PESCANDO NO BODOSAL

segunda-feira, 25 de junho de 2012

Nostalgia do EX


Eurico Miranda, deputado (ou ex), federal, foi, até a primeira metade dos anos 2000, um controverso dirigente de futebol, acusado de usar o cargo público para traficar influência, em favor do seu clube, junto às federações, tribunais desportivos e até mesmo no Congresso. Enfim, hoje a direção do clube carioca, o Vasco da Gama, é outra, com o ex-craque Roberto Dinamite à frente. E vários vascaínos, agora, lembram com uma ponta de nostalgia, principalmente após alguma derrota, do ex-dirigente que, até bem pouco tempo, era um dos mais execráveis cartolas do futebol brasileiro.
Apenas um dos maiores, já que o maior e mais controverso cartola foi, até o fim do ano passado, ou início deste, o aparentemente “imexível” Ricardo Teixeira. Mais de 20 anos a frente da Confederação Brasileira de Futebol, dirigindo-a com mão de ferro, majoritariamente a favor dos clubes “brasileiros”, em detrimento dos “periféricos”, mantendo uma relação de certa forma promíscua com uma grande rede de comunicação, durante esse período... ou, pelo menos, sendo acusado disso, ainda mais por outros grupos de comunicação.
Até que, por conta das inúmeras denúncias e investigações, envolvendo seu nome, Ricardo, enfim, resolveu renunciar, pelo bem da sua “saúde”. Todos disseram que o dirigente já tinha partido tarde!
Em seu lugar, assumiu um ex-dirigente da Federação paulista, José Maria Marin. De fato, não houve nenhuma grande mudança, nada de muito consistente, na forma de administrar o futebol, em âmbito nacional. No entanto, por alguma estranha, inexplicável razão, o atual presidente da entidade começou a ser questionado, e já tem gente que evoca o “santo nome” do doutor Ricardo Teixeira com uma pontada de saudade de tempos que não mais vão voltar.
Estranhas essas saudades, de tudo que não nos agradava antes, de pessoas que víamos como atrasos de vida... enquanto participavam de nossas vidas, enquanto governaram o país, ou, enfim, nos davam aula, na faculdade, não valorizávamos seus pontos fortes, só tínhamos olhos para seus defeitos. Verdade, os homens têm o mau hábito de falar as piores barbaridades da ex, enquanto estão com ela. Quando passa a ser a ex, eles a vêem com outros olhos, ela torna-se novamente interessante, sente-se falta da sua companhia, da sua espirituosidade, etc. O inverso, algumas vezes, é verdadeiro. Ela demonstra sentir nossa falta, algumas vezes, sendo que em outros tempos negou existir essa possibilidade num futuro próximo.
É como o ex-presidente Lula, que enquanto estava no governo, admitiu certas qualidades dos mesmos “monstros desumanos” que governaram o país, nos anos de chumbo, na “longa noite” da ditadura militar. Sim, sabe-se que muita gente prefere esconder o que foi dito. E após oito anos de governo Lula, onde seu nome fora banido da discussão “política”, Fernando Henrique Cardoso volta a ser lembrado, até com um certo carinho, por parte, inclusive, de antigos opositores de seu governo... FHC mereceu elogios até da atual presidente, Dilma Rousseff! Dependendo do veículo de mídia, da empresa, ou grupo a que pertença, isso é mais ou menos divulgado. Mas é um fato, para o qual não temos uma resposta lógica, ou plausível e que nos causa um certo constrangimento: mais cedo ou mais tarde, alguém sentirá uma estranha nostálgica saudade de um ex... qualquer coisa!

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