PESCANDO NO BODOSAL

sexta-feira, 1 de junho de 2012

Nada Tão Diferente Assim, Aníbal!


Sim, nós compreendemos, você está indignado! Compreendemos sua ira, sua raiva pela infâmia perpetrada pelos nobres senhores, donos do poder na cidade e/ou no Estado. Sim, concordamos, também nos sentimos indignados com o rumo que tudo isso tomou, também nos incomodou tamanha sanha, tamanha perseguição. Entendemos que, no calor da emoção, sua zanga possa ter sido mal direcionada. Acontece! Por isso mesmo, não podemos concordar com a ideia, de um certo modo ingênua, de que a cidade e o Estado onde ora vive o amigo, de onde vêm notícias de escândalos cada dia mais escabrosos, são os piores em toda a “Federação”.
Ok, sua ira tem toda razão de ser, já concordamos com isso, já foi dito aqui, estamos um tanto distantes para saber direito o estado das coisas, no momento presente – embora, ano passado, tenha-se estado na região, vendo de perto a situação da terra que... desculpe... se ama. Sim, se ama! Por motivos que já foram amplamente discutidos e que, por ora, não vêm ao caso! Sim, sabe-se que o amigo tem, digamos, um ponto diferenciado, por estar no olho do furacão, de certa forma. Por isso, apenas por isso, entende-se que se dirija tamanha ira para os que estão ao seu redor, que não reagem diante dos acontecimentos, por razões que, cremos, desconhecemos ambos. Cada um sabe onde aperta o calo, o amigo deve saber bem disso. Talvez, com a cabeça quente, não tenha percebido o peso das próprias palavras, ainda. O peso do quase ódio que destila contra a cidade, o Estado, seu povo. Considera-se uma certa ingenuidade, a qual, sabe-se, o amigo não é lá muito dado, achar que deva-se desistir desse chão, da terra onde nasceu, onde seu nome tem alguma relevância. Pensar que, dentro da mesma Federação, casos parecidos não ocorram com a mesma frequência, ou, quem sabe, até maior, imaginar que, fora da terrinha, as coisas são muito diferentes, que não há uma “nata” de políticos, magistrados e imprensa rapinando humildes cidadãos e regiões, ou que sua região é muito diferente de outras, no pior sentido da expressão.
Não, desculpe, não é. Esperamos que o link a seguir lhe ajude a entender. A notícia é antiga. Não se falou mais no caso. As pessoas “certas”, provavelmente, foram caladas. Vamos dar uma pincelada: um secretário municipal começou a denunciar esquema de corrupção no serviço de coleta de lixo na capital do Estado. No esquema estariam mancomunados uma empresa terceirizada, o secretário municipal da pasta de limpeza pública, alguns vereadores, gente ligada ao governo ESTADUAL, à época, etc. Em 2010, o referido secretário municipal – da pasta da Saúde, perceba – fora abordado por dois homens, na saída de um culto religioso e morto com tiros à queima-roupa, na frente de familiares. Não havia policiais próximo ao local, segundo testemunhas, a Brigada demorou a atender, etc. A Polícia Civil teria feito uma investigação relâmpago, que apontava para “latrocínio”, como o provável motivo do crime. A família do secretário não confirmou a versão oficial, setores da imprensa aceitaram rapidamente tal versão, outros setores, cuja orientação política era, à época, oposicionista, não a aceitaram, refutaram, melhor dizendo. Somente dois anos depois, começou-se a falar abertamente no assunto, novamente, novas informações, omitidas anteriormente, foram trazidas à tona. O amigo sabe onde aconteceu isso? “Ah... em alguma cidade do interior do meu Estado”, talvez imagine. Não, caro, o caso deu-se há milhares de kilômetros de sua cidade, mais propriamente em Porto Alegre, capital do Rio Grande do Sul! Sim, no Sul do Brasil ocorrem essas coisas, também! Por ser, como no caso da capital do seu Estado, uma região periférica, imagina-se que tal fato nem tenha chegado a seu conhecimento. Desculpe por destruir-se, aqui, sua ilusão, mas se seus amigos devem desistir de sua cidade e de seu Estado, é melhor desistirem, também, do nosso país! O que ocorre no Norte, muito provavelmente, terá semelhante, ou equivalente, no Sul, e vice-versa. Ou permanece-se e luta, amigo... ou desiste-se de vez do todo! A expressão “não tá fácil pra ninguém” nunca foi tão verdadeira, na situação atual.
Está perigoso ter-se opinião, ponto de vista, denunciar o que há de errado, etc... em qualquer lugar que você for! Essa peculiaridade não é só da sua terra. Se não serve de consolo, ao menos, que sirva de alerta.
Caso Eliseu Dois Anos Depois

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