PESCANDO NO BODOSAL

terça-feira, 5 de julho de 2011

Minha Queixa


Chorei ouvindo uma música de Caetano Veloso. Uma que diz mais ou menos assim: “Um amor assim delicado/ você pega e despreza/ Não devia ter despertado/ ajoelha e não reza/ Dessa coisa que mete medo/ Pela sua grandeza/ Não sou o único culpado/ Disso eu tenho a certeza/ Princesa, surpresa, você me arrasou/ Serpente, nem sente que me envenenou/ Senhora, e agora, me diga onde vou/ Senhora, serpente, princesa/ Um amor assim violento/ Quando torna-se mágoa/ É o avesso de um sentimento/ Oceano sem água/ Ondas, desejos de vingança/ Nessa desnatureza/ Batem forte sem esperança/ Contra a tua dureza/ Princesa, surpresa, você me arrasou/ Serpente, nem sente que me envenenou/ Senhora, e agora, me diga onde eu vou/ Senhora, serpente, princesa/ Um amor assim delicado/ Nenhum homem daria/ Talvez tenha sido pecado/ Apostar na alegria/ Você pensa que eu tenho tudo/ E vazio me deixa/ Mas Deus não quer que eu fique mudo/ E eu te grito esta queixa/ Princesa, surpresa, você me arrasou/ Serpente, nem sente que me envenenou/ Senhora, e agora, me diga onde eu vou/ Amiga, me diga...”
Odeio sentir-me assim! É claro, gosto de estar apaixonado, quem não gosta? Só que isso... independe de estar apaixonado, ou não. É carência, pura e simples. É você querer ser um pouco mais que um admirador, é você querer que aquele amor antigo não teime mais em lutar contra os sentimentos e permita uma reaproximação... é, às vezes, querer só um abraço, um beijo.
Uma amiga, um dia, me perguntou há quanto tempo não transava. Como se todos os meus problemas se resumissem a isso! A dor que into é mais em cima. É no meu peito que a sinto. Dentro do meu peito. Se o que me fizesse perder noites de sono, sentir uma tristeza sem saber de onde vem, sentir tensões e dores nas juntas e costas, fosse nada mais que a falta de um pouco de prazer carnal... eu não estaria nem sequer aqui, escrevendo! Seria bem mais fácil de se resolver.
Já falei que seria tudo mais fácil, se pudesse sentir apenas o amor puro e desinteressado, aquele amor mais sublime, que DEVÍAMOS ter por todas as criaturas? Já, né... eu tento! Por que não tem outro jeito. Também sinto a falta de um afeto, de um carinho. Pode ser que não pareça, mas eu também gosto de um chamego. Às vezes – como hoje – sinto-me desesperar e sentir como uma dor física a falta desse toque, desse carinho, de aconchegar num abraço... só a ausência já me dói. Ainda fico enciumado com situações que já não me dizem mais respeito. O sonho que tive, no último fim de semana, veio com um significado. Ainda ver por trás daqueles olhos alguma fagulha de uma chama, e à noite saber, ou suspeitar, que as carícias trocadas com os olhares são sentidas e dadas por outro corpo.
Gosto de admirá-la, de acariciá-la com o olhar, enroscar dedos invisíveis em seus cabelos, acariciar seu rosto, sua pele, roçar seus lábios e seu pescoço... gosto de me perder em seus olhos, no seu sorriso... sentir o coração bater mais forte, como quando a vi e fui visto. Gosto de mergulhar no seu olhar, no escuro mais profundo de seus olhos. Já amo sua voz. Já tenho por hábito procurá-la toda vez que subo a avenida, de dia ou de noite. Gosto de tê-la como minha musa, gosto de ser seu admirador nada secreto! A mesma musa que me inspira também me dói... hoje, dói. É assim que meu coração escolheu. Mas não gosto quando a carência de um xodó parece ser mais forte que o amor sentido.
 

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