PESCANDO NO BODOSAL

segunda-feira, 23 de junho de 2014

Má Vontade


Antes do jogo entre Croácia e Camarões, o repórter da Rádio Gaúcha, de Porto Alegre (RS, nesta época do ano começando a ficar frio), Fernando Nabinger, ou Fábio, ou alguma coisa assim, não lembro seu primeiro nome (peço perdão), perguntado pelo plantonista do setor de esportes da rádio sobre o clima para o jogo daquela noite, às 19 horas, respondeu: "Clima agradável para o jogo de logo mais, choveu hoje à tarde (quarta-feira, 18/06), o que deixou a temperatura bem mais amena do que nos últimos dias, aqui na capital do Amazonas..." Até onde me lembro, camaroneses e croatas usaram o intervalo pra descansar, enxugar o suor e hidratarem-se para voltar ao jogo, no 2º tempo. Ao final do jogo, vejo o narrador da TV Bandeirantes, Oliveira Andrade suando em bicas em frente às câmeras e, numa conversa com o comentarista e ex-jogador Djalminha, diz ter se surpreendido, pois os camaroneses não "aproveitaram" a "vantagem" do calor e umidade "desumanos" de Manaus... deixando subentendido que os croatas "deveriam" ter acusado o baque de jogar em condições climáticas tão "adversas", o que não aconteceu. -- CORTA PRA DOMINGO! -
O apresentador Fausto Silva, encerrando seu programa -- umas 2 horas mais curto, pelo menos, viu!? nem tudo nessa #copadascopas é tristeza, tem um lado bom, lá no fundo -- faz chamada para o jogo entre Portugal e Estados Unidos, que começaria logo em seguida, falando em "38°C de temperatura às 7h da noite"... (estamos em agosto, já, e não percebi?! porquê, né...) Depois, Luís Roberto de Múcio, narrador escalado pela gRobo praquela partida abre as transmissões "falando direto da Arena 'da' Amazônia (não tem ninguém, ninguém, ninguém, NINGUÉM MESMO, pra avisar ao rapaz que o 'da' tá demais ali, que é apenas e tão somente 'Arena Amazônia' o nome do estádio?!), no CORAÇÃO DA FLORESTA AMAZÔNICA(!!!!)" -- também acho, alguém tem que avisar que tem uma cidade em volta do estádio, o pobre rapaz não se deu conta, ainda... -- fala também do calor e da 'altíssima' umidade (que não tava maior, nem com nojo, que a umidade perto lá de casa, boatos de que por aqui estamos com 98%), que complicariam bastante os dois times de terem um bom rendimento naquela partida. Na Band, Datena, estreante como narrador esportivo (quem diria?! nem parece, né...!), usa dos mesmos chavões para se referir a Manaus, ao AM, ao clima, etc, etc. Americanos e portugueses, de fato, pararam no meio do 1º tempo pra beber água e se hidratarem, porque... "o calor e a umidade relativa do ar estão demais!"
Aí o(a) amigo(a) descoladinho(a), progressista e tudibom, "ideologicamente" falando vai argumentar: "Ain, maix tá certo, o calor e a umidade em Manaus são demais, se você soubesse o quanto sofre quem não tá acostumado..." iscutaki, meua migo! Coisa que me irrita mais que essa gente da grande mídia do umbigo do país falar besteiras sobre as "periferias" do Brasil brasileiro são os vira-latas que não se assumem e acusam outros de virarem os contêineres de lixo dessa "maravilhosa nação", dizendo que, em parte, eles estão cobertos de razão! Porque, veja bem... "ah, os americanos e portugueses tiveram que parar o jogo, não estão acostumados com esse clima, nem a jogar nessas condições..." ah, tá, e a Croácia tem um clima indonésio, por acaso!? "Vocês gaúchos não entendem, não estão acostumados também, aí faz muito frio..." amigo, um radialista GAÚCHO falou em "clima agradável e temperaturas amenas", EM MANAUS! Por que ele não acusou os "terríveis problemas" que deveriam, segundo a imprensa umbiguista, acometer todo e qualquer forasteiro que sequer ponha os pés na Amazônia, sobretudo os de regiões frias e subtropicais?! Você não ouviu ninguém da imprensa umbiguista lamentando o "terrível sofrimento" de se jogar em Porto Alegre e Curitiba, nesta copa, às 16h, quando o sol está baixando e as temperaturas ficam abaixo de 15°C -- e abaixo de 10°C, até o fim das partidas -- sobretudo as seleções africanas, ou centro-americanas, não é? Ninguém 'se preocupou' se teria café, chá, quentão, ou chocolate quente, pra aquecer os jogadores nos estádios do RS e PR. Por quê essa 'preocupação' exacerbada com a sede da Amazônia? Não, desconhecimento, não creio que seja... tampouco preconceito. É má vontade, mesmo, pura e simples!

