Você
é um sujeito de sorte! Você não acredita, vive a
maldizendo, repreendendo a si mesmo, por às vezes quase crer
que ela exista. Você reclama de injustiça, pois parece
que tanta gente tem sorte, enquanto que você... você é
como o Coiote, nos desenhos do Papa-léguas, ou o tomatinho,
num desenho politicamente incorreto aí. Vive se dando mal,
nenhum dos seus planos dá certo, nada acontece do jeito que
você gostaria. Isso é o que você pensa!
A
sorte é uma mãozinha do Criador, quase sempre
imperceptível. Se tudo fosse exatamente como o esperado, você
reclamaria da falta de desafios na vida, do tédio, etc. Você
ainda não percebeu que é um sujeito de muita sorte! Já
ter nascido na tua família foi uma boa sorte, não há
como negar. Desde então, ela tem sempre te acompanhado, e você
nem se dá conta. Você teve a sorte de encontrar bons
amigos, teve a sorte de poder ir todo verão para a praia, numa
época em que nem todo mundo tinha condições,
sequer de ir até Quintão, nos finais de semana!
Você
teve a sorte de viajar a lugares distantes, bem, ou mal, com culturas
diferentes, conheceu pessoas e pode expandir teus horizontes. Teve a
sorte de encontrar-se, descobrir-se, mesmo há milhares de
kilômetros, quando tem gente que passa a vida querendo se
conhecer e não consegue! Teve a sorte de ter sido adotado pela
terra onde, enfim, sentiu-se inteiro, sentiu-se um indivíduo,
uma pessoa real. Teve a sorte de ter conhecido uma pessoa, a quem
amou e por quem foi amado, há pessoas que não sabem o
que é ter alguém por quem se preocupar, você
conhece uma pessoa que nunca namorou... e acha mesmo que não
teve sorte?! Teve a sorte daquela garota ter esperado por você
dois longos anos. Teve a sorte de, depois de a relação
terminar, ter ficado uma boa amizade entre vocês.
Você
tem a sorte de ter encontrado tua segunda família, pessoas que
te acolheram em sua casa e em seus corações, como a um
filho, um irmão, um pai... você sabe que pode contar com
eles, e eles, com você! Quantos tiveram a sorte que você
teve, de, numa terra estranha, de onde nada se sabia, ser acolhido
assim, que você conheça?! Fora você... quem?!
Desta
vez que você voltou para a terra que adotou como seu verdadeiro
lar, e para sua segunda família, não foi bem falta de
sorte o que você teve... você ainda teve muita sorte de
ter encontrado trabalho e um teto, quando esteve mais apertado, teria
conseguido de novo, graças aos velhos bons amigos que fez, em
teus 8 anos de Manaus, quando “realisticamente” achou melhor
desistir! Ou seja: falta de sorte?! Você teve foi uma falta de
planejamento, nada mais que isso.
Sim,
você teve a sorte de se apaixonar novamente, não
amaldiçoe tua fraqueza, ou qualquer outra bobagem que tenha
colocado na cabeça. Muito pior é não ter por
quem suspirar, a quem se apegar, com quem sonhar. Muito pior! A dor
de não se ter ninguém seria ainda muito maior. Questão
de maturidade, não de sorte, perceber isso. Você teve a
sorte de conhecê-la, de tê-la fazendo parte da tua vida,
não importa como, ela colore teus dias, antes mais escuros e
sombrios.
Não
foi sorte o que aconteceu no teu último dia, na tua cidade,
antes de ir-se embora dali?! Você não tinha mais nenhuma
esperança de encontrar seu amor, para se despedir,
principalmente por causa de uma certa resistência, que não
era, de maneira alguma, tua... você achava que a sorte lhe
tinha abandonado de vez, que nem mesmo poderia ver pessoalmente, mais
uma vez, aqueles olhos que até hoje te encantam. E quando foi
sair, para resolver umas últimas coisas, para então
viajar... a quem você encontra?!
Tudo
bem, nem tudo é perfeito, mas admitamos: você é
um cara de sorte! Não perca as esperanças... algo de
bom ainda há de sobreviver entre vocês, pode ser um
reencontro, muito antes do que se espera para um e do que se
gostaria, para outro. Se você planejar-se melhor, talvez
consiga que algumas coisas saiam como imagina. Porque sim, você
é um sujeito de muita sorte!

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