PESCANDO NO BODOSAL

terça-feira, 10 de julho de 2012

Que Nem Você


Dizer as coisas em tom de brincadeira, ter coragem de deixar transparecer meias verdades, ainda por cima com pretensão de te chamar a atenção e te fazer sorrir, quem sabe, quem sabe... é, esse sou eu. Acordado no meio da madrugada, sono agitado, desfocado demais até pra dormir... e pensando em você, pensando no que escrevi, nas entrelinhas.
Há dias pensando no mesmo tema, há eras pensando naquilo que tive tão pouco, que me faz tanta falta... há tanto tempo respirando o mesmo ar saturado. Sem tempo, disposição ou coragem para desligar-me da “matrix” e buscar o que me falta, sem paciência para me jogar em conquistas, a cada dia sentindo mais a necessidade de ficar on-line, no afã de ficar próximo – até demais – de você... chegar ao absurdo de pedir a Deus para encontrar algo que não existe; alguém como você! Não é bonito não ter coragem de dizer com todas as letras que queria você além da “matrix”, quero você na minha vida!


quinta-feira, 5 de julho de 2012

Anda Difícil...


Stalkear não é legal. Agora tem lei, pra quem acredita que elas existam para ser cumpridas e realmente teme alguma punição. Praquele stalker ali, stalkear não tá mais tão legal assim...
Ela o fascina, tudo o que ela possa exalar, tudo o que lhe faça referência. Músicas, filmes, livros, cidades, praia , ou serra. Difícil, quase impossível não curtir cada foto sua, ou em que ela aparece, cada sorriso para a câmera, que automaticamente deixa-o com um sorriso bobo no rosto, que ele admira extasiado, hipnotizado.
Cada link aberto, lido e repassado, cada gesto seu nas redes sociais querendo ser interpretado como um sinal de afeto e admiração, como se fosse um afago em seu belo rosto. Cada curtida dela lhe faz sorrir por dentro e por fora, cada comentário, ou reply lhe devolve o sol e o calor nos dias mais gelados e cinzentos!
Mas tá difícil stalkear... às vezes ele vê o que não lhe agrada tanto assim. Sente-se quase culpado de ser tão enxerido. Complicado sentir ciúmes que não deveriam existir... não fosse a frieza da internet, seria impossível ocultar certos sentimentos que tem guardado mais para si, demonstrando timidamente, arrependido da sua fraqueza, ou falta de coragem. Já está difícil esconder que tem pensado muito nela, que quase tudo que é dito, feito, escrito, é pensando nela.
Ele a espia, ele procura ouvir certas músicas que o remetam a ela, ele espera suas curtidas, um comentário, um :*, etc... complicado ouvir aquela música do Agridoce e lembrar de um sonho que teve com ela sem derramar ao menos algumas lágrimas... stalkear anda bem difícil. E bem difícil não stalkear.

quarta-feira, 4 de julho de 2012

Atrapalhando o Trafego


Avenida Djalma Batista, 19 horas. Calor, ônibus até o tucupi, carros, motos, buzinas berrando freneticamente. O engarrafamento de todo santo dia, o trânsito em marcha de tracajá. Mais uma noite como as outras, mais duas horas de vida perdidas no caminho do trabalho pra casa, de casa pro trabalho.
O ônibus se arrastava próximo ao Plaza, parecia que há meia hora, atrás de uma fila gigantesca de ônibus, microônibus e carros. Na parada em frente ao shopping centenas de pessoas entrando e saindo dos coletivos, mais algumas dezenas esperando impacientemente seu transporte para ir pra casa.
Vindo do Centro da cidade, ele conseguira, por obra e graça divinas, um lugar para sentar, escorar a cabeça no vidro e ficar observando a avenida lotada, entregue a um tédio e uma melancolia aos quais já estava habituado. O ônibus parou de andar, o motorista parecia ter desistido de prosseguir viagem. Um burburinho de pessoas irritadas começou a ser ouvido dentro do coletivo. E ele só pensava: “mais duas horas de vida perdidas...”
Piscou, levantou a cabeça do vidro, arregalou bem os olhos para ter certeza: do outro lado da avenida, na direção bairro-centro, os carros passavam com mais fluência e ela, cheia de livros e apostilas, esperava aflita por uma oportunidade para atravessar a rua.
Abriu um largo sorriso, esqueceu-se do cansaço, do tédio, da melancolia e do marasmo, esqueceu-se até que ainda estava muito longe da sua casa. Levantou-se, abrindo espaço no mar de gente suada, cansada e mal-humorada, fez sinal, gritou, assobiou, suplicou para que o motorista abrisse a porta para ele descer, podia ser fora do ponto, mesmo... o homem da camisa cor de boto rosa disse, num tom inamistoso que não poderia fazer nada, era contra o regulamento, perigava até levar multa dos marronzinhos. Ele insistiu, alguns outros passageiros engrossaram o coro, iriam descer ali mesmo. Até que o motora, irritado com a zoeira, abriu a porta.
Ele desceu rápido feito foguete, estacou quase em cima dum carro parado na saída do estacionamento do shopping. Meio exasperado, tentou enxergá-la por entre o trânsito de pessoas, carros e coletivos, sorriu novamente, viu-a correndo, sem notá-lo ainda, desviando de motoristas apressados demais, que buzinaram enraivecidos. Veloz como um raio, ele correu na sua direção, chamando seu nome, quase pulando em cima do capô de um táxi, passando por trás de uma kombi, na frente de um motoboy.
Antes que ela tocasse o pé no canteiro central, ele a aparou nos braços, tal como o moleque que apara cuidadosamente o pião rodopiante na palma da mão. Seus olhos encontraram-se, a surpresa nos dela, o êxtase apaixonado nos dele. Os pés dele resvalaram pelo canteiro estreito, parando quase no meio da via, atrapalhando o trânsito. Sorriu, beijou-a carinhosamente, os olhos semicerrados, os ouvidos surdos por uns minutos, até o ar quase faltar. Ela riu, “tu é doido, menino...”, disse. Enlaçou o pescoço dele com os braços, voltando a beijá-lo em meio a um mar de buzinas, gritos e aplausos.



