Não tenho nenhuma “sorte” no amor... nesse
amor aí... exclusivista, egoísta, romantizado, idealizado, carnal, físico... tive
tão pouco dele. Namoradas, pra valer, que pelo menos possa chamar assim...
foram duas. Apenas duas, em pouco mais de três décadas, apenas e tão-somente
duas. Nem mais, nem menos. Nenhuma da minha cidade, e tampouco do meu Estado. Amores
platônicos, ficadas, one night only, isso até rolou por lá, por aqui, etc. Namoro,
ou pelo menos o que se subentende por namoro... isso, só por aqui. Ou seja...
Dia dos namorados está chegando. Só me
lembro de estar namorando por essa época do ano uma vez. Comprei um kit, um par
de brincos com uma gargantilha. Folheados em prata. Com pequenas estrelas.
Escrevi um bilhete: “Para a estrela mais brilhante do meu firmamento... te amo!”,
e lhe dei. Eu ainda estava namorando. Ela já estava “ficando com outras pessoas”.
Primeiro e único dia dos namorados, primeiro e único presente de dia dos
namorados. Diga lá se isso não é falta de sorte! Ok, talvez vá dizer que não é...
tento aplicar o pensamento espírita, crer que passei por isso para aprender,
para passar por uma provação, sofrer alguma expiação... confesso que não é nada
fácil!
É difícil de você não se revoltar com tanta “sorte”.
Têm horas que não consigo entender, nem consigo aceitar, que falte algo em mim,
que não seja de ordem estritamente material, para até agora ter tido tanta
falta de sorte... tento não enlouquecer (mais!!), procuro abstrair, pois não
quero crer, mas sinto como se esse tipo de amor... entre um homem e uma
mulher... particular, exclusivo... isso não fosse pra mim! Poder esperar de
quem se ama, se não exatamente o mesmo sentimento, a mesma dedicação, porque há
casais que não se dedicam um mais que o outro, apenas a dedicação é
diferente... que pudesse esperar, pelo menos, os mesmos gestos de carinho, de
afeto, que pelo menos o outro estivesse aberto aos seus gestos de carinho... isso,
eu não tenho podido esperar. Querer ser exclusivo de alguém, pensar nesse alguém,
ter um centro para minha atenção, querer estar ao lado e todas aquelas bobagens
tragicomicamente românticas que poderia vir a querer com, e de alguém... eu não
posso. Não posso!! Não me é permitido!! É assim que parece ser, é assim que me
sinto...
Como sou legal, inteligente e até, sob certo
ponto de vista, bonito – como já ouvi de alguém, uma vez – mas... ah, sei lá...
ou seja, sou interessante, como amizade, qualquer coisa além é leseira da minha
cabeça! Tento colocar em segundo plano o Eros, o amor carnal, físico,
exclusivo, ciumento, exigente, romântico...e tento exercitar o Ágape, que é o
amor fraterno, desinteressado, incondicional, aquele amor que você dá, sem
esperar nada em troca, nem mesmo amor... a gente se preocupa, realmente, com o
bem-estar e com a vida da pessoa, mas a deixa livre, sem dar palpites nos seus
rumos, queremos-lhe bem, que seja feliz, e não fazemos pouco caso, fingindo nos
condoer, quando percebemos sua tristeza e solidão.
É tão difícil colocar isso em prática, nada
te prepara para cruzar com aquela pessoa, quando ela está prestes a sair no
carro de um cretino qualquer, de gosto musical duvidoso – bem como sentimentos
em relação a ela. Ok, você reconhece que ainda tem sentimentos fortes demais
por aquela pessoa, você tenta manter o autocontrole, tenta exercitar o ágape
com ela, amá-la, gostar dela incondicionalmente, sem esperança em recompensas
ilusórias. Ok, mas e aquela onda de raiva, de ciúme, aquele peso no peito,
aquele arder por detrás dos olhos? Quem te prepara pra NÃO sentir isso, esse
turbilhão de sensações? O que fazer com tudo isso?! Como não se deixar
dominar?! Tenho pensado nisso desde ontem à noite.
E quando a paixão é platônica?! Eu devo tê-la
visto mesmo, só uma vez, ela me viu duas, pelo que disse. Fico encantado com
ela, fico pensando nela, feito bobo. Mais uma oportunidade de, digamos, me
aprimorar moralmente, de exercitar o amor e a admiração desinteressados e
incondicionais... até que leio um texto dela, dedicado a um “menino” aí... ciúmes?!
Por quê?! Não é correto sentir ciúmes... não é justo com ela... nem justo
comigo mesmo! Às vezes é difícil. Outras vezes, é muito difícil! Mas agora, não
tenho para onde correr...


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