PESCANDO NO BODOSAL

domingo, 21 de agosto de 2011

Emancipação ou Morte!!


Os políticos, quando o assunto lhes desperta algum interesse, logo se mobilizam para aprovar o projeto. Por exemplo: li esses dias que está tramitando no congresso um projeto de lei que confere aos Estados autonomia para a criação de novos municípios. Sei que, segundo a notícia, que se não me engano, consta no portal D24AM.com, os políticos amazonenses ficaram alvoroçados. Não duvido que em muitos outros Estados também essa nova lei será bastante apreciada. Em todos, até!
Enfim, o site dava conta de várias localidades no interior do Amazonas que poderiam ser, digamos... “beneficiadas” com essa nova medida. Dentre essas, o Cacau Pirera, do outro lado do rio Negro, ainda pertencente a municipalidade de Iranduba.
De um modo geral, sou contrário sou contrário a essa coisa de desmembrar municípios e até Estados, pois normalmente o que se ganha com novas cidades e Estados é mais uma porrada de cargos eletivos e mais três cadeiras no Senado, por exemplo, no caso da criação de uma nova unidade da Federação.
No momento, o Cacau Pirera não precisaria ser emancipado, a meu ver, pois é naquela comunidade que situa-se a entrada do município de Iranduba e constitui a via de acesso a outras cidades, como Manacapuru e Novo Airão.  Por enquanto, não precisaria. Talvez depois que a ponte sobre o rio Negro estiver pronta e em pleno funcionamento... porque agora, com a travessia entre Manaus e as cidades do lado de lá sendo feita por meio de balsas e voadeiras, o Cacau é a porta de entrada e saída dessas localidades. É em torno daquela comunidade que gira o tráfego de pessoas e mercadorias. Depois que a ponte estiver pronta, as pessoas não precisarão mais passar por ali para ir até Iranduba. Não sei, talvez não precisem nem para se deslocar a Manacapuru e Novo Airão. O que acontecerá, então, com o Cacau Pirera? O que vai acontecer com o pequeno porto das balsas, com a economia, com as pessoas daquela comunidade?
Na verdade, não sei se a emancipação seria uma solução para o Cacau. Talvez sim... possivelmente não. Acho que, com a ponte do rio Negro, talvez aquela área fique um pouco mais abandonada, o que seria uma pena. Lembro que comentei a notícia com uma gaiatice, me oferecendo como candidato a ser o primeiro prefeito do novo município. Acho que não ia agüentar, não por medo dos peixes grandes da política local, mas porque eu iria querer implantar lá melhorias e sei que, por “forças ocultas”, não conseguiria... se fosse mesmo entrar pra política e quer ser prefeito, não sei se acabaria me corrompendo, como a maioria deles... talvez! Mas penso que iria querer fazer uma administração decente, honesta, também. E do jeito que é a burocracia nesse nosso país, eu sei que não conseguiria... ficaria muito frustrado! E o pior é que simpatizo com aquele lugar! Não iria querer ser seu primeiro prefeito e não fazer sequer o mínimo que possa por aquela comunidade. É por isso que nem tento... espero sinceramente que a promessa de progresso para Iranduba, que passa pela ponte, não deixe aquele lugar de fora.

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Saudade Doída - Te Vejo Por Onde Ando

Saudade doida
Doída
Aperto no peito
Saudade de ouvir tua voz
Saudade dos teus olhos
Grandes pérolas escuras
A perscrutar o horizonte
Saudade do som do teu riso
Saudade da luz que irradia
De teu rosto belo, harmonioso
Saudade alucinada
Pesada
Saudade de ver você


Por onde ando
Imagino te ver
No Largo, sentada
Num banco de praça
A observar a movimentação
Caminhando pela avenida
Passos lentos, parecendo estudados
Andando em meio à multidão
Nas ruas do Centro da cidade
Passando por mim no ônibus...

Te vejo na moça do caixa de supermercado
Na menina risonha de vestido
Que brinca despreocupada
Na noite enluarada
Na jovem séria, compenetrada,
Óculos pendurados no nariz,
Lendo um livro
Te vejo um anjo
De longas, belas e brancas asas
De rosto iluminado
De olhar sereno
Te vejo,
Imagino que te vejo
Sorrio e agradeço
Por ter podido te ver

