Hoje chamam de mini mercado, ou mercadinho, mas, na nossa infância, chamavam de armazém, venda, ou taberninha... local onde você encontra de tudo: pão, misturas, erva mate e pupunha a granel, pirarucu seco pro almoço de sexta-feira santa, uma caninha da boa, envelhecida em barris de carvalho e um ou dois dedos de prosa... entre e fique a vontade!
Chove
lá fora, aqui dentro faz tanto frio... e tanta umidade! A
chuva cai há horas, sem parar, molhando tudo, molhando o piso,
molhando meus sapatos e as mangas do meu casaco. Encharcando meu
humor, me deixando chateado.
Ah,
de que adianta tanto reclamar?! A chuva não vai parar tão
cedo e hoje o sol não vai mais voltar! Deixa chover, deixa
Deus lavar o mundo, lavar meu corpo e meu espírito. Deixa a
água correr, escorrer levando toda impureza que houver em meu
coração, todo pensamento ruim e mesquinho que não
me permita crescer.
Deixa
a chuva levar minhas dúvidas, minhas indecisões,
incertezas e tristezas. Deixa a chuva lavar, levar embora tudo de
ruim, deixa aqui só a fé no Criador, que nos constrói
e nos governa, a crença no Mestre, o Amor e o carinho. Limpa,
lava, leva, traz, deixa chover, deixa a chuva cair!
De
manhã até a noite ali, sentado, esperando... esperando,
na sua mesa de trabalho, em frente à janela. Faça frio,
ou calor; faça chuva, ou faça sol, esperava ela passar.
O dia não poderia começar sem que a garota passasse, no
seu andar gracioso e altivo. O dia não estava completo, sem
ver seus olhos castanhos, sua pele morena, seus cabelos bem
penteados, seu sorriso, seus piercings e seus brincos.
Todas
as manhãs, o que ainda dava-lhe forças para levantar,
para não desanimar e se acomodar de vez era a possibilidade de
olhar pela janela e vê-la passar. Ter a vizinha da frente, nem
que fosse pelo olhar, apenas, guardada na retina, sempre tão
bonita, com suas calças, suas blusas, seus vestidos...
observar os discos que trazia para casa, as revistas e os jornais
que lia, tentar adivinhar quais músicas gostava de ouvir,
quais autores e livros eram seus favoritos, se preferia gatos a cães.
Imaginava, algum dia, ir até lá fora, atravessar a rua
e trocar algumas palavras com ela, presentear-lhe, quem sabe, com o
DVD do seu filme favorito... sonhos, sonhos! Ele apertava os olhos,
tentando voltar para a vida real, para a velha escrivaninha em frente
a janela. A vizinha passa por ela, olha para o seu lado, sorri na sua
direção. De vez em quando ele a vê sorrir, de vez
em quando ela parece aperceber-se de que é observada, que
provoca o interesse dele, de vez em quando ele sente que seu sorriso
é para ele. E ele sorri de volta, timidamente. É assim
que a tem, paciência...
Outro
dia ele a viu, numa manhã ensolarada, passeando, abrindo o seu
mais belo e largo sorriso, acenando, parecendo ser para ele. Fez
menção de acenar de volta, logo o sorriso desmaiou,
logo mudou de ideia: não era com ele. Outro rapaz correra na
direção dela, era o sorriso dele que correspondia ao
dela, não era o seu. Sorte dele, naquele dia ela nem reparar
na janela aberta, do outro lado. Sorte dele a janela não
transparecer todo o ambiente, de repente tão pesado e
claustrofóbico, não deixá-la perceber o ciúme
que nele se instalara, que teria dificuldades em disfarçar.
Enfim, já fazia muito tempo, estava em frente àquela
janela. Talvez fosse hora de fechá-la, ou quem sabe, de trocar
a paisagem...
Falta
pouco, agora, para começar o feriado prolongado, de longe, um
dos mais aguardados. Muito embora não esteja nos planos
viajar, ou passar o dia em algum balneário, ou qualquer coisa
assim. Mas, só pelo fato de poder dormir um pouco mais,
acordar mais tarde, já vale muito a pena. Oportunidade para
dar um descanso para o corpo e para a mente.
Há
dias em que parece difícil levantar pela manhã, a
vontade de ficar na cama, debaixo das cobertas, simplesmente é
imensa, a ideia de passar o dia dormindo, por demais sedutora. E há
dias em que parece muito mais difícil levantar de manhã,
o sono que teima em não ir embora, a cada dia maior, a vontade
nem é de continuar na cama, mas de fugir, deste lugar, talvez
deste mundo, a vontade é de continuar dormindo, continuar
sonhando aquele sonho, tão legal...