segunda-feira, 16 de junho de 2014

Pescando


Ele está sentado num mochinho, olhando fixamente a água, uma vara fina de bambu nas mãos, com um cordão amarrado na ponta. De repente, não mais que de repente, ele nos olha, com o olhar esbugalhado, um sorriso esgazeado de triunfo, um rottweiler feliz salivando, puxa com força a vara para cima e sacode o seu "troféu".
-- Arrááá!! Olhaí, olhaí, olhaí, peguemo mais um! -- brada ele na nossa direção. Ri-se dos "pobres coitados" que não notaram que tá tendo Copa pra caramba, resmunga um insulto praquela rede de tevê que "escondeu" um tal dum esqueleto, curiosamente a mesma que, ouvimos dizer, abafou as vaias e insultos à Sua Majestade, a Excelentíssima Sra. Da Vida e Da Morte de Todo e Qualquer Brasileiro de Bem Presidenta, a mesma que só fala na #CopaDasCopas, que estaria ocorrendo no nosso quintal e da qual não podemos apontar defeitos -- sempre segundo essa grande rede de tevê, sabemos disso, mas não podemos admiti-lo, porque só quem tem o direito de xinga-la são os flamantes donos da Verdade -- pois é uma honra muito grande ter todo esse evento ocorrendo nos nossos estádios, para nos deleitarmos assistindo-o pela tela da tevê (que importa se você, ou eu, não podemos entrar na festa?!), que todos os problemas se tornam pequenos, inclusive aquele do reservatório Cantareira, que eles quase esqueceram, ainda não voltou a um nível confortável, mas tudo bem, porque tá tendo Copa, sim, e é pagaraio!
Diz o nosso "pescador" que isso é pr'essa cambada de incautos tomar tento, que 'eles' os estão observando. Fico na dúvida se aviso, ou não, que ele está pescando num balde d'água e que aquele "peixe bobo" que ele "pescou", na verdade, é um espelho...

terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

Enquanto Isso, em Vila Veneza...


