PESCANDO NO BODOSAL

terça-feira, 11 de setembro de 2012

Deixa a Chuva Cair

Chove lá fora, aqui dentro faz tanto frio... e tanta umidade! A chuva cai há horas, sem parar, molhando tudo, molhando o piso, molhando meus sapatos e as mangas do meu casaco. Encharcando meu humor, me deixando chateado.
Ah, de que adianta tanto reclamar?! A chuva não vai parar tão cedo e hoje o sol não vai mais voltar! Deixa chover, deixa Deus lavar o mundo, lavar meu corpo e meu espírito. Deixa a água correr, escorrer levando toda impureza que houver em meu coração, todo pensamento ruim e mesquinho que não me permita crescer.
Deixa a chuva levar minhas dúvidas, minhas indecisões, incertezas e tristezas. Deixa a chuva lavar, levar embora tudo de ruim, deixa aqui só a fé no Criador, que nos constrói e nos governa, a crença no Mestre, o Amor e o carinho. Limpa, lava, leva, traz, deixa chover, deixa a chuva cair!

segunda-feira, 10 de setembro de 2012

A Vizinha de Janela

De manhã até a noite ali, sentado, esperando... esperando, na sua mesa de trabalho, em frente à janela. Faça frio, ou calor; faça chuva, ou faça sol, esperava ela passar. O dia não poderia começar sem que a garota passasse, no seu andar gracioso e altivo. O dia não estava completo, sem ver seus olhos castanhos, sua pele morena, seus cabelos bem penteados, seu sorriso, seus piercings e seus brincos.
Todas as manhãs, o que ainda dava-lhe forças para levantar, para não desanimar e se acomodar de vez era a possibilidade de olhar pela janela e vê-la passar. Ter a vizinha da frente, nem que fosse pelo olhar, apenas, guardada na retina, sempre tão bonita, com suas calças, suas blusas, seus vestidos... observar os discos que trazia para casa, as revistas e os jornais que lia, tentar adivinhar quais músicas gostava de ouvir, quais autores e livros eram seus favoritos, se preferia gatos a cães. Imaginava, algum dia, ir até lá fora, atravessar a rua e trocar algumas palavras com ela, presentear-lhe, quem sabe, com o DVD do seu filme favorito... sonhos, sonhos! Ele apertava os olhos, tentando voltar para a vida real, para a velha escrivaninha em frente a janela. A vizinha passa por ela, olha para o seu lado, sorri na sua direção. De vez em quando ele a vê sorrir, de vez em quando ela parece aperceber-se de que é observada, que provoca o interesse dele, de vez em quando ele sente que seu sorriso é para ele. E ele sorri de volta, timidamente. É assim que a tem, paciência...
Outro dia ele a viu, numa manhã ensolarada, passeando, abrindo o seu mais belo e largo sorriso, acenando, parecendo ser para ele. Fez menção de acenar de volta, logo o sorriso desmaiou, logo mudou de ideia: não era com ele. Outro rapaz correra na direção dela, era o sorriso dele que correspondia ao dela, não era o seu. Sorte dele, naquele dia ela nem reparar na janela aberta, do outro lado. Sorte dele a janela não transparecer todo o ambiente, de repente tão pesado e claustrofóbico, não deixá-la perceber o ciúme que nele se instalara, que teria dificuldades em disfarçar. Enfim, já fazia muito tempo, estava em frente àquela janela. Talvez fosse hora de fechá-la, ou quem sabe, de trocar a paisagem...

quinta-feira, 6 de setembro de 2012

Sonolento...(2)

