Me perguntaram, esses dias, qual será minha
próxima viagem. Queria ter grana pra fazer várias viagens, uma por ano, melhor
mesmo se pudesse fazer duas, ou três ao ano! Infelizmente, ainda tenho que
lutar por anos e fazer as cabeças certas para empreender uma viagem que eu
queira muito. Não inventaram ainda o teleporte, não sou um jumper – você viu o
filme? então pronto – então as viagens continuam precisando de um longo
planejamento e preparação e de um bom capital. Foram quatro anos para voltar a
Manaus. Gostaria que fosse mais simples... mas enfim, pra onde eu gostaria de
viajar, da próxima vez? Sem nem pensar muito: a Parintins! No mês de junho! Na
semana do Festival! Claro que estou falando sério!! E meia dúzia de amigos que
tenho, aqui em Manaus, que acham que eu não curto boi bumbá! Nisso me pareço
bastante com qualquer turista, acho os bois bumbas parintinenses abesoluteli
uândeful! Mais o nosso que o deles – e já aí deixo de ser parecido com qualquer
“estrangeiro” que aporta aqui pelo Amazonas. Sou absolutamente fanático pelo
boi bumbá vermelho e branco, entro de cabeça na rivalidade, sou capaz de brigar
pelo Garantido, sou da galera do Boi do Povão. Da primeira vez que aqui
cheguei, ainda não conhecia direito os bumbas, nem sabia pra que lado ficava Parintins,
decidi que iria tentar conhecer um pouco dos dois e, aí sim, tentar escolher um
para torcer, se fosse o caso... isso foi lá em 2003! Nem época de boi era,
quando aqui cheguei. Já em 2005, quando estive pela segunda vez, numa primeira
tentativa de ficar por aqui, já havia me decidido pelo Garantido. Difícil não
se identificar com as cores, com o apelo popular, etc. Já torcia para o clube
do povo do Rio Grande do Sul, no futebol, era meio óbvio torcer para o boi do
povão da Baixa do São José.
Desde então sonho em ir a Parintins, no
Festival Folclórico, me misturar com a galera encarnada, gritar, cantar junto,
arriscar uns passos de dança... do período que fiquei em Manaus, tenho três
cds, todos do boi Garantido: 2005, 2006 e 2007. Do contrário, tenho um, que um
amigo me emprestou em 2005 e nunca buscou de volta. Não que eu não goste, só
não escuto e acho o meu boi bem melhor! Os dois décimos a mais neste ano foram
injustos, porque não havia dúvida alguma da superioridade do nosso Garantido
sobre o contrário! Embora nosso boi tenha ganho, a diferença não traduz
literalmente o que deveria ter sido, pelo que se viu na arena do bumbódromo.
Ouvindo a apuração de alguma das noites, qual era, agora não lembro, mas vibrei
muito, como se fosse o gol do Gabiru, no Mundial de Clubes de 2006, sobre o
poderoso Barcelona, pois alguns jurados deram ao Uirapuru uma nota melhor que
ao rei deposto. É impressionante como no contrário, os melhores levantadores de
toada se tornam cantores comuns... só o fanatismo consegue explicar uma pessoa
conseguir se emocionar, escutando David Assayag nessa fase atual, cantando as
toadas do contrário. Que, sinceramente, não creio que ele mesmo sinta qualquer
emoção ao cantar. Não consegue passar a emoção que transmitia com tanta
desenvoltura e naturalidade, antes. Quando era o Rei David, ele não era nada
menos que o melhor levantador de toadas de todos os tempos. Do Garantido?! Não,
amigo, de todos, de Parintins!! Se não passasse de uma viagem minha, nem a
direção, nem a galera do contrário iriam querer “adquiri-lo”. É fato que sempre
quiseram comprar o David, para cantar na sua vaquinha preta. Paradoxalmente,
David foi promovido a imperador e, no contrário, acabou parecendo inferior a
outros que por lá passaram, como Arlindo Jr. e Edílson Santana. Ah, vá, você da
galera azul, preta e branca vai dizer que nem notou! Sei!
Ok, então, vamos encurtar a conversa, pare
de ler o post por aqui e deixe logo seu comentário desaforado. Eu não tenho
problema nenhum em reconhecer que Sebastião Jr. não é tão bom quanto o Rei
David era – leia-se até 2009 – tanto que ele não é o rei, seu apelido é outro.
A identificação com o Garantido é tamanha que o tema deste ano sinto que tem
tudo a ver. Também tenho a miscigenação no sangue, meu pai contava que o pai
dele tinha ido do Nordeste para o Rio Grande, essa família é cabra da peste,
misturada com os hermanos, pois minha avó paterna era “doble chapa”, nascida em
Paso de los Libres, do lado de lá da fronteira do Brasil com a Argentina, o pai
de minha mãe era filho de uma índia com um espanhol, portanto tenho sangue
guerreiro, Kaingangue, correndo nas veias, a mãe dela já era filha de alemães. Tem
europeu, tem índio, deve ter alguma coisa de africano... não tenho bem certeza.
Enfim, nossa família é miscigenada, misturada, como todo brasileiro. Já ouvi
falar, até, e sou inclinado a concordar, que, com todas as misturas peculiares
que houveram – e continuam havendo – o brasileiro já é como uma etnia a parte,
digamos que somos da raça brasileira, uma síntese e um aprimoramento de todos
os povos, todas as culturas, todas as raças, o melhor (e o pior) de cada grupo
humano que veio fazer a vida e colonizar esta Terra Brasilis. Ta Garantido.

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