PESCANDO NO BODOSAL

sábado, 25 de junho de 2011

Do Outro Lado do Rio


Ultimamente nada que tenho esquematizado tem dado certo. Poderia dizer que desde que vim a Manaus, isso tem acontecido. Mas não é bem assim. Algumas coisas deram-se como foi esquematizado, ou mais ou menos como o planejado. Hoje, não havia planejado nada. Por isso, nem houve problemas, por assim dizer. Porém, agora há pouco consegui esquematizar a vinda a uma lan house, com meu celular, meu MP5 e um pendrive, que comprei ontem, para passar as fotos dos outros dois para este. E do que fui esquecer?? Do cabo USB! E agora, José?!
Esta semana já tem sido um tanto esquisita, o único dia em que o esquema deu mais ou menos certo foi a segunda-feira – veja você, uma segunda-feira! – quando dei um pulo até o outro lado do rio, para conhecer Manacapuru, logo ali, pouco depois de Iranduba. Mais ou menos porque tirei menos fotos do que gostaria, andei menos pela cidade do que gostaria... mas paciência, fui pra voltar no mesmo dia, são 80 Km, saindo do porto da vila do Cacau Pirera. E não adiantou muito sair cedo de casa, cheguei quase meio-dia do lado de lá do rio Negro. Mas não foi culpa da balsa, ela saiu no horário certo! O problema mesmo são esses ônibus daqui de Manaus.
De vez em quando, penso que deveria ter nascido europeu. Não tenho nada contra automóveis, até curto sonhar com uma Ferrari, Lamborghini, Porsche, etc. Mas sei lá, não me vejo parado, no trânsito caótico de Manaus, ou de Porto Alegre, ou de qualquer outro lugar, ao volante de um carrinho popular seminovo. Curto pacas aquelas reportagens de programas de viagens, tipo o 50 por 1, onde os caras andam de trem, de ônibus, de metrô, BRT, VLT... enfim, transportes coletivos rápidos, seguros e eficientes. Queria muito, mesmo, que aqui no Brasil também fosse assim...
Lá pro outro lado do rio tem isso de transporte urbano, não. Não tem serviço regular de ônibus urbano, no Cacau, em Iranduba e Manacapuru. Pra lá, é só duas rodas. Moto-táxi tem é muito. Mas lá não precisa ter esse serviço de transporte público, não. Basta ter ônibus intermunicipal. Esses não atrasam, não têm – quase – superlotação nos horários de pico, têm de hora em hora, são rápidos, limpos, novos e bem cuidados. Salvo uns que fazem a linha Cacau Pirera – Iranduba. Têm a ver com aquilo lá. Gosto de Iranduba não, eu! Cidadezinha pequena e parada, parece até morta. Cacau Pirera é uma vila, pertence ao município de Iranduba, mas é melhor, mais desenvolvida, mais agitada que a sede propriamente dita. Mais um motivo pra eu não gostar daquela ponte que estão finalizando, além daqueles todos que já falaram por aí: aquela bendita ponte vai facilitar pra quem precisa ir seguidamente a Manacapuru, Novo Ayrão e outras localidades do outro lado do rio, em compensação, vai matar o Cacau Pirera. Ninguém mais vai desembarcar no porto das balsas, a vila vai morrer à míngua, muita gente que vive e trabalha ali vai perder o sustento. Bem que Dudu Braga podia ter puxado essa ponte praquele lado, né!?
Pra você que é daqui e já não curte Manaus, só vê os defeitos e queria fugir praquelas cidades do Eixo do Mal, nem adianta muito eu falar que gosto daqueles lugares ali do outro lado do rio Negro! Mas gostei de Manacá, passeando pela cidade, cogitei de morar pros lados de lá. Até anotei o telefone de uma placa, anunciando apartamentos pra alugar, ali bem próximo da rodoviária da cidade e do parque onde ocorrem os principais eventos, como o festival de cirandas. Achei interessantes as estátuas de cirandeiros, na entrada de Manacapuru. Do outro lado da rodoviária, tem a sede do grupo de ciranda Flor Matizada. Fiquei de voltar a Manacapuru. Não vou voltar ao Rio Grande do Sul antes de ir lá mais uma vez! Gostei de lá, do pouco que conheci. Quero conhecer um pouco mais, levar fotos e lembranças. Tomara que esse esquema ainda dê certo: passar um final de semana, pelo menos, que seja, lá do outro lado do rio! Se em Manacá for caro, passo a noite no Cacau, ou em Iranduba, talvez possa até dar uma esticada até Novo Ayrão... enfim, nem é bom esquematizar muito, vai que... né!?
Tenho me deprimido demais por esses dias. Nem consegui ver a estréia do Garantido no Festival de Parintins deste ano. Pois é, fiquei falando um bom pedaço da cidade da ciranda... e minha paixão, e interesse são pelo festival folclórico de Parintins, pelas toadas e pelos bois bumbás, principalmente o boi do povão, o Garantido. Ano passado até escrevi um texto sobre a transição, meio conturbada, da saída bem mal-explicada do rei David Assayag e sua substituição pelo uirapuru Sebastião Jr. Meu coração tem me parecido meio apertado. Dores de amor. Tenho tido algumas idéias. Tenho sentido saudades dela, da menina a quem vi numa noite de sexta aí. Não temos mais tido encontros fortuitos, não sei se ela tem me visto à distância, sei que eu não a tenho visto... e que queria vê-la mais vezes. Tudo depende dos esquemas, no nosso caso, dependemos dos esquemas do tempo. Que, no momento, não está muito do meu lado...

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