“Eu
gosto tanto de você
Que
até prefiro esconder
Deixo
assim ficar
Subentendido
Como
uma ideia que existe na cabeça
E
não tem a menor obrigação de acontecer
Eu
acho tão bonito isso
De
ser abstrato, baby
A
beleza é mesmo tão fugaz
É
uma ideia que existe na cabeça
E
não tem a menor pretensão de acontecer
Pode
até parecer fraqueza
Pois
que seja fraqueza, então
A
alegria que me dá
Isso
vai sem eu dizer
Se
amanhã não for nada disso
Caberá
só a mim esquecer
O
que eu ganho, o que eu perco
Ninguém
precisa saber
Eu
gosto tanto de você
Que
até prefiro esconder
Deixo
assim ficar
Subentendido
Como
uma idéia que existe na cabeça
E
não tem a menor pretensão de acontecer
Pode
até parecer fraqueza
Pois
que seja fraqueza, então!
A
alegria que me dá
Isso
vai sem eu dizer
Se
amanhã não for nada disso
Caberá
só a mim esquecer
E
eu vou sobreviver...
O
que eu ganho, o que eu perco
Ninguém
precisa saber.”
(Lulu
Santos)
Não
é a primeira vez... não era pra ter acontecido. Nós
nos encontramos apenas pelas redes sociais. Por lá, tudo é
mais ou menos platônico, por assim dizer. Coleguismos,
amizades, animosidades, manifestações, lutas sociais,
amores... nada mais virtual que uma paixão platônica! O
sentimento de apego a alguém de quem se gosta muito, mas
sequer tem a coragem de admitir, de assumir... eu conheço bem
isso! Imaginar mil histórias, mil situações, mil
encontros inusitados, mil romances, com aquela pessoa que nem faz
ideia que você existe... ou que nem imagina o que você
sente por ela!
Tantas
foram as paixões arrebatadoras, tantos os namoros, vários
deles consumando-se nos mais perfeitos casamentos, em proles
numerosas, muitos netos... louco isso, de imaginar como poderiam ser
as crianças... quantas e quantas vezes ensaiei para fazer a
mais perfeita declaração de amor... quantas vezes
imaginei descobrir a melhor maneira de pedir para a pessoa, ficarmos
juntos, num final de semana, para, então, engatarmos um
namoro... quantas vezes esperei o momento mais propício para
falar, para me declarar, e quando veio, deixei passar, ou então,
nunca veio, e eu esperei à toa, até perder contato,
deixar de vê-la, deixar de sentir o que vinha sentindo... por
diversos fatores, às vezes porque ela começou um
relacionamento, com alguém que não lhe merecia, às
vezes sendo até destrutivo, outras vezes, por uma decepção,
com alguma palavra, ou alguma atitude sua, enfim... só eu
sabia da paixão, só eu vivia o romance, só eu
sofria e, por fim, só eu esquecia. Sempre achei preferível,
mesmo, que apenas um de nós se machucasse, que esse um fosse
eu... sofro em dobro quando a minha paixão sofre. Em tripo, se
sinto-me de alguma forma responsável por seu sofrimento.
Quando a paixão platônica se acaba, quando a relação,
que existe só na minha mente, termina... sou só eu que
sofro... assim, apenas sofro... nem em dobro, nem em triplo, nem em
quadruplo. Normal...
Eu
não me declaro, eu me calo, tiro sarro, só pra ver...
quase nunca me declaro. Vou deixando pistas, digo coisas pela metade,
deixo margem, deixo subentendido... esperando e, ao mesmo tempo,
temendo ser descoberto, digamos assim... porque, na verdade, queria
eu ter a coragem necessária para dizer-lhe o que sinto, o
quanto penso nela, o quanto lhe quero... mas é que temo a
reação, e mesmo em caso de “sucesso”, eu nem sei
direito o que fazer. Deixei tantas pistas, da última vez, que
uma musa acabou descobrindo por si mesma, aquilo que eu não
tinha coragem de dizer diretamente a ela. Imagine meu desespero! Bem,
mas ela também não soube como lidar com a situação...
não soubemos. Talvez fosse melhor ter deixado subentendido, ou
talvez devesse ter sido mais claro em minhas intenções,
para não haver nenhum mal-entendido! Bem, temos que aprender
algumas coisas, mesmo...
Quanto
mais penso nela, mais tenho a noção de que esta atração
não é tão nova assim, não foi algo tão
súbito. Desde que a conheci, que eu a curto muito, eu lhe
gosto demais, eu cogito se fossemos bem mais que amigos virtuais. Só
demorei para admitir a mim mesmo, só fiquei me concentrando
nas nossas “enormes” diferenças, como um mecanismo de
auto-defesa, como desculpa para não aceitar o que sempre
senti. E agora... é quando digo, em tom de brincadeira, algo
que sinto seriamente. Fico com ciúme de um nome qualquer, de
alguém que nem sei se existe, ou se algum dia vai aparecer, em
vez de dizer, mais uma vez em tom gaiato, quem sabe, que, por ela, eu
até poderia trocar meu nome. Por ela, sou capaz de ir a um
show de Ivete Sangalo, por ela, eu escuto axé e pagode de
manhã até a noite, eu deixo de ser Sport, no Nordeste,
e torço para o seu time. Não sei se ela acha que é
só brinquedo meu, às vezes torço para que sim,
quando digo que sou só mais um afim dela... quando digo que
ela está linda, ou melhor, que ela é linda, tão
linda que me encanta. Eu sou quem ainda fala tudo implícito,
quem deixa pistas, novamente, alimentando esperanças e receios
quanto a sua reação... se declarar pra quê, né?!
Por que deveria ser mais claro?! Estamos distantes, mesmo, vai saber,
se um dia nos veremos novamente...? E, afinal, já temos uma
boa relação, virtual, mas uma relação...
deixa assim! O que for, será! Ou não... talvez devesse
tentar, investir, ter a coragem que, até hoje, tem me
faltado... dizer com todas as letras quais minhas intenções,
o que sinto, etc. Mas, por enquanto, deixa assim... subentendido.
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