Calor demais para dormir. Mosquitos demais
em volta de mim. Não consigo conciliar o sono. Deitei cedo, pensando que não
teria dificuldades... havia feito uma boa caminhada, estava quase feliz com meu
corpo, quase feliz com os resultados do meu emagrecimento. Com os pés doendo,
por conta da caminhada. Cochilo. Nada mais que um cochilo... acordo suado.
Sendo implacavelmente picado pelos mosquitos. Ouço vozes. Altas horas. Minhas
meninas! Não consigo mais dormir. Me levanto, vou ao banheiro, depois até a
cozinha, bebo um gole d’água. Falo alguma coisa. Recebo um olhar gelado. Um
olhar de desprezo. Meu sangue gela. Deito novamente, tento dormir. Não consigo,
estou suando, os carapanãs continuam a me atacar com raiva, mesmo com
repelente. E isso é o de menos. Começo a chorar. Meu peito a apertar e a doer.
Penso no olhar. Penso na decisão que se aproxima. Penso na idéia que tive, que
pretendi fazer, quando se aproximasse mais o tempo de partir. Penso como sou
idiota... penso que, se Deus achar por bem me levar, como levou meu pai, com um
infarto, não irei me importar... o coração parece pesar uma tonelada. Uma
tonelada de tristezas! Sinto-me só, por estar sem sono e não ter nem sequer com
quem conversar... altas horas da noite. Quase meia-noite. Ela não está com
pouco sono? Ela não pode ao menos isso, conversar? Não, não pode... está
ocupada demais com o seu celular, fingindo ler alguma mensagem, me ignorando...
não temos mais intimidade para conversar? Para ao menos fazer companhia um ao
outro? Sim, temos. Mas e daí?! Não tenho o carro certo. Nem sei dirigir. De
repente, a minha percepção de estar mais magro torna-se poeira. Sinto-me muito
grande, muito gordo e desengonçado. Eu quis, de repente, ter alguém para ligar.
Para mandar uma mensagem. Conversar pessoalmente, ou pelo messenger. Não
precisaria desabafar... podia conversar besteira, mesmo! Só para desanuviar.
Para tirar o peso do meu peito. Quis vê-la... ela. Sinto-me triste. E com
raiva. Porque ainda não consegui revê-la, reencontrá-la... a minha musa. Quis
ligar-lhe e tentar explicar... como é que ainda não bateram nossos horários. Quis
escrever-lhe, talvez, uma mensagem de e-mail, quem sabe uma mensagem de texto,
para seu celular... mas não quis incomodá-la, talvez esteja já deitada, no
terceiro sono, cansada e exausta demais para aturar um chato – que nem bêbado
está, pra pensar nisso – a essa hora da noite. Senti-me sozinho demais. Cheguei
a pensar: se me vissem chorar, se ficariam do meu lado, me abraçariam, se ao
menos passariam a mão na minha cabeça... e me senti ridículo! Pra que quero que
me vejam chorando? Odeio sentir-me carente desse jeito. Não gosto nada dessa
solidão. Detesto estar sensível e aflito, com o peito doendo assim, desse
jeito. Não queria passar a noite com isso entalado. Então vim novamente à
cozinha, meu Evangelho segundo o Espiritismo, meu caderno, meu celular e minha
música. Vim escrever. Não havia mais nada que eu pudesse fazer. Não dá pra eu
fugir, não tem onde me refugiar. Vim para escrever sobre meus desgostos... enquanto
elas dormem. Sou eu e o cão. Dois guardiões, ignorados, vigiando a casa,
enquanto o resto dorme o sono dos justos. Odeio estar tão a flor da pele!
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