Ele
se preocupa demais com o sentido que se dá às palavras.
Ela o chamou de stalker... ele não gostou! Não
entendeu, ficou incomodado, ficou preocupado. Estaria se intrometendo
demais?! Estaria ela incomodando-se com o que ele fazia, com suas
curtidas, seus comentários, suas músicas?!
Stalker...
palavra que lhe estava martelando, reverberando na cabeça.
Palavra feia! Ele buscou uma tradução... não
encontrou nenhuma para o português. Não se deu por
vencido, procurou alguma para o espanhol: “acosador”. Então
ele teve certeza, o apelido que lhe dera não era nem um pouco
amistoso, lisonjeiro, ou carinhoso. Não podia ser, afinal, se
ele era um stalker, era um acossador, um perseguidor, um não
sei mais o quê, que tirava sua paz e lhe cansava a beleza –
que é extrema!
Ah,
a semântica... as palavras têm o sentido que damos a
elas! Pois ela, é como numa música da banda Ludov, ela
é tão bonita de se admirar, tão linda... tão
divertida, inteligente, espirituosa, instigante... ele gosta de
admirar suas fotos, seu olhar, seu sorriso, suas frases, suas
músicas, seus filmes, seu melhor, seu pior. A sua vida virtual
é um tanto mais interessante que a sua vidinha “real” –
porque, bem, ele já não separa as duas, pois, na
verdade, são duas facetas da mesma vida – justamente por
causa dela!
Um
amigo professor disse, uma vez, algo tipo: “quem stalkeia é
um apaixonado platônico”. E ele sabe, ela tem uma importância
ligeiramente maior para ele do que o contrário. No fim de
semana ele sente bastante saudade, mas não acha que ela deva
sentir também. Apenas espera, um pouco...
Talvez
o sentido que ela dê para a palavra nem seja algo tão
negativo quanto ele achou que fosse... e se ela diz que ele é...
então tá, ele é um stalker! Um apaixonado
platônico, um stalker, um abestado romântico, tanto
faz... ele gosta demais de segui-la, de admirá-la. Ela é
sua kriptonita... e ele gosta, ele busca sua kriptonita... então,
isso é ruim, é negativo?! Depende do sentido que você
dá, é tudo questão de semântica!

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