PESCANDO NO BODOSAL

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

O Andarilho

Quanto mais eu andarilho
Mais preocupado fico
Quanto mais parado eu fico
Mais sem paradeiro me encontro

terça-feira, 9 de agosto de 2011

Medo da Despedida


Já me assaltam dúvidas
Já não sei o que fazer
Sinto em meu peito uma dor
Sinto já uma tristeza em mim
Sinto um medo crescente
Daquilo que não quero
Daquilo que pode estar por vir
Não quero ir
Não quero deixar para trás
Temo nunca mais vê-la
Temo não saber o que nos esperava
E sequer saber que destino teríamos
Temo amanhã ser o último desencontro
Temo chegar o dia
Em que estaremos novamente longe
Em que não seremos um para o outro
Senão somente nomes que piscam na tela do computador...
A cada dia que passa
Tenho mais medo de não conseguir




Tenho medo da despedida

sábado, 6 de agosto de 2011

No Ponto de Ônibus

Ele acordou atrasado, às 5:30 da manhã, correu para se ajeitar, ajeitar as suas coisas, bebeu uma xícara de café pelando de quente, também correndo, colocou os sapatos nos pés, pegou as chaves de casa, colocou sua bolsa no ombro e correu para o ponto do ônibus, para pegar o seu para o trabalho.
Chega às 6:20 na parada, um tanto cheia, esperando o “bendito” ônibus passar. Conforme o tempo vai passando, o seu ônibus não vem, a parada começa a esvaziar, depois a encher de novo... e ele começa a irritar-se. Ou o ônibus das 6:30 passou antes, ou não passou e nem vai passar! Sua irritação vai aumentando com o passar do tempo, tanto mais quando ele vê pelo menos seis ônibus da linha que ele tem de pegar passarem na direção do Centro, enquanto que nenhum passa na direção do bairro.
Nisso, passa-se uma hora. Uma hora inteira em que ele está ali, parado no ponto, começando a sentir o calor e o sol começa a queimar, lentamente, sua pele, já quase completamente esturricada. A essa altura, ele já está, praticamente, praguejando alto, abusando do palavreado chulo, contra o maldito ônibus que não vem. Ele pensa que vai ter de enfrentar o sol do meio-dia para terminar o seu trabalho daquele dia, pensa em explodir o maldito ônibus, assim que ele chegar naquela parada, pensa em xingar o motorista e tirar satisfações pela demora daquele cretino. Pensa em dar meia-volta e seguir pro outro lado, já que seu dia de trabalho fora comprometido, mesmo... até que enfim...
Até que enfim! Não, não é o ônibus que chega, para cessar com a onda de raiva e impropérios! Se fosse o ônibus, provavelmente iria arrefecer sua ira, mas não iria cessá-la... ele ainda continuaria com muita raiva pelo atraso, doido pra descontar no cobrador fuleiro e no motorista bagaceiro. Não, só mesmo ela, sua musa, sua amiga predileta, sua paixão platônica, seria capaz de acalmar aquele cabeça quente! Ele a viu se dirigindo para a parada do outro lado da avenida e, por um instante, ele esqueceu o ônibus que não vinha, um sorriso besta apareceu em seus lábios. Pensou em chamar sua atenção, mas preferiu não fazê-lo: não queria deixá-la envergonhada logo de manhã cedo. Quase sentiu-se feliz por seu ônibus atrasar, pois assim pôde vê-la, se dirigindo para o seu ponto, para também pegar seu ônibus para seu trabalho. Notou que ela olhava para a frente, reto, como que concentrada no seu caminho. No seu caminho... ou no seu dia? Ele se perguntou em que ela estaria pensando, se estaria preocupada com alguma coisa. Aparentemente, ele não foi visto, mas provavelmente porque ela estaria com a cabeça muito ocupada pra ver quem quer que fosse.
Enfim, chegou seu ônibus, ele teve de interromper seus pensamentos, teve de embarcar no ônibus e deixá-la para trás, perdê-la de vista. Isso sempre lhe dá um aperto no coração... mas ele ainda dá mais uma olhada para trás. Uma última olhada, antes que o dia volte a ficar cinza.