Sem
vontade, sem ânimo, trôpego, tonto, sonolento, lento,
talvez até um pouco desmotivado... minha vontade, nesses
últimos dias, era sempre de estar em um outro lugar qualquer,
acordava pela manhã com os olhos ardendo e assim passava o
dia, até a noite, as pálpebras pesando feito chumbo. O
trabalho parecia mais massante que de costume, as redes sociais
andavam sem nenhuma graça, ou quase nenhuma, pois toda graça
que eu via estava em você, num novo post seu, em algum
comentário seu. Do feriado, só tenho isso a lamentar,
não ter você ao alcance do olhar, nem do teclar...
Mas
enfim ele chegou, e o feriado vou aproveitar, descansar, repousar,
desintoxicar um pouco. Recarregar as baterias, reciclar, ou botar pra
funcionar, algumas ideias. Esta noite vou me abrigar no meu refúgio
mental, no meu paraíso particular, balouçar na nossa
rede, à sombra dos coqueiros, sob a brisa do mar, ao som de
Coeur de Pirate – e de tudo mais que me remeta a algo bom, e que me
remeta a você... deixar o feriado passar, preguiçoso,
preguiçosamente esgotá-lo, depois, espero, menos
sonolento, e mais atento, vou voltar.
Olhos
ardendo, desde o amanhecer, leseira baré já bem cedo, o
frio lá fora deixando, aqui dentro, aquele mau-humor.
Só
estava querendo...
Que
o feriado prolongado estivesse começando hoje, que o calor
tivesse voltado, que pudesse dormir até mais tarde, que
estivesse na beira de uma praia, recebendo no rosto a brisa do mar.
Estava
te querendo...
Estava
querendo uma rede, uma praia, um sol e palmeiras, estava querendo nós
dois, enroscados feito gatos, dentro da rede, cochilando
preguiçosamente, tua cabeça repousando no meu ombro,
minha mão, distraída, passeando por teus cabelos.
Estava
só um pouco sonolento... sonhando, meio acordado, meio
cochilando, decidi que só queria isso, um tempinho sonolento e
preguiçoso com você.
Motivos
para sorrir... eu preciso de algum. Bom, talvez já o tenha! A
gente nem para muito pra pensar nisso. É tanto chorare, numa
segunda-feira pela manhã, é tanto mau humor a nos
contagiar, é aquela dor delícia na coluna, aquele
friozinho maldito, desmentindo a previsão daqueles siberianos
da meteorologia local, que diziam vir um “calor intenso”, de
pouco mais de 20 graus; o trem, que demora mais do que o necessário,
só pra poder encher os vagões... são tantas
pequeninas coisas a querer nos irritar, que acabamos nos deixando
levar pelo semblante fechado. “É assim mesmo, hoje é
segunda-feira!”
Motivos
para sorrir... nos acostumamos, ficamos de cenho carregado,
emburrados, nem discutimos, nem procuramos algum motivo, nem queremos
saber se existe algum. Tanto que, me parece incrível alguém
conseguir pensar, justo numa segunda de manhã, num motivo que
seja para sorrir. Mais surpreendente ainda, achar quem consiga pensar
em dez! 10!! DEZ!!! motivos para sorrir... me surpreende, ao ponto de
me pegar pensando em motivos para sorrir. Buscando algum, na memória.
Ok, não chego a pensar em dez, assim, de supetão, mas,
à medida que penso, sorrio ao pensar nas duas, ou três
razões que, imagino, me façam sorrir.
Meu
Inter vencer, de goleada e de virada, um daqueles times do “eixo do
mal”, depois de um vacilo inexplicável do goleiro colorado.
As peripécias e histórias, que minha sobrinha, de quase
3 aninhos, conta, no final de semana. Saber que hoje é
segunda-feira e, portanto, vou rever muita gente, com a qual me
acostumei a encontrar, pelas redes sociais, já que a distância
física não permite nos esbarrarmos na padaria da
esquina, no domingo. Mais uma semana para dar uma stalkeadinha básica
naquela moça, cuja mera lembrança, ao acordar, pela
manhã, ainda meio sonolento, já me fez sorrir... ainda
que, quase todo final de semana, minha mente tenha se ocupado com
outras preocupações, ao vê-la, um sorriso quase
bobo se desenha no cenho carregado e um aperto de saudade no peito se
faz sentir. Procurar 10 motivos para sorrir é quase um
desperdício de energia, quando apenas pensar nos seus belos
olhos já pode ser motivo suficiente para me fazer sorrir.