Hoje chamam de mini mercado, ou mercadinho, mas, na nossa infância, chamavam de armazém, venda, ou taberninha... local onde você encontra de tudo: pão, misturas, erva mate e pupunha a granel, pirarucu seco pro almoço de sexta-feira santa, uma caninha da boa, envelhecida em barris de carvalho e um ou dois dedos de prosa... entre e fique a vontade!
segunda-feira, 4 de outubro de 2010
Me dá uma dica!
Não estou muito tuiteiro. Ressaca das eleições? Não! Na verdade, não! E olhe que encarei fila de uns vinte minutos, pra votar na minha seção. Soube de seções em que as pessoas esperavam em filas quilométricas, até 3 horas, pra poderem votar! Falam de problemas com o tal do voto biométrico, aquele em que você tinha que botar o dedão numa maquininha, pra ser reconhecido, e só aí, votar. Imagino que deva ter tido algum, novidade, sacumé!? As pessoas têm que se adaptar a esse algo novo, nem todo mundo consegue, aquela coisa toda. Até hoje, tem gente que não se habituou com a urna eletrônica. Por exemplo: na minha frente, havia uma senhora votando. Votando é força de expressão, ela tava era digitando na urna, como deve digitar no caixa eletrônico do banco, pra tirar sua mirrada aposentadoria. “Olha o preconceito...” me dirão. Mas quem duvida, é louco, mermão! É louco e não sabe, que eu tenho perfeita noção de minha insanidade! Pois ela digitou direitinho – digamos assim – até o segundo voto ao senado. Pelo que pude notar, ela só votou na legenda, para deputados estadual e federal, e escolheu apenas um senador. Depois, ficou se demorando, sem lembrar os outros números dos candidatos em quem pretendia votar – se é que tinha noção do que tava fazendo ali! Num determinado momento, aquela senhora se sai com essa: “Meu filho – dirigindo-se ao presidente de mesa – me dá uma dica aí, de um candidato...” “ME DÁ UMA DICA!!!” Quanta gente há, por aí, que não deve ter pedido o mesmo para os mesários de sua seção? E quantos mesários não sucumbiram à tentação de “guiar” o pobre eleitor desinformado para “votar certo”, ou em outras palavras, no SEU candidato?! Lembro da primeira eleição em que trabalhei como mesário. Coincidentemente, a primeira com o voto eletrônico em todas as cidades. Lembro que o presidente de mesa parecia especialmente solícito com esse tipo de eleitores, os que vão lá sem saber direito nem o número dos candidatos em quem têm de votar. Ele nos olhava ansioso, esperando que fôssemos favoráveis a que desse “umas dicas” para o amigo eleitor em dificuldade. Alguns mostravam-se receosos, outros, mais afoitos, demonstravam-se favoráveis às “dicas”. Eu era contrário. Se a pessoa não tem candidato, que vote em branco, que anule o voto! Simples assim! Se tem, mas não tem certeza de que vai lembrar lá, na hora, anota os números num papel! O presidente da minha seção tinha até colinhas padronizadas pra disponibilizar, onde você só fazia anotar os números dos candidatos em quem iria votar, não é difícil. Mas ele não podia dar dica nenhuma de candidatos pros eleitores! E ele agiu certo, não deu dica nenhuma! Disse pra aquela senhora que, caso não tivesse candidato, que digitasse a tecla “branco” depois a tecla verde, pra confirmar que votou em branco! Aí ele não se compromete, e a eleitora não vota pela cabeça dos outros! Tava mais do que certo! Eu até pensei que ia acabar anulando algum voto. Não tinha candidato a deputado federal, nem segundo candidato ao senado. Pensei seriamente em fazer a brincadeira de digitar 666 para o segundo voto ao senado. Acabou só na vontade! Agora não vejo mal algum em abrir meu voto. O primeiro turno já passou mesmo... e se pra alguém, ainda era segredo sobre qual meu candidato a presidente da República, bem... sinto muito! Nunca fiz segredo sobre, era só você ter prestado um pouco mais de atenção! Pela ordem da urna, votei na reeleição de Mano Changes a deputado estadual, o cara tem uma única proposta, a da inclusão digital, mas vá lá, é uma boa proposta. Depois, digitei o número do partido da candidatura a presidência em quem pretendia votar. Eu sei, seria voto pra deputado federal, pela ordem da urna, mas eu não tinha nenhum candidato em mente, então votei no partido. E isso que pensei em votar 24, ou 69, o que anularia o voto! Depois, votei 111, Ana Amélia Lemos para o senado. Era a única candidata que tinha meu voto, certo. O segundo ao senado foi 151, Germano Rigotto, ex-governador do Rio Grande do Sul. Na realidade, votei pensando no segundo suplente, caso Rigotto se elegesse. Não se elegeu. Não que esperasse que se elegesse... por fim, votei na candidata à reeleição para o governo do Estado, Yeda Crusius, 45. Sabia que não se reelegeria, nem iria pro segundo turno, mas os outros dois candidatos que estavam à frente não me convenceram. Então, fui um dos mais de 20 milhões que votaram em Marina Silva, do PV, 43. É, eu sei, tinha gente que votou sabendo que a coisa não tá assim tão boa, mas que “não podia perder as conquistas”... outros tantos votaram pensando que só havia uma alternativa a esses que estão aí no governo... mas sacumé... não queria votar pela dica de ninguém!
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