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Termos & Sermos


Cada dia que passa me sinto mais apaixonado por minha musa inspiradora! A cada momento, a cada conversa que temos, sinto-me mais atraído para sua órbita. Cada vez mais apaixonado pela pessoa que ela é. Penso demais nela, sorrio, às vezes entre lágrimas emotivas, lembrando algum gesto seu, algo que fora dito, alguma brincadeira que a fez rir... fecho os olhos, para vê-la nos mínimos detalhes; seu rosto, seus cabelos, olhos, boca, nariz, mãos, pés, enfim... para ouvir sua voz, seu jeito, seus gestos... penso em cada conversa, em cada palavra dita... romantizo, imagino coisas até meio adolescentes, imagens de um “mundo perfeito” – bom, talvez, para mim – mas que não ouso falar abertamente sobre. Cada dia que passa tenho mais certeza – ou “certeza”, talvez – de que já a amo, sinto uma certa frustração por não fazer mais por ela, penso até coisas que já pensei antes, em outros momentos, que a tendo, estando a seu lado, poderia ser feliz...
Um pequeno parêntese: segunda-feira fui ao centro da cidade, passei o dia por lá, tive uma entrevista de emprego, depois disso fui à Federação Espírita, também lá no Centro. Ouvir uma palestra, receber passe, orar para que certas aflições sejam resolvidas, para agradecer as oportunidades que andaram se desenhando, agradecer por ela, por tê-la conhecido... enfim, por aí vai! Pois o palestrante discorreu sobre a felicidade, sobre o que buscamos em nome dessa tal, sobre o ter e o ser – referia-se a que o ser humano ainda busca a felicidade nas coisas, na posse, de objetos e de pessoas, etc. Gostei da palestra. Geraldo, parece que era esse o nome do palestrante. Irmão Geraldo. O que ele disse me fez refletir. Pois é, não é...? Por muito tempo pensei em ter alguém, que minha felicidade dependia completamente dessa pessoa, ou melhor, de tê-la, mesmo! Queria com essa pessoa formar uma família, todas aquelas convenções sociais e românticas, tipo envelhecer juntinhos, etc. Queria ter e pertencer a alguém, pensava que a felicidade seria assim.
Aí, após a palestra de segunda-feira, eu me perguntei: se a amo mesmo... se tenho por ela sentimento tão sublime... por que quero tê-la?! Pra que prendê-la, maneá-la, de certa forma tirar-lhe a liberdade?! Ser dela também... ok... mas por que ter alguém? Tê-la a meu lado, exatamente como imaginava, me faria feliz mesmo?! E ela? Ela seria feliz, comigo?! Quando a gente romantiza e idealiza, não pensa muito no que deixaria o outro feliz, acho eu. Não me sentiria bem tendo uma pessoa... tendo minha musa e sabendo-a não muito feliz. É um tanto romântico demais querer TER essa pessoa e viver com ela apenas momentos felizes. E muito imbecil querer mantê-la sempre consigo, protegida dos problemas. É. Pois é... tudo isso veio a minha mente, pensando no que falou Geraldo, o palestrante, na segunda-feira, na Federação Espírita.
Achei interessante a abordagem dele. Pelo que pude depreender, somos ainda escravizados pela ilusão de que, para sermos felizes, precisamos tão somente do que o mundo material pode nos proporcionar, que precisamos ter objetos, ter a fama e o sucesso, ter o poder, ter alguém.
Gostaria de ter já sublimado todas essas coisas. Gostaria de não sentir ciúmes, pois ainda sinto isso, pois se algum dia vê-la com alguém, sei que ficarei enciumado. Bobagem, eu sei! Não vou mentir que tê-la e ser tido, como imaginei diversas vezes, não pareça mais atraente. Só que ser também é bastante interessante. SER em vez de TER. Gosto muito do que somos hoje. Não do que sou, exatamente, desse eu, queria gostar um pouco mais... não sei exatamente o que sou para ela... se ainda sou uma companhia agradável, gosto muito de sê-lo! Assim como adoro ser seu admirador! Ela é minha musa, e já é alguém muito importante, com quem gosto de compartilhar minhas opiniões, meus ideais, etc. Gosto muito disso. Espero mesmo sermos, um para o outro, sermos juntos... eu gostaria muito! Sermos nós mesmos, e acho que não se consegue isso, tendo e pertencendo a alguém... sei que ainda não a conheço tão bem, mas já gosto muito de quem ela é. Como disse, estou bastante apaixonado por ela, por quem é.
Quanto a sermos juntos, bem, não vou procurar alimentar falsas esperanças. Acho que é meio óbvio o que gostaria que fôssemos juntos. Enfim, seja como for, quero que sejamos por um bom tempo. Sejamos um casal, ou uma dupla; sejamos amigos, namorados, companheiros – bem, acho que isso todos somos, companheiros de jornada – quase irmãos... o que importa é que sejamos! É o que desejo. E mais importante, que sejamos felizes!

Quereres


Queria te ligar
Queria te ver
Queria te encontrar
Queria te falar
Queria ver-te rir
Pois gosto de saber
Que você riu alto
Mas quero estar presente
Quando espocares de rir...
Queria não sentir tanta falta
Queria não te querer
                                desse jeito
Queria só te querer bem
Queria te querer como me queres
                                          como amigo
Queria não ter me apaixonado
Queria não imaginar – visualizar
Nós dois caminhando juntos, de mãos dadas
Queria participar mais de tua vida
Queria que quisesses, também, da minha
Queria mais curtir e menos pensar
Queria não temer arriscar
Queria não me preocupar o dia de amanhã
                                                         E o que ele nos reserva
Queria apenas não querer tantos quereres!