PESCANDO NO BODOSAL

quinta-feira, 28 de junho de 2012

Quem Foi Rei...


Diz a tradição que quem é rei, nunca perde a majestade. Mas a cultura popular nega certos ditados. Reescreve-os. Tira a majestade do ex-rei, mesmo quando não a quer.
David era rei. Entrou na arena e peleou com o que tinha de melhor, a sua voz, a sua vibração, a sua garra, o seu modo de incendiar o povo e provocar seus adversários. David rei virou Golias, se agigantou, tornou-se maior, tornou-se imbatível. Tomava a frente nas batalhas e levava seu povo a vitórias grandiosas!
Parecia, de fato, que o grande rei jamais perderia sua coroa, sua majestade, parecia até que, depois dele, não viria mais ninguém. Os adversários tentaram, por anos, encontrar um líder como ele, alguém que pudesse equiparar-se, que pudesse, enfim, desbancá-lo. Nunca o conseguiram...
Não parecia, também, que o rei David, agigantado por seu talento e por seu povo, fosse renunciar ao seu reino e a sua realeza, que renunciaria a todo seu poder assim, tão facilmente.
Porém, por força da grana, que ergue e destrói coisas belas, ele renunciou, deixou o povo sem rei, mudou de lado, de nação, e o fez de muito bom grado. O povo do outro lado não o engoliu assim, de boa vontade, mas a “lógica de mercado” de seus aristocratas procurou curvá-los e conseguiu seduzi-lo.
Deram-lhe uma nova coroa, mais rica, mais reluzente, deram-lhe um título ilusório de imperador. David pensou, assim, que se tornaria ainda maior, que o povo do seu novo “império” fosse apoiá-lo da mesma forma, que seu antigo povo iria continuar a amá-lo como antes. Deixou de lado a garra e a gana com que sempre lutara, na arena. Deixou de projetar a voz como antigamente. Achou que não precisava mais se empenhar, apequenou-se!
De outro lado, o jovem Sebastião veio de longe, de outro reino, humilde e inteligentemente. No primeiro ano, não se soltou, o uirapuru não abriu completamente suas asas. Estava se estudando, estudando seu adversário, o ex-rei. No segundo ano, o uirapuru virou Príncipe e, junto do valoroso apresentador, seu companheiro de arena, tomou a frente do povo da Baixa e o levou a uma vitória clamorosa, uma vitória em que o até então imbatível “imperador”, com seu título pomposo, maior que aquele com o qual fora tantas vezes campeão, fosse, enfim, abatido.
E aquela tradicional máxima se confirmou: quanto mais alto se levantar, maior será a queda. Sempre!


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