PESCANDO NO BODOSAL

sábado, 16 de julho de 2011

Triângulo Quadrilátero


Tive um sonho, que pra muita gente, seria muito bom, mas pra mim, foi perturbador. Sonhei que estava num aeroporto, esperando para pegar um vôo. Pra onde eu ia e de onde vinha, não tenho bem certeza. Falava com minha mãe, por telefone, dizia que logo iríamos nos ver. Enfim, embarcava na aeronave, colocava minha mala no bagageiro, sentava-me num assento incrivelmente confortável, de cor escura... e começava a sentir-me estranho. Pensava que já tinha chegado, como se já tivesse partido de algum lugar antes. Sentia-me angustiado, ficava agoniado, querendo sair, querendo desembarcar, desistir da viagem. Fiquei um bom tempo sentado, apenas pensando. Querendo desembarcar, pesando os prós e contras... só que o avião começa a se movimentar, o piloto começa a falar. Ele disse de onde estávamos saindo, disse que ia até o Rio de Janeiro – ou qualquer lugar assim – e passaria pelo Ceará, Pernambuco, Bahia e “países da América do Sul”.  Sim, ele disse isso. É um sonho, nos sonhos nem tudo segue a lógica desse nosso mundinho! E haviam por sobre as poltronas cordinhas para puxar e fazer parada, no avião. Sim, haviam cordinhas de pedir parada! Pois enquanto o piloto falava e o avião taxiava, eu hesitei, mas puxei a bendita cordinha e fiquei segurando... cara de desolado... o piloto nem deu atenção. O avião decolou, começou a subir! E eu ali, segurando a corda, querendo desesperadamente descer.
Que sonho doido, né?! Não, mas eu fiz terapia, para ser menos travado e inseguro do que já sou, e a psicóloga que me tratou falava do significado dos sonhos. Ela não seguia muito nem a escola de Freud, nem a de Jung, seguia mais uma outra escola, um pouco mais nova, que falava também em simbolismos, arquétipos, etc. Mas que esses símbolos representam uma coisa para cada pessoa.
Ok, o simbolismo do avião pode até ser bem claro.  Mas um avião que você pode pedir pra falar, quando chegar no seu ponto? Acho que tem a ver com meu estado de espírito, há dias em que penso em desistir desse bendito concurso que vim fazer, penso em partir, ir embora sem olhar pra trás, pra talvez não mais voltar... me preocupo com minha mãe, que está lá, tão longe, se preocupando comigo aqui... queria poder deixá-la tranqüila e confortável, independente de onde eu estiver. Ao mesmo tempo que, alguma atitude, ou palavra, de alguém que eu tinha em muito alta conta, me faz querer partir, deixar tudo pra trás, há motivos suficientes para eu não querer ir, motivos que são meus, que nem pra todos são válidos. Eu a conheci esses dias, pessoalmente, vou partir assim e arriscar de não vê-la mais?! Penso, será que esse sonho não quis me mostrar que estou dando uma de Zeca Pagodinho? Sabe, deixando a vida me levar...? Deixando que essa gente, de um lado e de outro, me controle, me regule, minha vida, meus horários... sem moral, mas querendo mostrar-me o que é justo. Deixando que o “destino” se encarregue daquilo que quero e do que tiver de ser... sempre inseguro de um e de outro. Hoje acordei às 5h da manhã. Me sentindo perturbado com o sonho. Mas é assim que tinha de ser sempre... após cada noite de sono, após cada sonho, você deve despertar, levantar-se, mover-se. Não esperar simplesmente que as coisas aconteçam, como num sonho.

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