Jeremias

Li no jornal Manaus Hoje, edição de terça-feira, 16 de agosto de 2011, uma notícia sobre o desaparecimento de um rapaz, na Cidade Nova. Segundo o jornal, Jeremias dos Santos foi visto pela última vez no último sábado e a família encontra-se muito preocupada, pois o rapaz é deficiente auditivo.
Pensei, pode ser que seu sumisso não tenha nada a ver com a sua situação, mas com o desejo de sumir, desaparecer mesmo, ficar longe de tudo e de todos. Mas é provável também que tenha se perdido... a zona Norte é grande! Tempo desses, quase me perdi, lá pros lados do Oswaldo Frota, aquele conjunto pra lá da Cidade Nova. Aliás, a Cidade Nova é praticamente uma cidade, mesmo... não na estrutura, mas na extensão e povoamento. Pois se, para mim fica fácil me perder no emaranhado de ruas da zona Norte de Manaus, mesmo podendo comunicar-me, pedir informação, procurar um ponto de referência, imagine para um portador de necessidades especiais, como no caso de Jeremias!
Ok, Jeremias talvez até consiga dizer para alguém quem é, que encontra-se perdido, não sabe onde está, quer voltar pra casa e tudo o mais, mas o problema todo é ser entendido... ele pode saber falar, através da linguagem dos sinais, mas quantas pessoas sem deficiência auditiva também conhecem essa linguagem? Te digo, bem poucos. Seja em Manaus, São Paulo, Porto Alegre, ou Rio Branco... há surdos que são “analfabetos” na linguagem dos sinais. Eu sou completamente analfabeto nisso. É uma vergonha! Mas não há um interesse real em se integrar os portadores de necessidades especiais à sociedade. Você vê que não há muitas calçadas adaptadas para os cadeirantes. Pior, quando há calçadas, os estabelecimentos usam-nas como estacionamento! Claro, vejo isso todo dia, aqui em Manaus, inclusive quase fui atropelado, sendo obrigado a caminhar na pista da avenida Perimetral, no Parque Dez. Mas esse fenômeno é nacional. Para os deficientes visuais também temos várias armadilhas Brasil afora. Noite dessas, esperando meu ônibus, observava três cegos que vinham se dirigindo para a parada do seu, ali em frente ao porto privatizado. Caminhavam os três lado a lado, batendo suas bengalas, balançando-as de um lado para o outro como um radar improvisado. Pois o radar de um deles não funcionou e ele foi de encontro a uma imensa placa daquelas que ficam nos pontos, tão forte que se ouviu um estrondo! Se você estiver rindo, enquanto lê isso, pare imediatamente, porque não é nem um pouco engraçado.
De vez em quando, nessa mesma parada, vejo um pequeno grupo de deficientes auditivos conversando entre si, no seu idioma. Me parece um grupo muito fechado, o dos surdos. Penso até se esses grupos não são células de uma organização maior, com o intuito secreto de dominar o mundo.
Não tenho muita idéia do que se pode fazer para integrar, de verdade, pra valer, os PNEs à sociedade. Mas, lendo a notícia, me ocorreu algo, que não sei se seria a solução, mas enfim, é uma idéia: acabar-se aos poucos com as escolas especiais para deficientes auditivos. E como seria isso? Bom, se adaptariam as escolas, digamos assim, normais para ensinarem no modo tradicional e na linguagem dos sinais. Do primário ao nono ano do ensino fundamental, pelo menos, pra começar, todas as crianças, deficientes auditivas, ou não, iriam aprender a linguagem dos sinais. É, pelo menos, talvez, a vida dos deficientes auditivos ficasse mais fácil. Mas é mais certo que eu esteja dizendo alguma besteira, então... não precisam levar a sério, mas se alguém levar essa idéia a sério, tente também levar adiante! Quem sabe dá certo.

