PESCANDO NO BODOSAL

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Flutuar


Eu flutuava, quando te vi pela primeira vez, ia aos píncaros, subia até as mais altas nuvens do céu. E isso que eu nem te conhecia pessoalmente, ainda! É, pois então... estava voltando a crer em certas coisas, até aquelas que, definitivamente, não são pra mim – ah, vá! – reaprendendo sentimentos, lembrando como era sorrir sem um travo de amargura, etc. Acho que não sabe como é isso... e nem quero que saiba! Se um dia soube, quero que nunca mais venha a saber! Mas enfim...
Hoje também, me encontro flutuando... das nuvens mais altas do Andirá, quase na estratosfera, para as regiões abissais dos oceanos. Do riso fácil para o choro compungido em cinco segundos! Esse sou eu, longe de você... distante de você, longe de casa, sem vida, num trabalho ocioso, sem muitas distrações ao longo do caminho... longe de você, o que é pior! Longe de qualquer possibilidade de vê-la, a não ser por fotos... sem saber muito de você, ultimamente, sem nenhuma demonstração de interesse por mim, pelo que tenho feito, como estou, etc. Sinto falta de você, sinto um estranho vazio no peito, uma imensa, incomensurável saudade... e quase tão grande quanto, é a inconformidade... por que de duas pessoas, não importa a relação, em vez de trocas mútuas, tem que ser escambo, por que sempre um tem que sair perdendo? E por que tenho a impressão de que esse um sou sempre eu?! Por que diabos tenho de ser eu o perdedor?? Ela é mais sentimental que eu, então fica bem que eu sofra um pouco mais, é isso?! “Ah, ele já está acostumado...” não quero aqui dizer que deveríamos inverter os papéis, ou que sentisse a mesma dor que eu, agora... mas não me incomodaria se por agora a saudade começasse a dar travos na tua garganta, também... será que isso faz de mim um cara ruim?! Hum, pode ser que sim... mas talvez só faça de mim um ser humano, só mais um na multidão... me desculpa, eu realmente queria ser um pouco mais que isso.
Ainda não fiquei chateado com você... mas parece, não é?! Eu sei, sou um idiota ressentido... não gosto dessa coisa de vir falar comigo justo quando estou mais chato, mais pra baixo, sentindo-me rejeitado e com a baixa estima lá no alto... só porque estou implicando demais e minhas reclamações e súplicas por um pouco de atenção já estão começando a dar nos nervos... não gosto mesmo disso, é sério, você sabe que quando eu brinco, eu brinco, quando não, é porque é sério, dos vera mermo! E essa é uma das ocasiões em que estou falando a sério, não gosto que me venha assim! Ok, tá certo, você tá num trabalho com muita responsabilidade, agora, tem a faculdade, o final de período, coisa e tal, tempo escasso... ok, tudo bem, tá certo, eu sei como é isso. Mas aí, vejo algumas situações e fico com cara de ponto de interrogação... dispõe de pouco tempo para as redes sociais, entra só um pouco, o Victor tá lá, on, curte uma parada que ele compartilhou, mas não vai cutucar, nem interagir com ele, deixa, na próxima vez, se der, vai lá e fala com ele, porque, né... tá longe! E o tempo urge, logo o chefe vai estar no