Lá vem alguém dizer que está tudo bem e nada está acontecendo na casa do vizinho... que são essas fofoqueiras inxiridas inventando coisa... elas mentem demais! Esse povo da Vila Veneza - vamos chamá-la assim - não controlam a língua, não cuidam das próprias vidas, são invejosas, não cuidam do próprio quintal... dona Cristina e dona Russa não, essas são diferentes, elas cuidam é do que é seu e não se metem na vida de ninguém. Ademais, elas dizem que na casa do vizinho tá tudo na mais perfeita ordem, tudo tranquilo, o vizinho é gente finíssima!
Uns acreditam. Outros, não. Têm mais uns que nem se importam. Só não querem que o vizinho meta o bedelho em suas vidas, nos seus quintais. Corre à boca pequena que o vizinho herdou a casa e tem sido desleixado na conservação, tem distratado os filhos, tem se achegado a outro vizinho, um velhinho rabugento, de quem ninguém gosta... tá, mas uns vizinhos lhes tomaram as dores, começou a rolar  stress na Vila Veneza. Dizem que é intriga, que ninguém tem nada que comprove o que se diz do vizinho. Se ninguém viu - talvez porque o vizinho faça o que quer que faz atrás das portas e das paredes da sua casa, bem longe dos olhares, alguém que ouviu um barulho estranho aqui, um grito ali, nada mais - é porque nada demais acontece!
Só que um dia... pra júbilo de uns, que disseram "Eu já sabia! Não falei, não falei??"; pra desgosto de outros, que precisavam ver para crer... algo maior aconteceu! Uma turba gritando, vociferando, xingando, "pega, pega, capa, capa esse sem-vergonha, capa!", etc. Todo mundo foi ver o que acontecia, via uma senhorinha escabelada, uns senhores indignados correndo de cinta e fio de tomada na mão pra espancar seu Nicollas, que corria pelado, desesperado, pedindo "pera, gente, calma, pra quê todas essa violência??" Alguém comentou que outro dia ele mandou surrar um menino que tinha pulado seu muro pra resgatar a bola que tinha caído lá e ninguém tinha falado nada.
Depois do furdunço dona Cristina e dona Russa nem olhavam pro lado de seu Nicollas, chegavam desviar na calçada pra não lhe cumprimentar. Quem lhe defendia andava constrangido, cabisbaixo. Quem lhe acusava, agora, só tirava onda, apontava quando ele passava na rua e ria. Quem não tava nem aí, continuou assim. E a vida retomou seu caminho na Vila Veneza.

segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

Um Ano Depois


Um ano de lamentações. Um ano de "por que não tentam esquecer e seguir a vida?! Já aconteceu, foi uma fatalidade, não tem mais volta..." Um ano depois e, de fato, as pessoas, os pais, parentes de vítimas e sobreviventes do incêndio na boate Kiss, de Santa Maria, Rio Grande do Sul, não se recuperaram, não conseguem ainda seguir adiante, não esqueceram as 243 mortes. Este que ora escreve não entende como poderiam, ou por que deveriam, mesmo, esquecer.
Uma semana depois, o Brazil e a Periferia tinham se irmanado na dor, tinham se integrado num único país, todos se interessavam, buscavam saber em que pé estavam a perícia e as investigações, o que e como, de fato, havia acontecido naquela madrugada de sábado para domingo, dia 27 de janeiro de 2013. Todos estavam perplexos, todos estavam entristecidos. Todos os cidadãos começaram a pedir providências para que em suas cidades não ocorresse tragédia semelhante. Todos os cidadãos questionaram o poder público e a iniciativa privada sobre a situação das casas noturnas, casas de show, restaurantes e boates de todo Brazil, se estariam regulares e, principalmente, se eram seguras!
As prefeituras de Porto Alegre, Manaus, São Paulo, Rio de Janeiro, Recife, João Pessoa, Curitiba, Cuiabá, Palmas do Tocantins e boa parte das cidades e capitais brazileiras e periféricas se mexeram, mandaram fiscais às ruas, o Corpo de Bombeiros de cada cidade procedeu à vistoria para prevenção de incêndios e outros desastres, o Opinião, o Porão, o Remulo's e Carmen's Club foram fechados por não estarem adequados e apresentarem alvarás de funcionamento vencidos, ou inadequados para o exercício do empreendimento.
O Ministério Público parecia disposto a apurar todas as responsabilidades, "duela a quién duela", dos músicos da banda de fandango; dos donos do empreendimento de entretenimento santa-mariense; do corpo de bombeiros, responsável por averiguar se o PPI, plano de prevenção contra incêndios, estava dentro dos conformes; do poder público municipal, Prefeitura e Secretarias Municipais responsáveis pela fiscalização e concessão de alvará para funcionamento da boate Kiss. Os meses se passaram, a polícia e o MP começaram a se desentender quanto às responsabilidades de cada órgão e/ou instituição, a Prefeitura e secretarias municipais foram "perdoadas", ou qualquer coisa assim.
As cidades, Estados, corpo de bombeiros de cada província, etc, voltaram ao velho status quo depois de alguns meses da tragédia na boate santa-mariense. O próprio cidadão comum meio que esqueceu-se, deixou de lado, "seguiu em frente"... há outras tragédias cotidianas com que se preocupar. E não, o cidadão comum não está errado em agir assim! É até natural... não é natural fazer pouco dos que ainda não conseguiram prosseguir, daqueles que em Santa Maria vivem, dos que sobreviveram à tragédia, etc. Lá, os últimos 365 dias ainda não trouxeram alento àquelas almas torturadas. Para piorar, a Justiça, lenta, morosa, ainda não deu andamento aos processos. O MP responsabilizou uns, deixou de lado outros. Os únicos a puxar cadeia, mesmo assim, por um curto espaço de tempo, foram os donos da boate e dois integrantes da banda que lá tocava, naquela noite fatídica. Ainda estão respondendo em liberdade. O bombeiro responsável pela fiscalização do alvará de segurança da casa noturna também responde em liberdade, inclusive indícios de favorecimento de empresas que vendem extintores de incêndio e recargas, e de cobrança de propina, para agilizar concessões de PPIs. Os pais, mães, irmãos e sobreviventes ainda carregam as sequelas físicas e morais daquela noite. Sentem-se impotentes, diante da morosidade da Justiça, da lerdeza em se finalizar este caso e punir os responsáveis. Um ano sem conseguir fechar de vez essa chaga, um ano sem fechar a tampa desse caixão. Uma data que não tem como ser esquecida. Ainda não.
Que num futuro próximo, os santa-marienses possam encontrar a paz e seguir em frente.

segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

BORA DÁ UM ROLÊ


Puxa! O que seria de mim sem o Fantástico nas noites de domingo?! Não fosse por esse fantástico programa - com o perdão da redundância - e todo seu didatismo diletante, para explicar-me o que é, afinal de contas, esse tal do rolezinho, que "é a nova febre nos shopping centers do país" (sendo que emos, leleks, punks, manos, etc praticam os rolês nos centros de compras há uns 10 anos, Brazil afora - incluindo as periferias, obviamente) eu jamais saberia... e muito menos me importaria!
Sim, porque só se fala em outra coisa, é muito necessário que entendamos o que essa "nova modalidade" realmente representa. Era muito necessário que a mentirosa e mal-intencionada Rede gRobo chamasse uma antropófaga para explicar que as pessoas estão ganhando mais, gastando mais, se inserindo na "nova" crassimédia e que isso estaria, de alguma forma, ligado à gênese dos rolês, quando "as classes menos abastadas começariam a tomar o seu lugar nos locais antes ocupados apenas pelas classes mais altas"... que significa o Fantástico fazendo coro às vozes que politizaram o ~tal do rolezinho~, falando em "apartheid social" e outras asneiras.
O Cansástico apenas esqueceu de avisar que o rolezinho, que já está quase completando uma década só virou assunto, nas últimas semanas porque:
1 - Alguns praticantes do rolezinho começaram a cometer também vandalismos e incitar violência e balbúrdia em ambientes públicos fechados, como shopping centers, provocando pânico em outros frequentadores - independente da porra da crassi sociau!!
2 - Isso se deu na cidade de São Paulo, capital do Estado de São Paulo, República Federativa do Brasil. Como você bem sabe, é lá que se concentra a maior parte das grandes empresas de comunicação. Fosse em qualquer outro lugar dos Aliados, portanto fora do Eixo (SÃO PAULO/RIO DE JANEIRO), como em Pedrinhas - MA, ou Santa Maria - RS, só alcançaria essas grandes redes caso houvessem mortes! E...
3 - A modalidade foi politizada, ou seja, grupos dessa e daquela orientações políticas se posicionaram contra, ou a favor, com intuitos não muito genuínos...
NÃO, não foi por nenhum outro motivo! NÃO, isso não é uma "nova modalidade" só porque a mulecada, que antes combinava os encontros no orkut, agora combina via Facebook. Não, a moda agora é politizar até se você colar chiclete embaixo do assento do ônibus! A moda agora é copiar todo tipo de imbecilidade que algum malino no Eixo copiou dos estrangeiros e resolveu "inaugurar" na sua belíssima maior cidade do Brazil. Nada mais, nada menos!