Suas
amigas a convidaram para ir ao cinema, para assistirem juntas a um
desses filmes da moda, desses que as jovenzinhas adolescentes vão
suspirar e dar gritinhos pelos galãs do elenco. Daquele tipo
de filme ao qual se vai assistir sem o namorado, pois, dizem,
“falta-lhe sensibilidade para entender”... daquele tipo de filme
que não faz muito a sua cabeça, mas enfim, vá
lá, tudo bem, com as amigas, ela ia, iria ser divertido, mesmo
que não gostasse do filme.
Após
a seção, as amigas foram para a praça de
alimentação de um shopping, continuaram a conversa que
começaram, aos sussurros, há umas duas horas, na sala
de cinema. O filme em si não foi discutido. O roteiro, ela já
desconfiava, não era assim tão importante. As meninas
discutiam animadamente sobre os galãs da película. Como
eram belos, como o abdômen era bem definido, a expressão
do olhar, o sorriso, etc. Ela não tinha sido afetada por nada
disso. Tanto que, quando sentenciou: “são uns canastrões!”
um silêncio sepulcral tomou conta da mesa onde se reuniam.
Parecia que toda praça de alimentação se calara,
por alguns instantes. Ela sentiu o ambiente pesar um pouco, sentiu os
olhares das amigas, trespassando-a com chispas de animosidade. Deu um
sorriso forçado, balançou os ombros, soltou um tímido
“eu achei...”, quase constrangido.
Enfim,
o resumo daquela conversa toda, todas falando ao mesmo tempo e,
incrivelmente, se entendendo era: que todas sonhavam encontrar alguém
como o galã do filme, se não o próprio, em
pessoa! Todas, menos ela! Não era aquele seu “sonho de
consumo”.
Seu
galã não era famoso, não era nenhum artista
conhecido, não estampava capas de revista, nem fazia nenhuma
novela. Mas era ele quem lhe causava encanto. Era ele quem tomava
conta dos seus pensamentos, seus sonhos, despertos, ou dormidos. A
única coisa em comum com os astros do filme que vira com as
amigas era ele estava distante, falava com ele apenas nas redes
sociais, ele morava em outra cidade, em outra região. Não
fosse por isso...
Enquanto
suas amigas voltavam à conversa animada sobre o “instigante”
filme, ela se perdia em seus próprios pensamentos, sorria de e
para si mesma, imaginando que, não fosse pela distância,
com certeza o teria na sua vida. Pensou que, realmente, seria muito
bom ter alguém como ele junto dela...


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