Falta pouco, agora, para começar o feriado prolongado, de longe, um dos mais aguardados. Muito embora não esteja nos planos viajar, ou passar o dia em algum balneário, ou qualquer coisa assim. Mas, só pelo fato de poder dormir um pouco mais, acordar mais tarde, já vale muito a pena. Oportunidade para dar um descanso para o corpo e para a mente.
Há dias em que parece difícil levantar pela manhã, a vontade de ficar na cama, debaixo das cobertas, simplesmente é imensa, a ideia de passar o dia dormindo, por demais sedutora. E há dias em que parece muito mais difícil levantar de manhã, o sono que teima em não ir embora, a cada dia maior, a vontade nem é de continuar na cama, mas de fugir, deste lugar, talvez deste mundo, a vontade é de continuar dormindo, continuar sonhando aquele sonho, tão legal...
Sem vontade, sem ânimo, trôpego, tonto, sonolento, lento, talvez até um pouco desmotivado... minha vontade, nesses últimos dias, era sempre de estar em um outro lugar qualquer, acordava pela manhã com os olhos ardendo e assim passava o dia, até a noite, as pálpebras pesando feito chumbo. O trabalho parecia mais massante que de costume, as redes sociais andavam sem nenhuma graça, ou quase nenhuma, pois toda graça que eu via estava em você, num novo post seu, em algum comentário seu. Do feriado, só tenho isso a lamentar, não ter você ao alcance do olhar, nem do teclar...
Mas enfim ele chegou, e o feriado vou aproveitar, descansar, repousar, desintoxicar um pouco. Recarregar as baterias, reciclar, ou botar pra funcionar, algumas ideias. Esta noite vou me abrigar no meu refúgio mental, no meu paraíso particular, balouçar na nossa rede, à sombra dos coqueiros, sob a brisa do mar, ao som de Coeur de Pirate – e de tudo mais que me remeta a algo bom, e que me remeta a você... deixar o feriado passar, preguiçoso, preguiçosamente esgotá-lo, depois, espero, menos sonolento, e mais atento, vou voltar.


terça-feira, 4 de setembro de 2012

Sonolento...(1)

Sonolento...
Olhos ardendo, desde o amanhecer, leseira baré já bem cedo, o frio lá fora deixando, aqui dentro, aquele mau-humor.
Só estava querendo...
Que o feriado prolongado estivesse começando hoje, que o calor tivesse voltado, que pudesse dormir até mais tarde, que estivesse na beira de uma praia, recebendo no rosto a brisa do mar.
Estava te querendo...
Estava querendo uma rede, uma praia, um sol e palmeiras, estava querendo nós dois, enroscados feito gatos, dentro da rede, cochilando preguiçosamente, tua cabeça repousando no meu ombro, minha mão, distraída, passeando por teus cabelos.
Estava só um pouco sonolento... sonhando, meio acordado, meio cochilando, decidi que só queria isso, um tempinho sonolento e preguiçoso com você.

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

Motivos Para Sorrir

Motivos para sorrir... eu preciso de algum. Bom, talvez já o tenha! A gente nem para muito pra pensar nisso. É tanto chorare, numa segunda-feira pela manhã, é tanto mau humor a nos contagiar, é aquela dor delícia na coluna, aquele friozinho maldito, desmentindo a previsão daqueles siberianos da meteorologia local, que diziam vir um “calor intenso”, de pouco mais de 20 graus; o trem, que demora mais do que o necessário, só pra poder encher os vagões... são tantas pequeninas coisas a querer nos irritar, que acabamos nos deixando levar pelo semblante fechado. “É assim mesmo, hoje é segunda-feira!”
Motivos para sorrir... nos acostumamos, ficamos de cenho carregado, emburrados, nem discutimos, nem procuramos algum motivo, nem queremos saber se existe algum. Tanto que, me parece incrível alguém conseguir pensar, justo numa segunda de manhã, num motivo que seja para sorrir. Mais surpreendente ainda, achar quem consiga pensar em dez! 10!! DEZ!!! motivos para sorrir... me surpreende, ao ponto de me pegar pensando em motivos para sorrir. Buscando algum, na memória. Ok, não chego a pensar em dez, assim, de supetão, mas, à medida que penso, sorrio ao pensar nas duas, ou três razões que, imagino, me façam sorrir.
Meu Inter vencer, de goleada e de virada, um daqueles times do “eixo do mal”, depois de um vacilo inexplicável do goleiro colorado. As peripécias e histórias, que minha sobrinha, de quase 3 aninhos, conta, no final de semana. Saber que hoje é segunda-feira e, portanto, vou rever muita gente, com a qual me acostumei a encontrar, pelas redes sociais, já que a distância física não permite nos esbarrarmos na padaria da esquina, no domingo. Mais uma semana para dar uma stalkeadinha básica naquela moça, cuja mera lembrança, ao acordar, pela manhã, ainda meio sonolento, já me fez sorrir... ainda que, quase todo final de semana, minha mente tenha se ocupado com outras preocupações, ao vê-la, um sorriso quase bobo se desenha no cenho carregado e um aperto de saudade no peito se faz sentir. Procurar 10 motivos para sorrir é quase um desperdício de energia, quando apenas pensar nos seus belos olhos já pode ser motivo suficiente para me fazer sorrir.