PESCANDO NO BODOSAL

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Subentendido


Eu gosto tanto de você
Que até prefiro esconder
Deixo assim ficar
Subentendido
Como uma ideia que existe na cabeça
E não tem a menor obrigação de acontecer
Eu acho tão bonito isso
De ser abstrato, baby
A beleza é mesmo tão fugaz
É uma ideia que existe na cabeça
E não tem a menor pretensão de acontecer
Pode até parecer fraqueza
Pois que seja fraqueza, então
A alegria que me dá
Isso vai sem eu dizer
Se amanhã não for nada disso
Caberá só a mim esquecer
O que eu ganho, o que eu perco
Ninguém precisa saber
Eu gosto tanto de você
Que até prefiro esconder
Deixo assim ficar
Subentendido
Como uma idéia que existe na cabeça
E não tem a menor pretensão de acontecer
Pode até parecer fraqueza
Pois que seja fraqueza, então!
A alegria que me dá
Isso vai sem eu dizer
Se amanhã não for nada disso
Caberá só a mim esquecer
E eu vou sobreviver...
O que eu ganho, o que eu perco
Ninguém precisa saber.”
(Lulu Santos)

Não é a primeira vez... não era pra ter acontecido. Nós nos encontramos apenas pelas redes sociais. Por lá, tudo é mais ou menos platônico, por assim dizer. Coleguismos, amizades, animosidades, manifestações, lutas sociais, amores... nada mais virtual que uma paixão platônica! O sentimento de apego a alguém de quem se gosta muito, mas sequer tem a coragem de admitir, de assumir... eu conheço bem isso! Imaginar mil histórias, mil situações, mil encontros inusitados, mil romances, com aquela pessoa que nem faz ideia que você existe... ou que nem imagina o que você sente por ela!
Tantas foram as paixões arrebatadoras, tantos os namoros, vários deles consumando-se nos mais perfeitos casamentos, em proles numerosas, muitos netos... louco isso, de imaginar como poderiam ser as crianças... quantas e quantas vezes ensaiei para fazer a mais perfeita declaração de amor... quantas vezes imaginei descobrir a melhor maneira de pedir para a pessoa, ficarmos juntos, num final de semana, para, então, engatarmos um namoro... quantas vezes esperei o momento mais propício para falar, para me declarar, e quando veio, deixei passar, ou então, nunca veio, e eu esperei à toa, até perder contato, deixar de vê-la, deixar de sentir o que vinha sentindo... por diversos fatores, às vezes porque ela começou um relacionamento, com alguém que não lhe merecia, às vezes sendo até destrutivo, outras vezes, por uma decepção, com alguma palavra, ou alguma atitude sua, enfim... só eu sabia da paixão, só eu vivia o romance, só eu sofria e, por fim, só eu esquecia. Sempre achei preferível, mesmo, que apenas um de nós se machucasse, que esse um fosse eu... sofro em dobro quando a minha paixão sofre. Em tripo, se sinto-me de alguma forma responsável por seu sofrimento. Quando a paixão platônica se acaba, quando a relação, que existe só na minha mente, termina... sou só eu que sofro... assim, apenas sofro... nem em dobro, nem em triplo, nem em quadruplo. Normal...
Eu não me declaro, eu me calo, tiro sarro, só pra ver... quase nunca me declaro. Vou deixando pistas, digo coisas pela metade, deixo margem, deixo subentendido... esperando e, ao mesmo tempo, temendo ser descoberto, digamos assim... porque, na verdade, queria eu ter a coragem necessária para dizer-lhe o que sinto, o quanto penso nela, o quanto lhe quero... mas é que temo a reação, e mesmo em caso de “sucesso”, eu nem sei direito o que fazer. Deixei tantas pistas, da última vez, que uma musa acabou descobrindo por si mesma, aquilo que eu não tinha coragem de dizer diretamente a ela. Imagine meu desespero! Bem, mas ela também não soube como lidar com a situação... não soubemos. Talvez fosse melhor ter deixado subentendido, ou talvez devesse ter sido mais claro em minhas intenções, para não haver nenhum mal-entendido! Bem, temos que aprender algumas coisas, mesmo...
Quanto mais penso nela, mais tenho a noção de que esta atração não é tão nova assim, não foi algo tão súbito. Desde que a conheci, que eu a curto muito, eu lhe gosto demais, eu cogito se fossemos bem mais que amigos virtuais. Só demorei para admitir a mim mesmo, só fiquei me concentrando nas nossas “enormes” diferenças, como um mecanismo de auto-defesa, como desculpa para não aceitar o que sempre senti. E agora... é quando digo, em tom de brincadeira, algo que sinto seriamente. Fico com ciúme de um nome qualquer, de alguém que nem sei se existe, ou se algum dia vai aparecer, em vez de dizer, mais uma vez em tom gaiato, quem sabe, que, por ela, eu até poderia trocar meu nome. Por ela, sou capaz de ir a um show de Ivete Sangalo, por ela, eu escuto axé e pagode de manhã até a noite, eu deixo de ser Sport, no Nordeste, e torço para o seu time. Não sei se ela acha que é só brinquedo meu, às vezes torço para que sim, quando digo que sou só mais um afim dela... quando digo que ela está linda, ou melhor, que ela é linda, tão linda que me encanta. Eu sou quem ainda fala tudo implícito, quem deixa pistas, novamente, alimentando esperanças e receios quanto a sua reação... se declarar pra quê, né?! Por que deveria ser mais claro?! Estamos distantes, mesmo, vai saber, se um dia nos veremos novamente...? E, afinal, já temos uma boa relação, virtual, mas uma relação... deixa assim! O que for, será! Ou não... talvez devesse tentar, investir, ter a coragem que, até hoje, tem me faltado... dizer com todas as letras quais minhas intenções, o que sinto, etc. Mas, por enquanto, deixa assim... subentendido.


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