que a tal “tentativa de golpe” não era EXATAMENTE uma tentativa de golpe. Realmente, quando falaram em POLICIAIS mantendo refém o presidente equatoriano, e disseram que o EXÉRCITO do país tinha um plano de ação para resgatá-lo de dentro de um hospital pra onde fora levado, eu desconfiei que se tratasse, mesmo, de um golpe, de uma tentativa pra derrubar o presidente e derrubar o governo daquele país. Ah, o carnaval ontem à noite tava bonito, já tava entrando até o bloco do “fora ianque”, botando pilha, dizendo que os malditos americanos é que tinham feito a cabeça dos manifestantes, pra tomar conta dos quartéis e das ruas, e que depois tinha ficado só assistido, de camarote! Aham, Cláudia, senta lá! E ainda quiseram comparar o que acontecia no Equador com aquela patacoada lá de Honduras, com aquele cretino, o tal Manuel Selaya! Não é nem parecida, que dirá igual, imbecil! Por isso, cheguei a comentar, hoje pela manhã: o pessoal tá muito ligado na campanha eleitoral, então qualquer coisa tem que ser exagerada, tem que ganhar cores vivas, que nem os meninos do Restart! Uns exageraram nas informações oficiais do governo equatoriano, outros nas trazidas pelas redes internacionais, ou por gente daqui que tá por lá. Tudo pra dar a impressão de que “quem vota na esquerda, tá a favor do presidente Correa, quem vota na direita, tá contra”. Quer maior prova disso que caboclo insinuar um grande complô estadunidense contra o governo equatoriano!? De novo: Aham, Cláudia, senta lá!

Vamos deixar bem claro isso daí, pra não ficar ninguém pensando leseira que não tem nada haver: no Equador, o que houve, foi um motim. O presidente Correa, que é tão simpático quanto a Dilma de tpm, mandou pro congresso equatoriano um decreto-lei que, sendo aprovado, reduziria o soldo dos policiais equatorianos. Veja: o soldo = salário dos policiais militares do Equador = funcionalismo público!! E tem gente que se diz socialista e pró-revolução que defendeu o referido presidente, como se, DE FATO, fosse vítima de um golpe, ou complô! Pera só um pouquinho! Não, né!? Vamo combinar... pra nós, exigem redução das horas semanais de trabalho, aumento dos salários e inchaço do Estado, agora, pra nossos hermanos, isso não vale!? É isso mesmo que eu entendi!?? Tem alguma coisa de muito errado nisso daí... Pois voltando à linha de raciocínio: Correa, o Lula quando é proibido de beber, lançou essa bomba dentro do congresso nacional daquele país lá, decretou que vai cortar os vencimentos dos policiais militares e não tem choro nem vela; os policiais ficam contrariados, vão ao sindicato, pedem pra negociar, o governo nem quer ouvir, eles ficam MAIS contrariados!, faz-se greve, fazem-se protestos, organizam manifestações, a solução não vem, aí vai acontecer o quê? Descamba pra um motim. Caboclo invade quartel, toma conta de aeroporto, bate pé, não arreda do lugar, quer porque quer ser ouvido, pelo menos, quer que seus patrões – no caso o governo, que no caso é representado pelo presidente – pelo menos se disponham a escutar, a apresentar contra-propostas! Aí, o tal do presidente lá, o Rafael Correa, que é tão simpático quanto um pitbull sem focinheira, nem coleira, vai até o quartel, na capital, faz um discurso, todo emocionado, inflamado, e de seu lado também bate o pé e diz que não e não, não vai dar pra trás, vai cortar o soldo dos polícia, e que vão reclamar pro bispo! Não sei... ele esperava o que, depois de dizer isso? Que iam lhe aplaudir e dar-lhe vivas? Não, né... primeiro, que não era no Brasil, era no Equador, segundo, que ele não é o Lula, e descobriu isso da pior forma, e terceiro, bem... deixa pra lá! Imagine se o presidente Lula fosse até uma sede do INCRA, invadida pelos sem-terras. Eles querendo forçar o presidente a demarcar umas terras pra lá do rio Xingu, por exemplo. Ele chega lá, faz seu discurso, diz que se solidariza, mas diz que não vai demarcar aquelas terras, que estão reservadas pra uma tribo indígena, ou pra construção de uma barragem, qualquer coisa assim. O que acha que ia acontecer, depois que o presidente terminasse de falar? No máximo, amigo, rolavam umas vaias. Merecidas, não há dúvida. Mas aquilo que se deu no Equador, aqui não aconteceria... isso é fato! E não queiram mais me fazer a comparação do motim lá dos policiais equatorianos com o tal do golpe em Honduras. Que o ex-presidente Selaya tentou dar, mas não levou! Que foi apoiado abertamente pelos presidentes do Brasil, Equador, Bolívia e Venezuela (por que não me surpreendo?)! Lá, o então presidente tentou mudar a constituição, pra imitar seus amiguinhos venezuelano e brasileiro, e poder se reeleger também, poder se perpetuar no poder, ele e seus comparsas, digo, companheiros! E essa lei, em Honduras, não pode ser mudada, é contra a lei sequer cogitar mexer nessa lei: lá, você se elege uma vez a um cargo público e cumpre seu mandato, deu, acabou-se, deixa a cadeira pra outro! Num mundo perfeito, isso seria o modelo ideal! Esse modelo de Honduras, aqui e nos países nossos vizinhos, isso é altamente criticável. Só que, se lá funciona assim, quê que nós temos que nos meter!? Nosso presidente não pensou assim... o cara que tentou mudar a lei naquele país, automaticamente perdeu seu cargo de presidente, é da lei, por lá, tinha que deixar a cadeira, tinha que assumir o presidente do congresso, tinham que chamar novas eleições. ELE, o tal do Selaya, se rebelou contra o sistema do qual ELE fazia parte! Juntou uma dúzia de cupinchas, ops, digo, correligionários e tentou, à força, na marra, manter-se no poder, como presidente! Afinal de contas, o que os nossos presidentes (do Brasil, Venezuela, Bolívia, etc.) esperavam? Que os hondurenhos pagassem a conta de ter um presidente ordinário, que ficassem com ele encostado lá, no palácio presidencial, pra sempre?! Se bem que, lá, ia ser legal, não é?! Se fosse aqui, não podia... ou podia!? Ah, sim, depende de quem fosse fazer isso, né... pois não depende, se você é ético, como diz, você sabe que não é! O que tem que prevalecer é o Estado de direito, e não esses democratas de faz-de-conta! Só lembrando: dia 3 de outubro é depois de amanhã! C vê aí o que você quer... vê quem tá repetindo as mentiras do presidente equatoriano, do tal do golpe... não caia no golpe! Não vai ser rupinol, não, vai ser venezuelização! Fica atento!

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