Ainda consigo pensar nela. Ainda perco meu
sono, ainda choro – é! choro!! – e arranco os cabelos em desespero. Está
bem, não arranco os cabelos, mas entro em desespero! Ainda me enraiveço, me
aborreço, ainda fico enciumado. Por quê?! Por que não posso ficar incólume,
inatingível a suas provocações e brincadeiras sem sentido?! Eu não entendo...
Tem sempre uma música que me vem à mente
quando penso nela. A música a que me refiro é Auf Achse, da banda escocesa
Franz Ferdinand. Penso que o refrão a identifica, mais que todo o resto: “She’s
not so special, so look what you done, boy!” She’s not so special... ela não é
tão especial... é! Realmente, não é! Ela não é brilhante, mas é inteligente; é
bonita, mas não é nenhuma gata extraordinária, nem é sexy... francamente, o que
faz, então, com que tenha marcado tanto na minha vida?! Por que ainda me sinto
mexido, quando estou próximo dela, ou quando nos falamos?! Por que, apesar de
tudo, ainda guardo sentimentos por ela dentro de mim?! Por quê??!
Formamos um casal por tão pouco tempo,
depois só houveram decepções e episódios lamentáveis, diversas mágoas e
desavenças, muitos, mas muitos momentos tensos, sobretudo por cobrança mútuas,
mesmo quando não havendo nada entre nós. Terão sido esses tão escassos bons
momentos que, de alguma forma, me fizeram continuar, até hoje, alimentando um
carinho por ela, cultivando sentimentos amorosos, que não sei mais de onde vêm,
ou por que resistem?! Quando fica obviamente difícil compreender suas atitudes é
que busco ser mais compreensivo. Já amei por nós dois, no nosso primeiro
encontro, continuo, então, me preocupando, lhe apoiando, enfim, como disse, em
outro texto, lhe amando sem esperar nada em troca, sem esperar ser amado de
volta. Ou seja: continuo amando por nós dois, por mim, por seus belos olhos... por
uma criatura medíocre que nem é assim tão especial... como pode?!
Mesmo no tempo em que me distanciei, em que
procurei me desamarrar... mesmo nesse tempo, haviam momentos em que me perdia
em devaneios, em que novamente meus pensamentos se voltavam para ela, para nós,
o casal de oito anos atrás, os bons tempos, tão curtos e tão mal-gastos... eternizados
na memória, sabe-se lá por qual motivo besta! Tão curtos, tão poucos, sei lá,
nem tão bons assim... não faz sentido continuar balançado assim por alguém não
tão especial, depois de tanto tempo! Nossos encontros e reencontros oníricos
foram bem melhores que nossos encontros reais. Certo, no mundo dos sonhos não há
nenhum tipo de trava que nos impeça de termos as coisas como queremos e
imaginamos que devam ser, que deveriam ter sido. Portanto, sonhos não podem,
pura e simplesmente, segurar a gente, prender a gente a alguém que não tem
assim tanta coisa pra nos marcar...
O que me leva a uma outra suposição, uma idéia,
uma tese meio fantástica, meio espírita... de que minha ligação com ela seja
bem antiga... e kármica! Devo ter acumulado muito karma, em encarnações
passadas, sendo fútil frente aos relacionamentos e aos amores... talvez até
tenha acumulado algum karma em relações passadas com ela! E agora, pra expiar
parte desse karma, sou eu quem sente e sofre com essa ligação empática
sentimental por ela. Desta vez, eu acho, sou eu quem encontra-se, preso a ela,
sabe lá por que tipo de grilhões. De vez em quando acho que agora ela é quem
está acumulando karma em relação a mim.
Enfim... acho que essa é só mais uma forma
de me amarrar aos grilhões que me impuseram, mais uma forma de pensar nela... preciso
ocupar a mente, ou tentar escrever sobre outras coisas...


Nenhum comentário:
Postar um comentário