pé, etc e tal. Ok... ah, mas fulano tá on, vai falar com fulano, interage com cicrano, porque tem um tempinho, ainda! Mas eles não estão há milhares de milhas, há mais possibilidades de vê-los, quem sabe conversar com eles, ou sabe-se lá se, ainda depois de interagir via redes sociais, não conversou, mesmo, com eles, mais tarde?! Então... por quê?!? É, sim, eu sou muito ciumento... tipo... MUITO! Já falei, não alcancei a iluminação, ainda, bem que queria... sinto-me, sim, preterido, desprestigiado – se é que é pra tanto – rejeitado... porque, enfim, tudo já foi dito...! Se é que eu não ouvi errado... eu reconheço minha canalhice – se é pra tanto – confesso que fico com ciúmes! Eu não posso mais te encontrar no mesmo ônibus, indo para casa; olho para o outro lado da avenida e não te vejo subindo a rua; você não estava no mesmo vagão que eu, hoje, nem no mesmo metrô... porque sou eu quem usa metrô, não você! Por que sou tratado com distanciamento, como um mero colega de facebook?! Sei lá, é como me sinto... fico confuso... ainda não atinei com o significado de certas coisas ditas, como naquela conversa sobre primeiros beijos... como certas frases soltas, no twitter e no face... não consigo evitar, temos algumas coisas em comum, como sabe, também sofro dessa horrível síndrome do pensamento acelerado... quando dei por mim, já estava entrando em mil nóias. A gente está sempre viajando na maionese, e quando achamos que paramos, embarcamos em novas viagens, pensando nos comos e porquês... é difícil não imaginar as diversas, infinitas possibilidades e probabilidades, do que pode ser, ou será, do que poderia ter sido, ou era pra ter sido... ou NÃO era pra ser... enfim, pelo menos pra mim, é difícil... mas algo me diz que você entende, mais ou menos, do que estou falando.
Retomando... você me disse que entendia, que já esteve “do lado de cá”, dessa minha situação que tira o sono, me faz pensar e escrever a respeito às 3h20min da madrugada, a verdadeira paixão impossível, o se perder em pensamentos, o mergulhar nesse sentimento por alguém que não está na mesma vibe, nem quer estar... gosto disso, desse teu entendimento, da tua compreensão... e agora, chegou a minha vez de retribuir – reforçando que não estou brincando – e te dizer que também entendo você! Sinto que você não tinha sido, ainda, alvo de admiração, de paixão tão fortes, tão, ahn... palpáveis! Saber-se alvo de uma paixão e ficar todo errado, sem saber como reagir, não querer magoar a pessoa, mas já magoando, porque você não pode retribuir aquele sentimento, como a pessoa gostaria, e até mereceria... você pode não acreditar – e quem acreditaria – mas também já passei por isso, anos atrás. Compreendo você, te entendo, sei como é delicada essa situação... também não soube como reagir, também fiquei lisonjeado, ao mesmo tempo, incomodado, também tentei não errar, mesmo não querendo dar chances, nem falsas esperanças, por isso também trocando os pés pelas mãos... não sei, hoje não agiria do mesmo jeito, eu acho... então, sim, eu te entendo, não concordo, mas entendo... não iria me proteger tanto... desculpa aí!

