Chorei ouvindo uma música de Caetano Veloso.
Uma que diz mais ou menos assim: “Um amor assim delicado/ você pega e despreza/
Não devia ter despertado/ ajoelha e não reza/ Dessa coisa que mete medo/ Pela
sua grandeza/ Não sou o único culpado/ Disso eu tenho a certeza/ Princesa,
surpresa, você me arrasou/ Serpente, nem sente que me envenenou/ Senhora, e
agora, me diga onde vou/ Senhora, serpente, princesa/ Um amor assim violento/ Quando
torna-se mágoa/ É o avesso de um sentimento/ Oceano sem água/ Ondas, desejos de
vingança/ Nessa desnatureza/ Batem forte sem esperança/ Contra a tua dureza/
Princesa, surpresa, você me arrasou/ Serpente, nem sente que me envenenou/ Senhora,
e agora, me diga onde eu vou/ Senhora, serpente, princesa/ Um amor assim
delicado/ Nenhum homem daria/ Talvez tenha sido pecado/ Apostar na alegria/ Você
pensa que eu tenho tudo/ E vazio me deixa/ Mas Deus não quer que eu fique mudo/
E eu te grito esta queixa/ Princesa, surpresa, você me arrasou/ Serpente, nem
sente que me envenenou/ Senhora, e agora, me diga onde eu vou/ Amiga, me
diga...”
Odeio sentir-me assim! É claro, gosto de
estar apaixonado, quem não gosta? Só que isso... independe de estar apaixonado,
ou não. É carência, pura e simples. É você querer ser um pouco mais que um
admirador, é você querer que aquele amor antigo não teime mais em lutar contra
os sentimentos e permita uma reaproximação... é, às vezes, querer só um abraço,
um beijo.
Uma amiga, um dia, me perguntou há quanto
tempo não transava. Como se todos os meus problemas se resumissem a isso! A dor
que into é mais em cima. É no meu peito que a sinto. Dentro do meu peito. Se o
que me fizesse perder noites de sono, sentir uma tristeza sem saber de onde
vem, sentir tensões e dores nas juntas e costas, fosse nada mais que a falta de
um pouco de prazer carnal... eu não estaria nem sequer aqui, escrevendo! Seria
bem mais fácil de se resolver.
Já falei que seria tudo mais fácil, se
pudesse sentir apenas o amor puro e desinteressado, aquele amor mais sublime,
que DEVÍAMOS ter por todas as criaturas? Já, né... eu tento! Por que não tem
outro jeito. Também sinto a falta de um afeto, de um carinho. Pode ser que não
pareça, mas eu também gosto de um chamego. Às vezes – como hoje – sinto-me
desesperar e sentir como uma dor física a falta desse toque, desse carinho, de
aconchegar num abraço... só a ausência já me dói. Ainda fico enciumado com
situações que já não me dizem mais respeito. O sonho que tive, no último fim de
semana, veio com um significado. Ainda ver por trás daqueles olhos alguma
fagulha de uma chama, e à noite saber, ou suspeitar, que as carícias trocadas
com os olhares são sentidas e dadas por outro corpo.
Gosto de admirá-la, de acariciá-la com o
olhar, enroscar dedos invisíveis em seus cabelos, acariciar seu rosto, sua
pele, roçar seus lábios e seu pescoço... gosto de me perder em seus olhos, no
seu sorriso... sentir o coração bater mais forte, como quando a vi e fui visto.
Gosto de mergulhar no seu olhar, no escuro mais profundo de seus olhos. Já amo
sua voz. Já tenho por hábito procurá-la toda vez que subo a avenida, de dia ou
de noite. Gosto de tê-la como minha musa, gosto de ser seu admirador nada
secreto! A mesma musa que me inspira também me dói... hoje, dói. É assim que
meu coração escolheu. Mas não gosto quando a carência de um xodó parece ser
mais forte que o amor sentido.

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