PESCANDO NO BODOSAL

quinta-feira, 30 de junho de 2011

Garota Errada(!?)


Ainda dizem que perco tempo, enfurnado aqui na casa onde estou hospedado. Tenho feito o trabalho deles, tenho ficado de vigia da sua casa, tenho lavado os pratos, copos e talheres, hoje pela manhã lavei minhas roupas, varri o piso do quarto improvisado, lavei o banheiro, passei uma vassoura e um pano no piso da cozinha e do pátio – na parte onde há cerâmica... me diga, conhece algum hóspede que trabalha na casa dos seus anfitriões?! Pois é, também não conheço, não. E realmente, estou perdendo tempo... o MEU tempo!
Ontem, o tempo foi melhor aproveitado. Fiz bem menos, mas aproveitei bem mais. Caminhei daqui até os shoppings, na avenida Djalma Batista. Passei a tarde e parte da noite nos três shopping centers, escrevi pelo menos uns dois textos, que espero aproveitar mais tarde. Aqui, não consigo terminar um, tenho mais privacidade na rua, que aqui na casa. Anotação mental: da próxima vez que vir a Manaus – se é que virei – ficar num hotel. Pelo menos, terei privacidade, que me falta. Sinto que ta enfraquecendo a amizade... de quem realmente importa, ter menos um na minha aba, querendo se fingir de amigão pra ganhar alguma beira, tentando falar mal de mim pra quem já me conhece faz uma cara... isso não pode ser tão mal assim!
Enfim, a utilidade do shopping, pra mim, é climática, acho que já falei disso. Ontem, o calor na rua, debaixo do sol forte, estava cruel, e dentro dos shoppings estava uma friaca de dar gosto. Simplesmente uândeful. De qualquer forma, vou aos shoppings de Manaus por outro motivo, pra saber das novidades e lançamentos fonográficos do momento, em particular dos que sei que vou curtir. Tem vez que saio frustrado por encontrar tanta coisa legal e não ter dinheiro suficiente para adquiri-las. Não é bem um lançamento, mas ontem, numa das lojas dos Benchimol, encontrei o último cd da banda escocesa Belle and Sebastian, do fim do ano passado. Esse último álbum é chamado “Writing about Love”, ou alguma coisa assim. Descobri Belle and Sebastian lá no comecinho dos anos 2000, ouvindo a uma música que tocava em uma rádio universitária do Rio Grande do Sul. Assim que pude, busquei tudo o que pudesse encontrar do grupo. É raro gostar de cantores, músicos e grupos pop, só quando não fazem parte do mainstream global, como é o caso dessa banda escocesa. Seus clipes todos são bacaninhas e suas músicas, a grande maioria, pelo menos, fala de amor, relacionamentos, etc. Apesar disso, gosto muito deles. Havia uma música, chamada “Funny Little Frog”, que escutava sem cansar, quando estava apaixonado por uma menina aí... teve um dado momento em que não podia mais ouvir a música sem chorar. Um dia conto essa história... ou não!
Ontem, escutando os trechos de um minuto das músicas do cd, lembre de uma das músicas mais antiguinhas, falando dessa coisa de conhecer uma garota, se apaixonar, relacionamentos que não dão certo, sonhos e decepções. É “The Wrong Girl”...
“The wrong girl
The wrong kind
The wrong hand to be holding
The wrong eyes to go searching behind
The wrong dream to have on my mind”
A garota errada, o tipo errado, a mão errada para segurar, os olhos errados para buscar algo atrás, o sonho errado para ter na minha cabeça...
Certas palavras soam erradas, estranhas, para mim. “Coleguinha” é uma dessas palavras. Sei lá por quê, acho que alguém usou essa palavra num tom meio sarcástico, ao falar comigo, desde então penso em “coleguinha” como uma palavra pejorativa. Um termo pra ser usado quando você não quer xingar a outra pessoa com alguma expressão chula. É, eu sei que parece – e é! – uma grande bobagem, mas sinto que ser taxado de “coleguinha” é pra acabar... pode notar, colega, não gosto nem de falar essa palavra! Será um problema arranjar uma expressão para falar dos colegas de escola dos meus filhos, quando, e se vier a tê-los, algum dia. Enfim. Voltando àquela música...
Sinto igualmente, em certos momentos, que só me apaixono, só gosto, amo, adoro, me envolvo, me relaciono – raramente – com a garota errada. Mesmo agora, quando penso na menina que é minha musa, minha mais recente paixão platônica... imagino se também é a garota errada. Têm dias que minha filha por adoção parece ser a garota errada... mas, no caso dela, trata-se de uma pré-adolescente, ela está recém começando aquela fase complicada, e desconfio que as flutuações de humor tenham alguma coisa a ver com determinados ciclos mensais...
Minhas paixões anteriores, meus amores, pra toda vida e para as próximas, sempre pareceram fazer questão de mostrarem-se como a garota errada. A futilidade de uma dessas antigas paixões só me deu a certeza desse fato. Está tudo bem, sempre foi assim...ah, não, essa é uma outra música! Nem preciso de uma Amanda – personagem da série global “A Mulher Invisível” - as versões idealizadas das garotas erradas que passaram por minha vida me assombram nos sonhos, de vez em quando.
Cheguei a pensar que conseguiria usar o que aprendi com esses relacionamentos, mas acho que continuo fazendo errado, procurando a garota certa no lugar errado... talvez deva fazer como o cara do clipe dessa música, que só encontrou a sua garota, a certa, no final, depois de muito procurar. Só não vou dizer onde, que é pra não estragar a surpresa, caso você ainda não o tenha visto...

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