Eurico
Miranda, deputado (ou ex), federal, foi, até a primeira metade
dos anos 2000, um controverso dirigente de futebol, acusado de usar o
cargo público para traficar influência, em favor do seu
clube, junto às federações, tribunais
desportivos e até mesmo no Congresso. Enfim, hoje a direção
do clube carioca, o Vasco da Gama, é outra, com o ex-craque
Roberto Dinamite à frente. E vários vascaínos,
agora, lembram com uma ponta de nostalgia, principalmente após
alguma derrota, do ex-dirigente que, até bem pouco tempo, era
um dos mais execráveis cartolas do futebol brasileiro.
Apenas
um dos maiores, já que o maior e mais controverso cartola foi,
até o fim do ano passado, ou início deste, o
aparentemente “imexível” Ricardo Teixeira. Mais de 20 anos
a frente da Confederação Brasileira de Futebol,
dirigindo-a com mão de ferro, majoritariamente a favor dos
clubes “brasileiros”, em detrimento dos “periféricos”,
mantendo uma relação de certa forma promíscua
com uma grande rede de comunicação, durante esse
período... ou, pelo menos, sendo acusado disso, ainda mais por
outros grupos de comunicação.
Até
que, por conta das inúmeras denúncias e investigações,
envolvendo seu nome, Ricardo, enfim, resolveu renunciar, pelo bem da
sua “saúde”. Todos disseram que o dirigente já
tinha partido tarde!
Em
seu lugar, assumiu um ex-dirigente da Federação
paulista, José Maria Marin. De fato, não houve nenhuma
grande mudança, nada de muito consistente, na forma de
administrar o futebol, em âmbito nacional. No entanto, por
alguma estranha, inexplicável razão, o atual presidente
da entidade começou a ser questionado, e já tem gente
que evoca o “santo nome” do doutor Ricardo Teixeira com uma
pontada de saudade de tempos que não mais vão voltar.
Estranhas
essas saudades, de tudo que não nos agradava antes, de pessoas
que víamos como atrasos de vida... enquanto participavam de
nossas vidas, enquanto governaram o país, ou, enfim, nos davam
aula, na faculdade, não valorizávamos seus pontos
fortes, só tínhamos olhos para seus defeitos. Verdade,
os homens têm o mau hábito de falar as piores
barbaridades da ex, enquanto estão com ela. Quando passa a ser
a ex, eles a vêem com outros olhos, ela torna-se novamente
interessante, sente-se falta da sua companhia, da sua
espirituosidade, etc. O inverso, algumas vezes, é verdadeiro.
Ela demonstra sentir nossa falta, algumas vezes, sendo que em outros
tempos negou existir essa possibilidade num futuro próximo.
É
como o ex-presidente Lula, que enquanto estava no governo, admitiu
certas qualidades dos mesmos “monstros desumanos” que governaram
o país, nos anos de chumbo, na “longa noite” da ditadura
militar. Sim, sabe-se que muita gente prefere esconder o que foi
dito. E após oito anos de governo Lula, onde seu nome fora
banido da discussão “política”, Fernando Henrique
Cardoso volta a ser lembrado, até com um certo carinho, por
parte, inclusive, de antigos opositores de seu governo... FHC mereceu
elogios até da atual presidente, Dilma Rousseff! Dependendo do
veículo de mídia, da empresa, ou grupo a que pertença,
isso é mais ou menos divulgado. Mas é um fato, para o
qual não temos uma resposta lógica, ou plausível
e que nos causa um certo constrangimento: mais cedo ou mais tarde,
alguém sentirá uma estranha nostálgica saudade
de um ex... qualquer coisa!


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