terça-feira, 3 de julho de 2012

Luminosa e Iluminada


Você vem
Linda, leve, graciosa, você vem
Como se flutuasse, seus passos tão delicados
O seu sorriso doce me cativa e me extasia
Desde a primeira vez que te vi.
Te vejo
Num vestido branco, esvoaçante
Parecendo um anjo de sorriso límpido
Luminosa e iluminada
Toco teu rosto, acaricio-o com ternura
Sorrio, sentindo uma paz interior
Beijo teu rosto com suavidade
Você é meu pequeno anjo
Me enche o coração de calma
E de intensa alegria

segunda-feira, 2 de julho de 2012

Vou-me Embora Dessa Cidade!


Estou cansado disso aqui! Estou cansado desse povo burro, dessa cidade suja e mal-cuidada! Sem infra-estrutura, sem árvores, sem calçada pra gente andar, sem praça pra nossas crianças brincarem!
Tenho só me estressado com essas notícias que me vêm, de suspeita de fraude em concurso da prefeitura, em licitação da merenda escolar, prefeito que privatizou o abastecimento da água dizer que vai expulsar a concessionária e, no fim das contas, tudo continuar na mesma...
Cansei, não quero mais saber! Vou-me embora dessa cidade! Não tem mais jeito! Oito candidatos à prefeitura e nenhum se salva! Não há renovação, pelo menos dois já foram prefeitos, um é um grande bandido, isso sim! Vou-me embora, que essa cidade não tem mais jeito!
Mas, para onde vou?! Para qual cidade?? Para alguma cidade do interior?! Mas, se a internet e o transporte público aqui já são uma vergonha, imagine no interior do Estado! Sem falar em saúde, educação e... bem, enfim! É, vou ter que ir para outra cidade de outro Estado, alguma mais séria, com pessoas mais politizadas... quem sabe São Paulo?!
Lá o prefeito proíbe a distribuição de sopa aos pobres e moradores de rua, no inverno; a crackolândia não deixou de existir, só se espalhou pela cidade; Maluf e Netinho de Paula se unem pra apoiar o candidato do PT à prefeitura... não, São Paulo pode ser a maior cidade do país, mas com certeza não é a melhor.
Irei para onde, então? Porto Alegre?! Como aqui, lá o transporte público é deficitário e não tem cara de que vá melhorar tão cedo! Lá também, a propaganda da prefeitura diverge bastante da realidade. E os candidatos de lá não são nada melhores que os daqui! Sem falar que é muito frio! E o frio não tem “curtir”, ou você suporta, ou não!
Decidi, então, que vou ficar. Não adianta, a cidade não vai mudar por si só. Nada me assegura que em outra cidade as coisas serão melhores, sobretudo no Brasil! Terei de mudar de país?! Não, isso não vai resolver o problema. Posso sair, por um tempo, da minha cidade, mas ir embora de vez... não, isso não vai adiantar. Parece que não tenho opção. Mas é melhor assim, escolho ficar e resistir.