Eu
flutuava, quando te vi pela primeira vez, ia aos píncaros,
subia até as mais altas nuvens do céu. E isso que eu
nem te conhecia pessoalmente, ainda! É, pois então...
estava voltando a crer em certas coisas, até aquelas que,
definitivamente, não são pra mim – ah, vá! –
reaprendendo sentimentos, lembrando como era sorrir sem um travo de
amargura, etc. Acho que não sabe como é isso... e nem
quero que saiba! Se um dia soube, quero que nunca mais venha a saber!
Mas enfim...
Hoje
também, me encontro flutuando... das nuvens mais altas do
Andirá, quase na estratosfera, para as regiões abissais
dos oceanos. Do riso fácil para o choro compungido em cinco
segundos! Esse sou eu, longe de você... distante de você,
longe de casa, sem vida, num trabalho ocioso, sem muitas distrações
ao longo do caminho... longe de você, o que é pior!
Longe de qualquer possibilidade de vê-la, a não ser por
fotos... sem saber muito de você, ultimamente, sem nenhuma
demonstração de interesse por mim, pelo que tenho
feito, como estou, etc. Sinto falta de você, sinto um estranho
vazio no peito, uma imensa, incomensurável saudade... e quase
tão grande quanto, é a inconformidade... por que de
duas pessoas, não importa a relação, em vez de
trocas mútuas, tem que ser escambo, por que sempre um tem que
sair perdendo? E por que tenho a impressão de que esse um sou
sempre eu?! Por que diabos tenho de ser eu o perdedor?? Ela é
mais sentimental que eu, então fica bem que eu sofra um pouco
mais, é isso?! “Ah, ele já está acostumado...”
não quero aqui dizer que deveríamos inverter os papéis,
ou que sentisse a mesma dor que eu, agora... mas não me
incomodaria se por agora a saudade começasse a dar travos na
tua garganta, também... será que isso faz de mim um
cara ruim?! Hum, pode ser que sim... mas talvez só faça
de mim um ser humano, só mais um na multidão... me
desculpa, eu realmente queria ser um pouco mais que isso.
Ainda
não fiquei chateado com você... mas parece, não
é?! Eu sei, sou um idiota ressentido... não gosto dessa
coisa de vir falar comigo justo quando estou mais chato, mais pra
baixo, sentindo-me rejeitado e com a baixa estima lá no
alto... só porque estou implicando demais e minhas reclamações
e súplicas por um pouco de atenção já
estão começando a dar nos nervos... não gosto
mesmo disso, é sério, você sabe que quando eu
brinco, eu brinco, quando não, é porque é sério,
dos vera mermo! E essa é uma das ocasiões em que estou
falando a sério, não gosto que me venha assim! Ok, tá
certo, você tá num trabalho com muita responsabilidade,
agora, tem a faculdade, o final de período, coisa e tal, tempo
escasso... ok, tudo bem, tá certo, eu sei como é isso.
Mas aí, vejo algumas situações e fico com cara
de ponto de interrogação... dispõe de pouco
tempo para as redes sociais, entra só um pouco, o Victor tá
lá, on, curte uma parada que ele compartilhou, mas não
vai cutucar, nem interagir com ele, deixa, na próxima vez, se
der, vai lá e fala com ele, porque, né... tá
longe! E o tempo urge, logo o chefe vai estar no pé, etc e
tal. Ok... ah, mas fulano tá on, vai falar com fulano,
interage com cicrano, porque tem um tempinho, ainda! Mas eles não
estão há milhares de milhas, há mais
possibilidades de vê-los, quem sabe conversar com eles, ou
sabe-se lá se, ainda depois de interagir via redes sociais,
não conversou, mesmo, com eles, mais tarde?! Então...
por quê?!? É, sim, eu sou muito ciumento... tipo...
MUITO! Já falei, não alcancei a iluminação,
ainda, bem que queria... sinto-me, sim, preterido, desprestigiado –
se é que é pra tanto – rejeitado... porque, enfim,
tudo já foi dito...! Se é que eu não ouvi
errado... eu reconheço minha canalhice – se é pra
tanto – confesso que fico com ciúmes! Eu não posso
mais te encontrar no mesmo ônibus, indo para casa; olho para o
outro lado da avenida e não te vejo subindo a rua; você
não estava no mesmo vagão que eu, hoje, nem no mesmo
metrô... porque sou eu quem usa metrô, não você!
Por que sou tratado com distanciamento, como um mero colega de
facebook?! Sei lá, é como me sinto... fico confuso...
ainda não atinei com o significado de certas coisas ditas,
como naquela conversa sobre primeiros beijos... como certas frases
soltas, no twitter e no face... não consigo evitar, temos
algumas coisas em comum, como sabe, também sofro dessa
horrível síndrome do pensamento acelerado... quando dei
por mim, já estava entrando em mil nóias. A gente está
sempre viajando na maionese, e quando achamos que paramos, embarcamos
em novas viagens, pensando nos comos e porquês... é
difícil não imaginar as diversas, infinitas
possibilidades e probabilidades, do que pode ser, ou será, do
que poderia ter sido, ou era pra ter sido... ou NÃO era pra
ser... enfim, pelo menos pra mim, é difícil... mas algo
me diz que você entende, mais ou menos, do que estou falando.
Retomando...
você me disse que entendia, que já esteve “do lado de
cá”, dessa minha situação que tira o sono, me
faz pensar e escrever a respeito às 3h20min da madrugada, a
verdadeira paixão impossível, o se perder em
pensamentos, o mergulhar nesse sentimento por alguém que não
está na mesma vibe, nem quer estar... gosto disso, desse teu
entendimento, da tua compreensão... e agora, chegou a minha
vez de retribuir – reforçando que não estou brincando
– e te dizer que também entendo você! Sinto que você
não tinha sido, ainda, alvo de admiração, de
paixão tão fortes, tão, ahn... palpáveis!
Saber-se alvo de uma paixão e ficar todo errado, sem saber
como reagir, não querer magoar a pessoa, mas já
magoando, porque você não pode retribuir aquele
sentimento, como a pessoa gostaria, e até mereceria... você
pode não acreditar – e quem acreditaria – mas também
já passei por isso, anos atrás. Compreendo você,
te entendo, sei como é delicada essa situação...
também não soube como reagir, também fiquei
lisonjeado, ao mesmo tempo, incomodado, também tentei não
errar, mesmo não querendo dar chances, nem falsas esperanças,
por isso também trocando os pés pelas mãos...
não sei, hoje não agiria do mesmo jeito, eu acho...
então, sim, eu te entendo, não concordo, mas entendo...
não iria me proteger tanto... desculpa aí!


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