Ultimamente nada que tenho esquematizado tem
dado certo. Poderia dizer que desde que vim a Manaus, isso tem acontecido. Mas
não é bem assim. Algumas coisas deram-se como foi esquematizado, ou mais ou
menos como o planejado. Hoje, não havia planejado nada. Por isso, nem houve
problemas, por assim dizer. Porém, agora há pouco consegui esquematizar a vinda
a uma lan house, com meu celular, meu MP5 e um pendrive, que comprei ontem,
para passar as fotos dos outros dois para este. E do que fui esquecer?? Do cabo
USB! E agora, José?!
Esta semana já tem sido um tanto esquisita,
o único dia em que o esquema deu mais ou menos certo foi a segunda-feira – veja
você, uma segunda-feira! – quando dei um pulo até o outro lado do rio, para
conhecer Manacapuru, logo ali, pouco depois de Iranduba. Mais ou menos porque
tirei menos fotos do que gostaria, andei menos pela cidade do que gostaria... mas
paciência, fui pra voltar no mesmo dia, são 80 Km , saindo do porto da
vila do Cacau Pirera. E não adiantou muito sair cedo de casa, cheguei quase
meio-dia do lado de lá do rio Negro. Mas não foi culpa da balsa, ela saiu no
horário certo! O problema mesmo são esses ônibus daqui de Manaus.
De vez em quando, penso que deveria ter
nascido europeu. Não tenho nada contra automóveis, até curto sonhar com uma
Ferrari, Lamborghini, Porsche, etc. Mas sei lá, não me vejo parado, no trânsito
caótico de Manaus, ou de Porto Alegre, ou de qualquer outro lugar, ao volante
de um carrinho popular seminovo. Curto pacas aquelas reportagens de programas
de viagens, tipo o 50 por 1, onde os caras andam de trem, de ônibus, de metrô,
BRT, VLT... enfim, transportes coletivos rápidos, seguros e eficientes. Queria
muito, mesmo, que aqui no Brasil também fosse assim...
Lá pro outro lado do rio tem isso de
transporte urbano, não. Não tem serviço regular de ônibus urbano, no Cacau, em
Iranduba e Manacapuru. Pra lá, é só duas rodas. Moto-táxi tem é muito. Mas lá não
precisa ter esse serviço de transporte público, não. Basta ter ônibus
intermunicipal. Esses não atrasam, não têm – quase – superlotação nos horários
de pico, têm de hora em hora, são rápidos, limpos, novos e bem cuidados. Salvo
uns que fazem a linha Cacau Pirera – Iranduba. Têm a ver com aquilo lá. Gosto
de Iranduba não, eu! Cidadezinha pequena e parada, parece até morta. Cacau
Pirera é uma vila, pertence ao município de Iranduba, mas é melhor, mais
desenvolvida, mais agitada que a sede propriamente dita. Mais um motivo pra eu
não gostar daquela ponte que estão finalizando, além daqueles todos que já
falaram por aí: aquela bendita ponte vai facilitar pra quem precisa ir
seguidamente a Manacapuru, Novo Ayrão e outras localidades do outro lado do
rio, em compensação, vai matar o Cacau Pirera. Ninguém mais vai desembarcar no
porto das balsas, a vila vai morrer à míngua, muita gente que vive e trabalha
ali vai perder o sustento. Bem que Dudu Braga podia ter puxado essa ponte
praquele lado, né!?
Pra você que é daqui e já não curte Manaus,
só vê os defeitos e queria fugir praquelas cidades do Eixo do Mal, nem adianta
muito eu falar que gosto daqueles lugares ali do outro lado do rio Negro! Mas
gostei de Manacá, passeando pela cidade, cogitei de morar pros lados de lá. Até
anotei o telefone de uma placa, anunciando apartamentos pra alugar, ali bem próximo
da rodoviária da cidade e do parque onde ocorrem os principais eventos, como o
festival de cirandas. Achei interessantes as estátuas de cirandeiros, na
entrada de Manacapuru. Do outro lado da rodoviária, tem a sede do grupo de
ciranda Flor Matizada. Fiquei de voltar a Manacapuru. Não vou voltar ao Rio
Grande do Sul antes de ir lá mais uma vez! Gostei de lá, do pouco que conheci.
Quero conhecer um pouco mais, levar fotos e lembranças. Tomara que esse esquema
ainda dê certo: passar um final de semana, pelo menos, que seja, lá do outro
lado do rio! Se em Manacá for caro, passo a noite no Cacau, ou em Iranduba,
talvez possa até dar uma esticada até Novo Ayrão... enfim, nem é bom
esquematizar muito, vai que... né!?
Tenho me deprimido demais por esses dias. Nem
consegui ver a estréia do Garantido no Festival de Parintins deste ano. Pois é,
fiquei falando um bom pedaço da cidade da ciranda... e minha paixão, e
interesse são pelo festival folclórico de Parintins, pelas toadas e pelos bois bumbás,
principalmente o boi do povão, o Garantido. Ano passado até escrevi um texto
sobre a transição, meio conturbada, da saída bem mal-explicada do rei David
Assayag e sua substituição pelo uirapuru Sebastião Jr. Meu coração tem me
parecido meio apertado. Dores de amor. Tenho tido algumas idéias. Tenho sentido
saudades dela, da menina a quem vi numa noite de sexta aí. Não temos mais tido
encontros fortuitos, não sei se ela tem me visto à distância, sei que eu não a
tenho visto... e que queria vê-la mais vezes. Tudo depende dos esquemas, no
nosso caso, dependemos dos esquemas do tempo. Que, no momento, não está muito
do meu lado...





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