Estava eu pensando a respeito dessas coisas do
coração... dessas ligações afetivas, quase familiares, desses laços que a gente
tem, com pessoas às vezes bem distantes de nós e que nem sempre só “afinidade”
consegue explicar. Laços que mantemos com pessoas, sem nem entender direito por
que os temos ainda, sem saber por que ainda sentimos, por que ainda gostamos de
quem gostamos... sentimo-nos estranhos, como se tivéssemos um casamento com
certas pessoas, como se fossem irmãos, ou filhas nossas, muito embora...
Na casa onde estou parado, as meninas estavam
discutindo, ou melhor, a mais velha das duas irmãs estava discutindo com a mais
nova, que resmungava e reclamava da comida, dizia não gostar da pele do frango
assado que eu havia buscado para almoçarmos, que a salada era virada só em
folha, etc. A mais velha estava impaciente, mas não saía do lado da outra,
querendo que a menina fizesse um esforço para comer direito. Dizia ter um
compromisso, foi repreendida pela irmã mais nova, por causa de suas saídas com
amigas, etc. e saiu-se com esta: “Você é minha filha? Ou meu marido? Que eu
saiba, não tenho filho, muito menos, marido!”
Se você visse a cena anterior, teria certeza de que
se tratavam, na verdade, de mãe e filha... apesar do que ela tinha acabado de
dizer! Vai saber... é, eu acredito nessas bobagens de vidas passadas,
imortalidade – e evolução – do espírito, de laços entre almas que vêm de muito
tempo, que se formaram em outras encarnações...
Esse, acho eu, é um desses casos. Se a irmã mais
velha, desde antes de conhecê-la, já tratava a irmã mais nova como sua criança,
como sua filha, fazendo tudo, praticamente, pela menina, inconscientemente ela
está sendo a mãe que, em uma outra encarnação deve ter sido, para ela. A menina
está entrando naquela fase fascinante da adolescência, está mais rebelde, e
tendo sido mimada... já viu! Por sua vez, a mais velha está rebelando-se,
agora, contra essa obrigação, que ela mesma se impôs, de cuidar e se
responsabilizar pela mais nova. Freud explica, como diria um ilustríssimo
professor... a mim parece que, realmente, são duas almas que se encontram
ligadas por laços muito fortes, muito profundos, que não vêm de agora, desta
atual relação consangüínea entre as duas.
De minha família, somos em quatro irmãos. Dos
quatro, um está casado desde os 19 anos, com a mesma mulher, teve dois filhos;
os outros dois casaram-se duas vezes, um foi pai só no primeiro casamento, o
outro tem um filho de cada. O único que sobrou fui eu, que nem o caçula sou e,
como já falei antes, não tive muitas grandes paixões, não fui casado, nem tive
filhos. Apesar disso, tem uma menina que, aos seis anos me chamou de paizinho,
na brincadeira, e brincando, brincando, seu paizinho fiquei sendo, desde então.
Constantemente a chamo de filha, minha filha, filhota... foi engraçado o modo
como nos conhecemos e, sem nenhum laço de sangue, ou parentesco, mesmo que
distante – até onde eu saiba – ainda assim, acabamos de alguma forma ligados. Se
como pai e filha, não sei, mas talvez tenhamos uma ligação que venha de outras
vidas. Procuro fazer o que posso por ela, tenho tentado lhe aconselhar, a gente
conversa, eu a escuto... gosto muito dela, sinto-me ligado a ela, como se fosse
da minha família, mesmo, de um modo que não faria muito sentido pra um bando de
gente... acho que a filosofia espírita meio que explica isso daí!
A moça lá, se não tem um “marido” por aí, também? Ah,
vai saber...!

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