domingo, 14 de agosto de 2011

O Velho Matrinxã


Domingo, dia dos pais. Como no caso dos dias das mães, das crianças, dos avós, dos namorados, da amante... tem se tornado mais uma data cujo significado é meramente comercial. Não tenho certeza, mas acho que as escolas públicas não fazem mais aqueles trabalhinhos das aulas de educação artística, para dar-se de presente para os pais, ou para as mães, conforme a data.
Hoje em dia, os presentes oferecidos pelos grandes magazines, a preços módicos e em suaves prestações a perder de vista, são mais sofisticados e vão além da meia, gravata e/ou caixa de ferramentas. Infelizmente porque, bem, agora poderia estar ganhando um celular, ou um tablet, ou até mesmo um bom whisky importado, que com certeza seria muito apreciado, no seu dia.
Pois é, faz alguns anos que o velho matrinxã deixou o nosso convívio. Não o temos mais para comemorarmos o dia dos pais. O velho Matrinxã era velho mesmo: nasceu na primeira metade do século passado, a II Grande Guerra era um fato da atualidade, e Getúlio Vargas era o presidente da República, na sua mocidade. O velho Matrinxã gostava de contar histórias daquela época. Meu irmão mais novo e eu gostávamos de escutar essas histórias, algumas das quais, hoje em dia, desconfio que não fossem exatamente verídicas. E se o fossem, talvez não tivessem tido sua participação, a não ser como expectador, ou ouvinte!
A confusão já começava por sua origem: segundo minha mãe, os Matrinxãs da nossa família, teria contado ele, teriam vindo de outros rios, dos da França... mas para mim, ele contara outra história, dissera ele que seu avô e seu pai seriam nordestinos, vindos, talvez, de Pernambuco, ou da Paraíba, para o Rio Grande do Sul. Se seu avô era europeu, ou brasileiro, não sabemos, mas sua mãe era argentina! Matrinxã gaúcho, filho de nordestino com correntina!
O velho Matrinxã nos contava também dos seus tempos como funcionário civil da Aeronáutica, no Rio de Janeiro, então ainda capital federal. Da rivalidade que havia com os paulistas que lá estavam, que nunca engoliram aquele gaúcho da fronteira como presidente da República. Algumas de suas histórias me fizeram interessar por assuntos que depois fui estudar mais profundamente, como um episódio em que colegas seus foram hipnotizados por um oficial, um nordestino, profundo estudioso da psicologia humana. Depois fui procurar informações sobre a psicologia, o subconsciente, as manifestações da nossa imaginação, etc. Em outro momento, ele contou-nos ter sido testemunha, com mais dois amigos, um capitão e mais uma porrada de gente, de um estranho acontecimento, envolvendo um objeto desconhecido, de forma circular, que pairava, ao que parece, sobre a lagoa Rodrigo de Freitas. Segundo ele nos contou, o objeto era imenso e ficou ali, flutuando sobre as águas por vários minutos, fazia evoluções, desaparecia no horizonte, voltava... até que, enfim, alçou vôo e desapareceu no espaço! Plena manhã! Não sei se a história contada era verídica, mas de qualquer forma, me atiçou a curiosidade sobre esses objetos não-identificados e seus tripulantes, que de vez em quando vêm nos visitar.
Com o velho Matrinxã fizemos viagens inesquecíveis, nas férias! Fomos, diversas vezes, no verão, a Florianópolis. Floripa, a ilha da magia... e hoje, dos turistas argentinos! Naquele tempo, nem ia tanto argentino assim pra lá. O velho Matrinxã gostava muito das praias catarinenses. Olhando as orlas gaúcha e paulista, você logo entende o porquê. Ele nos levou até lá num Karman Ghia, numa Brasília – azul, não amarela - , numa Caravan e até num Maverick, ano 1978, motor V8! Isso que é estilo, hein!? Enfrentamos enchentes e deslizamentos de terra, na estrada da capital catarinense! Lembro que, enquanto meu pai dirigia, víamos uma pedra imensa descendo morro abaixo e crescendo pra cima de nós! Férias radicais, mas radicais mesmo, eram com o velho Matrinxã! Satisfação garantida, ou seu dinheiro perdido!
Não é só neste dia que sinto falta do velho Matrinxã. Várias vezes acontece de nos lembrarmos dos bons tempos, dos bons momentos passados com nosso pai. Sentimos saudades das histórias que ele nos contava, dos jogos de xadrez – também de canastra, dominó, etc – das discussões filosóficas sobre qualquer assunto. Em sua atual morada, feliz dia dos Pais, velho Matrinxã! Muito grato por tudo.

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Preparando o Coração


Não queria ter de pensar essas coisas ainda. Nos últimos dias, as coisas estão se encaminhando, me forçando a pensar a respeito. Fiz o que pude, ou acho que fiz o que podia para sequer precisar pensar a respeito. Talvez pudesse tentar algo mais, mas me escapa, o que quer que seja. É bom que não me venha a idéia quando for tarde! Vou odiar muito o momento em que isso vier a acontecer.
Não quis me adiantar tanto nos acontecimentos, não quis criar muitas expectativas, mas também não queria ter de pensar nos acontecimentos prováveis. Aparentemente, não adianta muito não querer. Tentei proteger alguém que tentou me proteger, gostei dos momentos que tivemos, embora curtos. Mesmo gostando, sempre tive a impressão de que nossas conversas ficavam inacabadas, tanto mais quanto mais profundas. Até nossos desencontros são, para mim, carregados de poesia. E nem eles são tão freqüentes assim... e talvez não ocorram mais... mesmo sendo raros, ainda há a possibilidade de que ocorram... agora! Mas e depois?!
Por que fui me apaixonar? Por que me apeguei tanto, em tão pouco tempo, a essa pessoa? Que me importa eu, me preocupei mais em que ela não sofresse! Pergunto-me, seria assim tão ruim se tivéssemos participado mais um da vida do outro? Talvez, não sei, que importa agora, também, quem tem razão?! Talvez não ficasse somente na sua órbita?! Não sei, pode ser... e mais uma vez, que importa isso agora?? Eu que não quis pensar nisso tudo antes... fiz o que pude e esperei as coisas se encaminharem. Só que não estão se encaminhando como o esperado. Até um novo concurso, o qual já estava examinando a possibilidade de fazê-lo, está dando para trás.
Pensei diversas vezes em diversas coisas e deixei de fazê-las, ou de tentá-las, por um medo idiota, por entender que não seria certo, ou que, estando as coisas mais ou menos seguras e encaminhadas, novas oportunidades surgiriam... enfim, tudo isso tem a ver com medos e receios. E agora tenho pensado no que fazer... se é que há algo que se possa fazer. Sei que apesar das proteções, vou sofrer, que já estou sofrendo. Temo que os próximos dias sejam ainda piores. Eu sei, não devia ter me apegado tanto assim... talvez demore muito para nos vermos outra vez... talvez não nos vejamos mais... simplesmente. Talvez esteja me preocupando a toa, mas pode ser que o tempo esteja mesmo passando e tenha que se pensar nisso, agora.