PESCANDO NO BODOSAL

sábado, 9 de julho de 2011

Uma Tarde no Largo


Semaninha chata... tristonha, modorrenta, depressiva, cinzenta, parada, morta. Nem o resultado do concurso foi capaz de me animar. Na verdade, me deixou foi mais angustiado! Tenho pensado em como fazer pra agüentar mais um, talvez dois meses para esperar pela segunda fase do concurso.
Nada nesta semaninha valeu a pena... senti-me desprezado, senti-me como um intruso, senti raiva, senti solidão, fiquei deprimido... sei lá, melhor esquecer esta semana. Será?! Não fosse por ontem, acho que esta semana podia ser riscada da lembrança, mesmo! Não fosse pela sexta-feira, em que decidi pensar menos naquele pessoal, decidi que ninguém iria me empatar de sair para encontrá-la, para rever... minha musa inspiradora!
Havia combinado de vê-la durante a semana, no Largo, mas não imaginava que seria tão difícil, nem esperava tantos... contratempos! Surgiam empecilhos do nada. A medida que a semana ia passando, ia me preocupando, imaginando até o que ela poderia pensar... mas na quinta à noite havia decidido, de sexta não passava, eu sairia de qualquer jeito, precisava espairecer, estava sentindo-me cada vez pior. Não ia agüentar mais uma tarde de marasmo e calor, como a anterior. Mas principalmente, queria vê-la!
Fui até o Centro, temendo não chegar a tempo, temendo não vê-la no Largo. Fui até lá sentindo borboletas esvoaçando em meu estômago. Todo nervoso e com a boca seca. Acho que passei por ela e só a vi quando me voltei para o largo, fiquei encabulado, obviamente ela me viu antes que eu a visse. O que devia estar pensando de mim, meu Deus?!
Bem, nos sentamos lado a lado, embaixo da sombra de uma árvore... e aquele momento valeu por toda a semana! Aquele momento de paz, conversando, falando de nós mesmos, do prefeito, da cidade, de coisas mais profundas e outras nem tanto, de amenidades... foi o que salvou a semana, penso. Semana que não vinha sendo tão boa, até aquele instante! Até os momentos de silêncio, onde ficava eu, meio apatetado, tentando achar o que dizer, foram bons. Admirá-la em pessoa é melhor do que pela internet, prestar atenção em cada detalhe do seu rosto, olhá-la e virar para o lado, para não ofuscar os olhos na sua luz... e não parecer que tava encarando... admirar seus olhos, sua boca, seu sorriso, o modo como seus cabelos lhe emolduram o rosto, a cor dos seus cabelos, da sua pele, dos seus olhos. Admirar sua voz, me encantar com seu jeito de falar...
Algo que ela me contou me deixou um pouco apreensivo. Talvez não seja pra tanto, talvez ela tenha pressentido umas idéias que estavam em minha cabeça, já antes, não sei. Como se isso fosse possível, fiquei ainda mais apaixonado! Passei o resto do dia relembrando aquele momento, um tanto curto, relembrando seu rosto, sua voz, seus suspiros, nossa conversa... repassando ponto por ponto. Pensando em maneiras de lhe escrever uma mensagem de e-mail, ou de celular, em vê-la novamente, visualizando ridículas versões românticas da imagem mental, da memória fotográfica, melhor que qualquer TecPix, de nós dois ali, sentados no largo, sob a sombra da árvore, lado a lado... quando ler isto, por favor, me desculpe. Não consegui evitar! Não fosse por ver minha adorável musa inspiradora, até meu fim de semana estaria com uma cara mais chocha.


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