PESCANDO NO BODOSAL

sábado, 18 de junho de 2011

Everybody Hates Me


Me senti no Everybody Hates Chris... não estou mais acostumado, não sei mais o que dizer, quando a gente encontra alguém que queríamos muito encontrar. Além do mais, como estava me sentindo dentro de um episódio de Todo Mundo Odeia o Chris, logo esperei por algo não tão bom, já esperei pelo tombo que me arrancaria do estado de quase graça em que me encontrava. É isso aí, é assim mesmo. Se você já assistiu ao seriado, na tv aberta, ou a cabo, sabe que, mesmo quando as coisas parecem acabar bem, algo termina mal.
Então, foi mais ou menos o que aconteceu comigo. De manhã, a vi... estava esperando a lotérica abrir, para pagar uma conta, que me pediram para pagar, num dia que achei que não ia ser lá grandes coisas. Minhas sextas-feiras não são lá grandes coisas, já faz é tempo! Enfim, esperando a tal da lotérica abrir, já atrasada, ali, parado à porta, a vi passar. Parecendo séria, talvez o cenho franzido... tava meio longe, e ainda meus óculos não estão muito bons, a reconheci, sim, mas quanto a detalhes, meus olhos podem ter me enganado. Senti meu coração disparar, ao vê-la olhar para mim e seu sorriso, tímido, lindo, iluminou seu rosto. E eu, com que cara estava?! Não tinha espelho por perto, mas desconfio que com uma larga cara de tonto abobalhado! Pensei em fazer algum gesto, além do sorriso besta nos meus lábios, que lhe enderecei, algo que demonstrasse a ela tê-la reconhecido. Pensei em dizer alguma coisa... e é engraçado como as palavras somem e a coragem desvanece! Fiquei ali, feito leso, com um sorriso besta, apenas observando o seu caminhar pela avenida, fitando seu olhar e seu sorriso tímido, mas quase divertido.
Sei que, depois de vê-la naquele breve instante, o dia foi bem mais colorido. Só tê-la visto, de manhã cedo, rapidinho, tava valendo todo o meu dia. Mesmo não tendo feito muita coisa, essa sexta-feira estava sendo o meu melhor dia desde que voltei a Manaus. Não tinha nada que pudesse estragar esse dia, poderia ser o bode expiatório de qualquer problema banal lá do pessoal, nada disso iria estragar um momento tão lindo!
Aí é que veio o momento “todo mundo odeia o Chris”: à tardinha saí para uma lan house na avenida, aqui perto, depois fui ao supermercado, aí, voltando do Veneza, a reencontro, ela e uma colega. Deus, e agora, o que eu faço, o que eu digo?! Não restou dúvidas, everibody hates Chris feelings, fiquei ali, pertinho dela, sorrindo feito bocó – como já tinha sido pela manhã – o coração disparado, a cabeça num turbilhão, buscando a coisa certa pra se dizer, as palavras saindo por um fio de voz, querendo dizer-lhe mais, querendo segurá-la um pouco mais, ter um pouco mais da sua presença, para o resto do fim de semana... não adiantou. Senti-me na pele do meu funcionário gigante, branquelo e buxudo, mal-vestido e com cara de imbecil.
Quando fomos cada um pro seu lado, fiquei pensando que poderia estar mais vestido – em vez de exibindo minhas lindas pernas brancas e cabeludas – poderia dizer algo mais, poderia ter sido mais simpático – algo difícil pra alguém tão pouco simpático, como me acho... sei lá, podia ser mais articulado, feito um boneco dos Comandos em Ação, podia parecer tão inteligente quanto devo parecer na internet... não sei, talvez pudesse parecer bonito, elegante e mais magro! Estou emagrecendo, já emagreci oito, ou nove kilos, no último mês... podia bem ter emagrecido uns 20, que não fariam falta! Adorei uma coisa que minha “filha” disse, outro dia... que eu emagreceria tanto, aqui em Manaus, que quando voltasse para o Rio Grande do Sul, não me reconheceriam, pois eu ficaria parecendo com Brad Pitt! Vixe, ri muito... quem dera, minha filhotinha, quem dera...
Pois é, poderia vê-la, minha paixão platônica, quando ficasse assim, parecendo Brad Pitt! Porque o funcionário gigante, branquelo e desengonçado, todo mundo odeia, até eu...

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