Ela
vem e o assombra. Lhe tira as velhas certezas, de que tudo já
havia passado, de que tudo já era, página virada. “Eu
a esqueci... a esqueci...” só que não. Eles não
se falam, como nos bons tempos, em que estavam apaixonados,
enamorados um pelo outro. Mas ainda se falam! Ele se mudou pra outra
cidade, mas mantém o seu número na agenda, tem um chip
da mesma operadora dela, que é pra não pagar ligação
com preço de interurbano. “É mais prático!”
Sim, sim, é mais prático, realmente. Ele manda-lhe sms
nas datas festivas; Natal, Páscoa, Ano Novo Cristão,
Lunar e Judaico, o aniversário dela... ele não esquece
nunca a data! A justificativa, que poderia estar entre aspas, é
que ela nasceu na mesma data em que se comemora a fundação
do seu time de coração. Que feliz coincidência,
não!? Pois é... ele diz que são apenas bons
amigos. Que já superou. Que tá em outra. Eles não
romperam, foi pior, eles terminaram. Decidiram de comum acordo: ele
não era para ela, ela não era para ele. Eram muito
diferentes, disse ela, eram parecidos demais, disse ele. Este era o
único ponto no qual discordavam.
Bom,
mas enfim, terminaram de modo amigável, preferiram ficar bons
amigos. Para ela, talvez, seja isso mesmo. Para ele... já não
sabe mais direito. Mas quis crer que também para ele era só
isso. Às vezes, só às vezes... ele pensa que
talvez fosse melhor se tivessem rompido. Se tivessem quebrado os
pratos, quebrado o pau, se magoado mutuamente. Porque daí, não
iria restar nem isso! Ele só se sente assim quando ela vem,
surge em seus sonhos, alguns deles bem quentes... põe uma
pulguinha atrás da sua orelha. Fica em dúvida,
questiona-se se ela já era mesmo, se é página
virada na sua vida, se pra ele só ficou mesmo a amizade. Uns
amigos que o conhecem melhor que ele mesmo implicam com ele, dizem
que ainda mantém esperanças vãs, que ainda tem
sentimentos muito fortes por ela. Ele nega, diz que sim, gosta muito
dela, que pra ele interessa mais que ela seja feliz, do jeito que
for. Ultimamente ele tem lembrado dela, ela tem vindo, com certa
frequência, visitá-lo em sonhos, ele tem estado meio
nostálgico daqueles tempos... talvez, só talvez, ele
tem pensado... ela venha deixar de assombrá-lo, se!!
quem sabe, ele admitir para si mesmo que não
passou nada ainda, que página alguma foi virada, que ainda a
ama – e isso é ainda mais forte que ele!

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