Diz
a tradição que quem é rei, nunca perde a
majestade. Mas a cultura popular nega certos ditados. Reescreve-os.
Tira a majestade do ex-rei, mesmo quando não a quer.
David
era rei. Entrou na arena e peleou com o que tinha de melhor, a sua
voz, a sua vibração, a sua garra, o seu modo de
incendiar o povo e provocar seus adversários. David rei virou
Golias, se agigantou, tornou-se maior, tornou-se imbatível.
Tomava a frente nas batalhas e levava seu povo a vitórias
grandiosas!
Parecia,
de fato, que o grande rei jamais perderia sua coroa, sua majestade,
parecia até que, depois dele, não viria mais ninguém.
Os adversários tentaram, por anos, encontrar um líder
como ele, alguém que pudesse equiparar-se, que pudesse, enfim,
desbancá-lo. Nunca o conseguiram...
Não
parecia, também, que o rei David, agigantado por seu talento e
por seu povo, fosse renunciar ao seu reino e a sua realeza, que
renunciaria a todo seu poder assim, tão facilmente.
Porém,
por força da grana, que ergue e destrói coisas belas,
ele renunciou, deixou o povo sem rei, mudou de lado, de nação,
e o fez de muito bom grado. O povo do outro lado não o engoliu
assim, de boa vontade, mas a “lógica de mercado” de seus
aristocratas procurou curvá-los e conseguiu seduzi-lo.
Deram-lhe
uma nova coroa, mais rica, mais reluzente, deram-lhe um título
ilusório de imperador. David pensou, assim, que se tornaria
ainda maior, que o povo do seu novo “império” fosse
apoiá-lo da mesma forma, que seu antigo povo iria continuar a
amá-lo como antes. Deixou de lado a garra e a gana com que
sempre lutara, na arena. Deixou de projetar a voz como antigamente.
Achou que não precisava mais se empenhar, apequenou-se!
De
outro lado, o jovem Sebastião veio de longe, de outro reino,
humilde e inteligentemente. No primeiro ano, não se soltou, o
uirapuru não abriu completamente suas asas. Estava se
estudando, estudando seu adversário, o ex-rei. No segundo ano,
o uirapuru virou Príncipe e, junto do valoroso apresentador,
seu companheiro de arena, tomou a frente do povo da Baixa e o levou a
uma vitória clamorosa, uma vitória em que o até
então imbatível “imperador”, com seu título
pomposo, maior que aquele com o qual fora tantas vezes campeão,
fosse, enfim, abatido.
E
aquela tradicional máxima se confirmou: quanto mais alto se
levantar, maior será a queda. Sempre!

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