PESCANDO NO BODOSAL

segunda-feira, 13 de junho de 2011

Eu me preocupar??!


Por que perco meu tempo?! Por que ainda me preocupo? Quanto mais você se importa, menos te valorizam. Foi uma frase que li ontem. E é a mais pura verdade. Pra quê ainda me importo?! Será que, no final, minha mãe tinha razão?! Aqueles que morriam de amores enquanto eu estava longe, agora demonstram outra coisa totalmente diferente.
Lembro de queixarem-se por ficar-se muito tempo só, sem ninguém para olhar por si, para levá-la aos lugares, ajudar-lhe com as tarefas escolares... quem disse que têm lembrado de mim, agora?? Em momento algum me neguei a porra nenhuma, estou à disposição, como sempre estive! E aí?? Agora que estou aqui, minha filha, cadê a desculpa para você não almoçar, não fazer suas refeições direito e no horário certo?! Cadê que você me pediu pra fazer algo para comer?! Por que não aceita quando me ofereço para fazer-lhe algo, ajudar-lhe com suas tarefas, levá-la a passear??
Lembram-se de mim pra quê?? Pra me perguntar cadê fulano, onde foi sicrano, se beltrano está... alguma sujeira, uma pia que começa a entupir, alguém que sofre de distúrbios de sono... sou o bode expiatório perfeito! Têm a cara de pau de dizer-me que “sou de casa”... mas nunca é um deles, a culpa tem de ser minha, do “cara de fora”... tem como entender uma merda dessas?!
Sou seu confessor e seu psiquiatra, todas frustrações, todas angústias, todas as dúvidas, eles trazem a mim. A mãe desabafa que não agüenta mais os filhos, que eles só lhe trazem perturbação e problemas. Que não passam de uns irresponsáveis... então, quando uma pia principia a entupir, como é que os irresponsáveis deseducados conseguem ter plena consciência de que não podem colocar todo tipo de sujeira que, sim, eles colocam lá?? Por que a culpa deve recair nos ombros já sobrecarregados do confessor e bode expiatório, só porque é “forasteiro”??! Não tem a menor lógica, porra!!
É claro que me sinto só e solitário, numa casa – se é que dá pra chamar assim – tão cheia de gente, é óbvio que sinto-me triste, deprimido, amargurado. E isso lá é engraçado?? Você acha certo fazer graça com isso?! Se não está realmente interessada, ou preocupada... o que quer de mim, afinal??? Que eu me sinta melhor, com certeza não é. E agora, o que faço aqui?! O que estou fazendo aqui, desperdiçando meu tempo? Preocupo-me com uma casa onde trabalha gente estranha, numa reforma ainda mais estranha, cujos donos, aparentemente, não estão muito interessados em vigiar e pajear, preocupo-me com uma aborrecente que, sem eu por aqui, ficaria completamente sozinha, à mercê desses caras estranhos! Mas e daí, né...?! Estou aqui como um objeto, ou móvel, sem serventia, só ocupando espaço. Por quê me importar??

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