PESCANDO NO BODOSAL

terça-feira, 12 de julho de 2011

Ligações, Famílias e Espíritos


Estava eu pensando a respeito dessas coisas do coração... dessas ligações afetivas, quase familiares, desses laços que a gente tem, com pessoas às vezes bem distantes de nós e que nem sempre só “afinidade” consegue explicar. Laços que mantemos com pessoas, sem nem entender direito por que os temos ainda, sem saber por que ainda sentimos, por que ainda gostamos de quem gostamos... sentimo-nos estranhos, como se tivéssemos um casamento com certas pessoas, como se fossem irmãos, ou filhas nossas, muito embora...
Na casa onde estou parado, as meninas estavam discutindo, ou melhor, a mais velha das duas irmãs estava discutindo com a mais nova, que resmungava e reclamava da comida, dizia não gostar da pele do frango assado que eu havia buscado para almoçarmos, que a salada era virada só em folha, etc. A mais velha estava impaciente, mas não saía do lado da outra, querendo que a menina fizesse um esforço para comer direito. Dizia ter um compromisso, foi repreendida pela irmã mais nova, por causa de suas saídas com amigas, etc. e saiu-se com esta: “Você é minha filha? Ou meu marido? Que eu saiba, não tenho filho, muito menos, marido!”
Se você visse a cena anterior, teria certeza de que se tratavam, na verdade, de mãe e filha... apesar do que ela tinha acabado de dizer! Vai saber... é, eu acredito nessas bobagens de vidas passadas, imortalidade – e evolução – do espírito, de laços entre almas que vêm de muito tempo, que se formaram em outras encarnações...
Esse, acho eu, é um desses casos. Se a irmã mais velha, desde antes de conhecê-la, já tratava a irmã mais nova como sua criança, como sua filha, fazendo tudo, praticamente, pela menina, inconscientemente ela está sendo a mãe que, em uma outra encarnação deve ter sido, para ela. A menina está entrando naquela fase fascinante da adolescência, está mais rebelde, e tendo sido mimada... já viu! Por sua vez, a mais velha está rebelando-se, agora, contra essa obrigação, que ela mesma se impôs, de cuidar e se responsabilizar pela mais nova. Freud explica, como diria um ilustríssimo professor... a mim parece que, realmente, são duas almas que se encontram ligadas por laços muito fortes, muito profundos, que não vêm de agora, desta atual relação consangüínea entre as duas.
De minha família, somos em quatro irmãos. Dos quatro, um está casado desde os 19 anos, com a mesma mulher, teve dois filhos; os outros dois casaram-se duas vezes, um foi pai só no primeiro casamento, o outro tem um filho de cada. O único que sobrou fui eu, que nem o caçula sou e, como já falei antes, não tive muitas grandes paixões, não fui casado, nem tive filhos. Apesar disso, tem uma menina que, aos seis anos me chamou de paizinho, na brincadeira, e brincando, brincando, seu paizinho fiquei sendo, desde então. Constantemente a chamo de filha, minha filha, filhota... foi engraçado o modo como nos conhecemos e, sem nenhum laço de sangue, ou parentesco, mesmo que distante – até onde eu saiba – ainda assim, acabamos de alguma forma ligados. Se como pai e filha, não sei, mas talvez tenhamos uma ligação que venha de outras vidas. Procuro fazer o que posso por ela, tenho tentado lhe aconselhar, a gente conversa, eu a escuto... gosto muito dela, sinto-me ligado a ela, como se fosse da minha família, mesmo, de um modo que não faria muito sentido pra um bando de gente... acho que a filosofia espírita meio que explica isso daí!
A moça lá, se não tem um “marido” por aí, também? Ah, vai saber...!

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