As Outras


De tempos em tempos elas vêm. As outras... aquelas que te falam certas coisas e você não sabe direito o que aquilo significa. Elas falam com você como se aquilo tivesse absolutamente tudo a ver com você. Ok, algumas vezes as outras não te conhecerão tão bem assim... e deverão pensar: “ele é homem! É claro que ele vai entender do que estou falando...” só que você não entende! Porque aquilo deve estar angustiando muito mais às outras que a você!
Sim, ela lhe veio perguntar o que já lhe haviam indagado outras vezes... há quanto tempo você não fazia sexo... como que para saber se essa era a seca que também te flagelava... as outras sempre se surpreendem quando descobrem que não é bem essa a tua aflição... você até consegue sorrir, com um travo de ironia... pra logo em seguida sentir o velho nó na garganta... tua seca, em verdade, é bem outra!
Ela, a outra, te conta que se separou do marido, e é inevitável que você se pergunte se é esse um dos motivos que foram o estopim da explosão. Cada vez mais tem a noção que sua indagação tem mais a ver com ela mesma e sua própria angústia do que com você.
Porque, bem... a tua seca é, realmente, bem outra. Você pensa que já está durando demais. E o pior, é que isso ainda parece muito longe de acabar. Por mais que você também goste disso, não é de erotismo que você tem sentido falta... é romance que tem faltado na tua vida!
Mas como assim, você sente falta de romance?!”, as outras perguntam, quase querendo parecer indignadas, como se você estivesse se intrometendo num território só delas. Pos é, você pensa, o erotismo até que tem lá sua importância... mas o que aquece realmente um amor, ou paixão, é o romance! E ultimamente, você só tem romantizado, todas as noites você fecha os olhos e imagina situações que há tempos você não vive. Que nem sabe se viverá novamente, algum dia. Você vê os casais nas ruas, no metrô, nos coletivos e tudo o que consegue sentir é inveja... e tristeza... e indignação! Por que não você?! Por que você tem que estar só, todo esse tempo? E praticamente o tempo todo?? Você se lembra da última vez que alguém deitou a cabeça no teu colo. Sabe que faz muito, muito tempo. Sente muita falta disso... alguém para aconchegar num terno e apertado abraço, daqueles que você não quer mais largar a pessoa, que não quer mais ser largada... para descansar sua cabeça em teu ombro... ou em teu peito! Ter com quem dividir um pacote de pipocas, no cinema – ou assistindo ao dvd em casa, mesmo, só os dois... com quem caminhar de mãos dadas, no parque, num sábado de sol... seja esse, ou aquele lá, da tua casa! Para se entusiasmarem com quase as mesmas coisas... para, quem sabe, até escreverem alguma coisa juntos, como até já foi proposto, uma vez!
É, mais claro que isso, impossível... não que adiante alguma coisa... você sente a falta do calor de um corpo, da maciez da pele, da suavidade do perfume de uma mulher. Você sente a falta de carinhar alguém. Você quer dar carinho, afeto e atenção. Não a qualquer mulher... esse, talvez, seja o maior dos teus problemas! Você só quer a ela. Quer estar com ela. Quer sentir a seda negra dos cabelos dela, quer olhar naqueles grandes olhos que parecem sorrir sempre. Você disse à outra, você sente mais falta de um beijo na boca, doce, quente, terno... e não é nenhuma outra boca que você pensa, além da dela. É naquela menina que você pensa... todo o tempo... é com ela que você romantiza. Era dela que você queria ter o carinho... para ela, queria oferecer mais livremente o afeto. Você vê um amigo do twitter declarar seu amor por sua musa, abertamente, sem medo nem de dizer seu nome... e você se ressente de não poder fazer o mesmo. Você se sente um bandido, que tem de estar mantendo um segredo que já não suporta mais guardar apenas para si, às vezes tentando esconder até mesmo dela, do alvo dessa tua paixão doentia. Você se inspira, ao pensar nela... lhe escreve versos e prosas e as dedica a ela... depois, se arrepende, porque... pode estar a machucando, sufocando, com um carinho que não é bem-vindo.
Ninguém romanceia com você. Do que pode se lembrar, ninguém nunca romanceou. Ou será que sim...?! De vez em quando, você se pergunta, se há algo errado, por que não você...? Muitas vezes te dizem, você é duro consigo mesmo... mas é sempre quem não te quer, nem idealizado! E agora pouco importa, você não tem, nem sequer a longo prazo, uma perspectiva de fim para tua seca... o que te resta, e é tudo o que você tem, é romancear... e é só a ela que consegue idealizar, do teu lado. É apenas e tão somente a ela quem você quer!

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Simples Desejo


Penso intensamente em você
Chego (me) incomodar...
Desejo meu sentimento seja até menos intenso
Bem mais duradouro...
Através dos tempos e das distâncias...
Desejo esse sentimento
Te leve bem mais sorrisos
Que preocupações...
Te levem uma companhia mais aconchegante
Que pesada a teu coração

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Um Pouco de Você


Cansado demais
Saudades de casa
Me sinto exilado
Da minha terra
Me sinto proibido
De estar a teu lado
Cansado demais
De ser o amigão
De ser forte
E estar disponível
Enquanto estiver por perto
E quando for preciso
Mais cansado
De ser só o coleguinha
Daqueles que estão ali
On-line o tempo todo
Que se dá atenção
Só quando estiver pedindo
Sozinho
Solitário
Distanciado e distante,
Perdido em terra extrangeira
Cansado...
Injustiçado...
Por que eu tenho de sentir mais falta
Que você??
Cansado...
Desmotivado...
Preciso muito de um abraço
Preciso demais do TEU abraço
Só isso...
Nada mais...
Só preciso do que tem me negado
Desde o início do meu exílio
Eu só preciso...
De um pouco de você
Pra apaziguar meu coração

terça-feira, 1 de novembro de 2011

AM/PM - De Zorra


Duas horas a mais, mas
A mesma lua crescente
Paira nos céus.
Tremo de frio
Sinto falta do Norte
Sinto alguma saudade do calor.
Me indago se,
Duas horas a menos
Ela sente falta do Sul
E se gostaria
De um pouco de frio

Eu não preservo minha mente...
Eu penso muito em você
E lembro do humorístico sabatino
Então, no meu desespero por você,
Penso em um bordão:
Ô mulata difícil!!