Sim,
nós compreendemos, você está indignado!
Compreendemos sua ira, sua raiva pela infâmia perpetrada pelos
nobres senhores, donos do poder na cidade e/ou no Estado. Sim,
concordamos, também nos sentimos indignados com o rumo que
tudo isso tomou, também nos incomodou tamanha sanha, tamanha
perseguição. Entendemos que, no calor da emoção,
sua zanga possa ter sido mal direcionada. Acontece! Por isso mesmo,
não podemos concordar com a ideia, de um certo modo ingênua,
de que a cidade e o Estado onde ora vive o amigo, de onde vêm
notícias de escândalos cada dia mais escabrosos, são
os piores em toda a “Federação”.
Ok,
sua ira tem toda razão de ser, já concordamos com isso,
já foi dito aqui, estamos um tanto distantes para saber
direito o estado das coisas, no momento presente – embora, ano
passado, tenha-se estado na região, vendo de perto a situação
da terra que... desculpe... se ama. Sim, se ama! Por motivos que já
foram amplamente discutidos e que, por ora, não vêm ao
caso! Sim, sabe-se que o amigo tem, digamos, um ponto diferenciado,
por estar no olho do furacão, de certa forma. Por isso, apenas
por isso, entende-se que se dirija tamanha ira para os que estão
ao seu redor, que não reagem diante dos acontecimentos, por
razões que, cremos, desconhecemos ambos. Cada um sabe onde
aperta o calo, o amigo deve saber bem disso. Talvez, com a cabeça
quente, não tenha percebido o peso das próprias
palavras, ainda. O peso do quase ódio que destila contra a
cidade, o Estado, seu povo. Considera-se uma certa ingenuidade, a
qual, sabe-se, o amigo não é lá muito dado,
achar que deva-se desistir desse chão, da terra onde nasceu,
onde seu nome tem alguma relevância. Pensar que, dentro da
mesma Federação, casos parecidos não ocorram com
a mesma frequência, ou, quem sabe, até maior, imaginar
que, fora da terrinha, as coisas são muito diferentes, que não
há uma “nata” de políticos, magistrados e imprensa
rapinando humildes cidadãos e regiões, ou que sua
região é muito diferente de outras, no pior sentido da
expressão.
Não,
desculpe, não é. Esperamos que o link a seguir lhe
ajude a entender. A notícia é antiga. Não se
falou mais no caso. As pessoas “certas”, provavelmente, foram
caladas. Vamos dar uma pincelada: um secretário municipal
começou a denunciar esquema de corrupção no
serviço de coleta de lixo na capital do Estado. No esquema
estariam mancomunados uma empresa terceirizada, o secretário
municipal da pasta de limpeza pública, alguns vereadores,
gente ligada ao governo ESTADUAL, à época, etc. Em
2010, o referido secretário municipal – da pasta da Saúde,
perceba – fora abordado por dois homens, na saída de um
culto religioso e morto com tiros à queima-roupa, na frente de
familiares. Não havia policiais próximo ao local,
segundo testemunhas, a Brigada demorou a atender, etc. A Polícia
Civil teria feito uma investigação relâmpago, que
apontava para “latrocínio”, como o provável motivo
do crime. A família do secretário não confirmou
a versão oficial, setores da imprensa aceitaram rapidamente
tal versão, outros setores, cuja orientação
política era, à época, oposicionista, não
a aceitaram, refutaram, melhor dizendo. Somente dois anos depois,
começou-se a falar abertamente no assunto, novamente, novas
informações, omitidas anteriormente, foram trazidas à
tona. O amigo sabe onde aconteceu isso? “Ah... em alguma cidade do
interior do meu Estado”, talvez imagine. Não, caro, o caso
deu-se há milhares de kilômetros de sua cidade, mais
propriamente em Porto Alegre, capital do Rio Grande do Sul! Sim, no
Sul do Brasil ocorrem essas coisas, também! Por ser, como no
caso da capital do seu Estado, uma região periférica,
imagina-se que tal fato nem tenha chegado a seu conhecimento.
Desculpe por destruir-se, aqui, sua ilusão, mas se seus amigos
devem desistir de sua cidade e de seu Estado, é melhor
desistirem, também, do nosso país! O que ocorre no
Norte, muito provavelmente, terá semelhante, ou equivalente,
no Sul, e vice-versa. Ou permanece-se e luta, amigo... ou desiste-se
de vez do todo! A expressão “não tá fácil
pra ninguém” nunca foi tão verdadeira, na situação
atual.
Está
perigoso ter-se opinião, ponto de vista, denunciar o que há
de errado, etc... em qualquer lugar que você for! Essa
peculiaridade não é só da sua terra. Se não
serve de consolo, ao menos, que sirva de alerta.
Caso Eliseu Dois Anos Depois

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