Li no jornal Manaus Hoje, edição de terça-feira, 16
de agosto de 2011, uma notícia sobre o desaparecimento de um rapaz, na Cidade
Nova. Segundo o jornal, Jeremias dos Santos foi visto pela última vez no último
sábado e a família encontra-se muito preocupada, pois o rapaz é deficiente
auditivo.
Pensei, pode ser que seu sumisso não tenha nada a
ver com a sua situação, mas com o desejo de sumir, desaparecer mesmo, ficar
longe de tudo e de todos. Mas é provável também que tenha se perdido... a zona
Norte é grande! Tempo desses, quase me perdi, lá pros lados do Oswaldo Frota,
aquele conjunto pra lá da Cidade Nova. Aliás, a Cidade Nova é praticamente uma
cidade, mesmo... não na estrutura, mas na extensão e povoamento. Pois se, para
mim fica fácil me perder no emaranhado de ruas da zona Norte de Manaus, mesmo
podendo comunicar-me, pedir informação, procurar um ponto de referência,
imagine para um portador de necessidades especiais, como no caso de Jeremias!
Ok, Jeremias talvez até consiga dizer para alguém
quem é, que encontra-se perdido, não sabe onde está, quer voltar pra casa e
tudo o mais, mas o problema todo é ser entendido... ele pode saber falar, através
da linguagem dos sinais, mas quantas pessoas sem deficiência auditiva também
conhecem essa linguagem? Te digo, bem poucos. Seja em Manaus, São Paulo, Porto
Alegre, ou Rio Branco... há surdos que são “analfabetos” na linguagem dos
sinais. Eu sou completamente analfabeto nisso. É uma vergonha! Mas não há um
interesse real em se integrar os portadores de necessidades especiais à
sociedade. Você vê que não há muitas calçadas adaptadas para os cadeirantes. Pior,
quando há calçadas, os estabelecimentos usam-nas como estacionamento! Claro,
vejo isso todo dia, aqui em Manaus, inclusive quase fui atropelado, sendo
obrigado a caminhar na pista da avenida Perimetral, no Parque Dez. Mas esse fenômeno
é nacional. Para os deficientes visuais também temos várias armadilhas Brasil
afora. Noite dessas, esperando meu ônibus, observava três cegos que vinham se
dirigindo para a parada do seu, ali em frente ao porto privatizado. Caminhavam
os três lado a lado, batendo suas bengalas, balançando-as de um lado para o
outro como um radar improvisado. Pois o radar de um deles não funcionou e ele
foi de encontro a uma imensa placa daquelas que ficam nos pontos, tão forte que
se ouviu um estrondo! Se você estiver rindo, enquanto lê isso, pare
imediatamente, porque não é nem um pouco engraçado.
De vez em quando, nessa mesma parada, vejo um
pequeno grupo de deficientes auditivos conversando entre si, no seu idioma. Me
parece um grupo muito fechado, o dos surdos. Penso até se esses grupos não são
células de uma organização maior, com o intuito secreto de dominar o mundo.
Não tenho muita idéia do que se pode fazer para
integrar, de verdade, pra valer, os PNEs à sociedade. Mas, lendo a notícia, me
ocorreu algo, que não sei se seria a solução, mas enfim, é uma idéia: acabar-se
aos poucos com as escolas especiais para deficientes auditivos. E como seria
isso? Bom, se adaptariam as escolas, digamos assim, normais para ensinarem no
modo tradicional e na linguagem dos sinais. Do primário ao nono ano do ensino
fundamental, pelo menos, pra começar, todas as crianças, deficientes auditivas,
ou não, iriam aprender a linguagem dos sinais. É, pelo menos, talvez, a vida
dos deficientes auditivos ficasse mais fácil. Mas é mais certo que eu esteja
dizendo alguma besteira, então... não precisam levar a sério, mas se alguém
levar essa idéia a sério, tente também levar adiante! Quem sabe dá certo.

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